terça-feira, 27 de dezembro de 2011

MIT oferecerá cursos de graça

Boa notícia para quem quer estudar de graça e sem sair de casa. O MIT (Massachusetts Institute of Technology) criou no dia 19 de Dezembro de 2011 um programa chamado MITx que pretende “oferecer um portfolio de cursos do MIT através de uma plataforma de aprendizado interativo online que vai:

  • Organizar e apresentar o material do curso para habilitar o estudante a aprender no seu próprio ritmo;
  • Característica Interativa, laboratórios online e comunicação estudante para estudante;
  • Avaliação individual para todo trabalho do estudante, permitindo a estes que demonstrarem domínio sobre o assunto receberem um certificado concedido pelo MITx;
  • Operar uma estrutura de software open-source com objetivo de prover melhoria contínua e alta disponibilidade para outras instituições de ensino”.

Ótimo para os que pretendem aprender mais sobre tecnologia. Além de poder estudar de graça, em casa, no seu próprio tempo livre, ainda poderá receber um certificado, parte importante no currículo. Outros cursos gratuítos são oferecidos através da internet, como muitos cursos de Stanford, e outros no iTunes University, mas esse do MIT é o primeiro a dar um certificado. Infelizmente tudo está em inglês.
 
Mais um passo à modernidade, onde o espaço físico não é mais estritamente necessário para a formação educacional de uma pessoa. Aliás, esse conceito de trabalho em casa também está engatinhando para virar moda nas empresas (será mesmo?), e muitas aqui no Brasil já adotaram pelo menos um dia da semana em que o funcionário pode trabalhar em sua casa, acessando a empresa remotamente.

Sobre o MIT, o certificado oferecido não tem valor de um diploma de graduação (degree), mas tem o valor de você ter participado e se sobressaído no curso. Os cursos não terão vestibular para entrar, e serão oferecidos a todos, em qualquer local do mundo com acesso à internet. O curso será gratuíto, mas na página do MITx existe uma ressalva que será cobrada uma taxa (não se sabe de quanto) para o certificado, mas pelo menos diz ser uma taxa “modesta”.

Vale dizer que esses cursos estarão disponíveis na primavera americana, ou seja, a partir do dia 20 de Março de 2012, e por isso fique ligado e se matricule quando disponível! Vou entrar na página do MIT News semanalmente para saber quando poderei fazer minha inscrição no MIT OpenCourseWare

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O Bóson de Higgs

Eu juro que tentei, mas não consegui escrever um post decente sobre o Bóson de Higgs, já aviso. O assunto é tão complicado que o texto ficaria interminável se fosse explicar com detalhes reais. Não existe uma analogia visual que satisfaça a complexidade da mecânica quântica, e mesmo porque a base é toda matemática e, portanto, abstrata. Só queria reportar que dia 13 de Dezembro de 2011 o CERN (Organização Européia para Pesquisas Nucleares) anunciou “sugestões tentadoras” para a existência do Bóson de Higgs, um grande avanço para a física. Após escrever o texto, feliz da vida, pedi ajuda a um amigo para que colocasse seus comentários e correções. As correções foram tantas que não conseguiria preservar quase nada do original. Justamente porque, além de algumas correções, as analogias não demonstram a realidade do que acontece no mundo subatômico. As leis de lá não são as mesmas leis daqui, e não é nada fácil ou simples tentar simplificar. De teimoso, dando uma de Brian Greene (o marketeiro físico), vou tentar escrever algo que minha imaginação doida entende por Bóson de Higgs, e com a ajuda de um amigo e da Wikipedia vou fazer uma tentativa. Que me perdoem os físicos (e meu amigo). Aliás, Márcio fica aqui meu muito obrigado! Coloquei seus comentários no final do texto. 

Primeiramente vamos entender o que é esse tal de Bóson de Higgs. Que diabos é bóson e quem é o Sr. Higgs

Você deve ter aprendido na escola em algum momento da sua vida que existem coisinhas ridículamente pequenas que compõem tudo que existe, chamadas átomos. Pois bem, o átomo como lhe foi explicado na escola, é a unidade básica de matéria que consiste em um núcleo denso cercado de uma nuvem de elétrons de carga negativa, que ficam "girando" em uma espécie de órbita (o melhor seria estado) em volta do núcleo, atraídos pela força eletromagnética. Isso é um modelo clássico “visual” um tanto errôneo no mundo atual, mas foi proposto por Ernest Rutherford em 1911 e usei aqui para que possamos entender melhor. Saiba que na mecânica quântica isso é bem mais complexo e bem diferente, corrigido posteriormente por Niels Bohr. Mas, vamos seguir adiante com nosso modelo visual clássico. 

Um grupo desses átomos, quando associados uns com os outros podem formar moléculas. Uma molécula seria um grupo eletricamente neutro de dois ou mais átomos que compartilham seus elétrons. Uma analogia boba seria uma criança (núcleo) que se une com outra criança (outro núcleo) dividindo seus brinquedos (elétrons), formando assim uma molécula de bagunça (revira na tumba, Rutherford!). Essas moléculas, quando juntas com outras moléculas formam toda a matéria que conhecemos, com ligações químicas. 

Voltando ao átomo, seu núcleo é composto por basicamente dois elementos: Os Prótons e os Nêutrons, e um átomo é classificado de acordo com o número de prótons e nêutrons em seu núcleo. O número de prótons determina o elemento químico (número atômico na tabela periódica) e o número de nêutrons determina o isótopo do elemento. Esses caras do núcleo também são divisíveis, contendo mais detalhes em sua formação. Um próton tem carga elétrica positiva com valor igual a 1, e é composto por quarks (o elétron tem carga negativa, e o nêtron é, olha só, neutro). Quarks são os tijolos (que analogia péssima, mas não consegui pensar em outra) que compõem a estrutura do próton. Um próton é composto por dois up-quarks e um down-quark que são mantidos unidos pela força nuclear forte, e dessa forma ele também é considerado um Hádron, ou seja, “composto de quarks”, mais especificamente um Bárion, ou seja, aquele que é composto de três quarks (chupa essa manga). Enfim, a galera que viaja na maionese vai dando nomes pra essas coisas de acordo com a classificação que encontram. 

Esse up ou down do quark acima é o tipo de “spin”, que seria algo como a tendência de continuar "girando" a uma taxa em particular (chamado na indecifrável wikipedia de “angular momentum”). “Usar momento angular é só um jeito que os humanos acharam para tentar fazer uma coisa impenetrável, até o momento, para a mente humana familiar” - Valeu Márcio! [1], e possuem valores de spin fracionados (1/2). Existem seis tipos de quarks: up, down, strange, charm, botton e top. E não, o quark do tipo charm não é uma jóia da Pandora, pelamor... Então existem 16 partículas fundamentais que constroem um átomo, sendo 12 partículas de matéria e 4 partículas portadoras de força (as quatro forças fundamentais, mas podendo ainda ter mais duas que relato em breve). 

O bóson, segundo a wikipedia, tem essa explicação: “Bósons são partículas subatômicas que obedecem as estatísticas Bose-Einstein [3].” Se você clicar no link acima para saber o que seria uma estatística Bose-Einstein, vai se deparar com “Na mecânica estatística (?) a estatística Bose-Einstein determina a distribuição estatística de bósons indistinguivelmente idênticos (?) sobre um estado de energia em equilíbrio térmico (?)”. É de fazer qualquer um desejar tomar um copo de veneno. Um bóson [2] seria um portador de força, que possuem spin inteiro (diferente do próton acima) e algumas outras características, como podendo ocupar o mesmo ponto no espaço ao mesmo tempo (como o fóton). Existem quatro forças fundamentais no Universo: o eletromagnetismo, a gravidade e as forças nucleares forte e fraca. Essas forças são na verdade a perturbação de campo (não confundir com o jogador Danilo do Corinthians, que também é uma perturbação em campo), e são medidas pela iteração dos bósons entre as partículas (no caso, os bósons chamados bósons gauge. Um exemplo de bóson seria o fóton, ou a patícula de luz (que não tem massa). Porém nem toda forma de energia é sem massa [4], como por exemplo as forças dos bósons W e Z que possuem 100 vezes a massa do próton. Os bósons podem ser elementares, como os fótons, ou compostos, como os mesons e por aí vai.

No Modelo Padrão da física existem seis tipos de bósons (quatro devidamente provados e dois teóricos), e o Bóson de Higgs é um desses dois que não foi provado ainda (o gráviton também não deu as caras por enquanto). O Modelo Padrão é um modelo teórico desenvolvido ao longo de anos pelos físicos de todo o mundo que nos dá a estrutura básica do nosso entendimento das partículas fundamentais da natureza (aquelas 16 partículas que disse acima mais algumas outras teorias). Um dos ingredientes desse modelo padrão é um campo hipotético que explica porque as partículas tem massa (entre outras coisas). Esse campo hipotético, onipresente, é chamado Campo de Higgs, do físico britânico Peter Higgs (hoje com 82 anos), que publicou lá na década de 60 alguns trabalhos sobre essa teoria, e tenta explicar por que é que as partículas tem massa, pois quando analisadas separadamente, essas partículas não tem massa nenhuma (veja a observação número [4] abaixo). 



Então existe algo que dá “materialidade” à matéria. Esse algo é chamado de Bóson de Higgs (uma força), que tem massa, ficando esta na casa dos 130 GeV (giga-eletrovolts), e por isso a necessidade do LHC existir, por possuir energia suficiente para tornar possível pesquisar essa faixa. E a maioria das partículas que interagem com o Bóson de Higgs ganha, portanto, massa (outras não, e ninguém sabe o por quê). 

Ufa, depois dessa coisa toda, por que é que esse bóson é tão importante assim? Porque esse cara, se provado existente, o Modelo Padrão fica um pouco mais completo [5]. Se entendermos as leis da natureza, poderemos focar nossas teorias (que existem muitas além do Bóson de Higgs, como a Supersimetria, ou a Quebra da Simetria Dinâmica) em um só local que provou-se certo, esquecendo as outras. Focando os esforços e experimentos, podemos descobrir mais a fundo outras partículas ou forças e seu funcionamento (como a dona Gravidade, que ninguém consegue explicar). Em 1993 o Ministro de Ciências britânico William Waldegrave lançou um desafio aos físicos para explicarem em apenas uma página o que é o Bóson de Higgs e por que eles estão tão ansiosos em descobri-lo. Os vencedores do desafio podem ser conferidos aqui. Com esse avanço na física provando a existência do Bóson de Higgs, quem sabe um dia poderemos entender melhor as partículas, e com isso tornar possível viagens intergaláticas, usando motores movidos a antimatéria. Aí só faltaria saudarmos uns aos outros com a frase “tenha uma vida longa e próspera”. [6] 



-------

[1] O eletron é infinitesimal (não tem dimensão). Apesar do termo "spin", electron não gira. Isso é só uma forma de tentar usar um modelo clássico para satisfazer a necessidade humana de intuir coisas. 


[2] A diferença entre um bóson e um férmion (a maioria da matéria, eu e você somos feitos de férmions), é que bosons são indistinguíveis um em relação um ao outro. Não existe nenhum atributo (como o spin, por exemplo, pois um mesmo fermion pode ter, por exemplo, spin +1/2 e -1/2) para diferenciar dois bósons. 
    Suponha que você tenha dois estados quânticos (A e B) e duas párticulas (1 e 2) que ocupam esses dois estados. Suponha que essas partículas podem ocupar qualquer estado, inclusive o mesmo estado ao mesmo tempo, você terá as seguintes possibilidades: 

A(1, 1) B() - As duas partículas no estado A e nenhuma no B 
A() B(2, 2) - As duas partículas no estado B e nenhuma no A 
A(1) B(2) - Uma em cada 
A(2) B(1) - Uma em cada 

Imagine agora que 1 e 2 são indistinguíveis. Isso significa que: 
A(1) B(2) = A(2) B(1) = A(X)B(X) 

Então temos na verdade 3 estados: 
A(1, 1) B() 
A() B(2, 2) 
A(X)B(X) 

Note que se 1 e 2 são distinguíveis, você tem 50% de chance de encontrar as particular no mesmo estado (4 estados, 2 estados no qual as particulas estão no mesmo estado). Se 1 e 2 são indistinguíveis, voce tem ~67% de chance de encontrar as particulas no mesmo estado (3 estados, 2 no qual as partículas estão no mesmo estado). 

Se você repetir essa brincadeira para mais partículas (3 já dá um trabalho razoável para listar as possibilidades), você vai descobrir que a probabilidade de encontrar as particulas no mesmo estado aumenta com o número de partículas . Luz por exemplo, tem tantos fótons, que a probabilidade é praticamente certa (100%). Esse princípio torna o laser possível mas você sair correndo e atravessar uma parede impossível (melhor dizer improvável). Você é feito de férmions que são distinguíveis um dos outros. A maioria das pessoas tem dificuldade em aceitar que "possível e impossível" é um conceito clássico. Qualquer evento é possível, mas pode ser provável ou improvável. Possível ou impossível são conceitos criados por seres humanos que não existem no mundo físico. 


[3] Bose-Einstein, é só um nome. Porque um físico indiano chamado Bose descobriu a idéia (acidentalmente) e o Einstein ajudou a divulgá-la (ninguém escutou o cara até o Einstein apoiá-lo). 


[4] Massa é uma forma de energia. Lembre-se que E=MC^2. Massa não é a mesma coisa que matéria. Por exemplo, massa aumenta com a velocidade. Próximo da velocidade da luz, um objeto teria massa quase infinita e não "engordaria", a quantidade de matéria continuaria a mesma. Massa é uma propriedade associada com o fenômeno de inércia (uma medida de quão díficil é mudar a velocidade de um objeto, i.e., acelerar, frear... da lei da inércia de Newton). Um fóton é tão material quanto um elétron. A diferença sendo que o fóton não sofre inércia. A idéia fundamental do Campo de Higgs é explicar porque o benedito do fóton não sofre inércia e o electron sofre. 


[5] O modelo padrão fica um pouco mais completo com o Higgs, mas não é um modelo completo da natureza. Falta gravidade por exemplo e mesmo assim tem várias constantes no modelo padrão que foram obtidas puramente através de experimentos e que ninguém sabe calcular teoricamente. 


[6] Nos dias de hoje é possível criar um motor movido a ant-matéria (graças ao Paul Dirac que descobriu a maledeta!). O único problema é que é muito caro. :) O wikipedia diz o seguinte: "$250 million could produce 10 milligrams of positrons". É mais problema de engenharia do que de física. :) 

Mais sobre o Bóson de Higgs: 
http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=what-exactly-is-the-higgs&page=3 

http://www.popsci.com/science/article/2010-11/lhc-researchers-glimpse-primordial-soup-universe-first-time

http://press.web.cern.ch/press/PressReleases/Releases2011/PR25.11E.html 

sábado, 17 de dezembro de 2011

Finais Felizes são Perigosos

Quando assisto filmes em que nos primeiros dez minutos percebo que tudo vai acabar bem, acabo me desmotivando em continuar assistindo. Não porque não goste de finais felizes, mas porque não acredito neles. Também não sou amargurado, mas sim tendencioso a não achar que tudo vai sempre bem, ou que nunca temos (ou deveríamos ter) contratempos. De uns tempos para cá comecei uma auto-análise sobre o que significa termos problemas para resolver, e quando nem sempre o planejado acontece como gostaríamos. Isso tudo envolve a fecilidade, uma utopia perseguida por todo ser humano. A felicidade é um estado momentâneo, normalmente curto e passageiro, e a maior parte da vida é composta de tédio, ou rotina. Por isso talvez a felicidade, ou o estado de estar feliz é tão importante e tão almejado. Seria como o orgasmo, que dura pouco mas é o mais desejado pelos casais. Se a felicidade fosse abundante, perderia sua propriedade de rara e perseguida, e seríamos diferentes, buscando o tédio e a rotina. 

Os filmes que terminam com “e viveram felizes para sempre” me dão uma certa angústia de perceber quanta ilusão foi incutida em quem consumiu aquilo sem fazer uma análise mais profunda. Hoje, após um grande tempo de reclamações da vida, percebo aos poucos que essa mesma vida é composta de todo tipo de sentimento, e saber vivê-los em seu momento certo parece ser o segredo de ser feliz. Perceba que ser feliz não é ter felicidade o tempo todo. Não é chegar “no fim” e perceber que tudo valeu a pena. Na verdade, que fim é esse, se não sabemos quando iremos morrer? Muitos casais se frustram e se separam porque tinham na cabeça o “e viveram felizes para sempre”, mas a vida real é bem diferente disso, e todos os dias temos momentos diferenciados. Quem busca a felicidade normalmente não a encontra, e se decepciona ainda mais. Principalmente as pessoas que buscam a felicidade nas coisas, na posse, inclusive posse de outras pessoas. Essas são as mais infelizes, pois cada vez amargurando-se mais, vão compulsoriamente adquirindo e se esquecendo de usufruir o que tem. 

Não sei se existe uma fórmula mágica de felicidade, como todo livro de auto-ajuda pretende propor, pois para mim a felicidade é algo muito particular, e o que é bom para um pode ser terror para outro. Claro que pode existir uma base humana comum de entendimento do que é ser feliz, como uma esposa ou marido que amamos, ter filhos, caminhar na praia, etc, mas a sua cabeça é a grande produtora da felicidade, cientificamente falando. A irritabilidade vem quando algo não se adequa ao que pensamos ser a fórmula da felicidade, mas encarar aquilo que nos irrita como mais uma emoção, e saber que é para o bem que aquilo está lá, pois de alguma forma valoriza o estado feliz que tivemos ou teremos.

Voltando aos filmes ou livros com finais felizes, percebo não gostar dos filmes em que tudo dá certo. Para mim é necessário que as coisas não sejam tão planejadas assim. Claro que pode calhar de dar tudo certo, mas não necessariamente isso tem que ocorrer para que eu goste da história. A minha necessidade é ver como cada personagem lida com a situação, qual a lição que se aprende com aquilo, e se posso tirar alguma coisa do roteiro. Filmes de romance e livros infanto-juvenis são para mim um elemento não só chato como perigoso, que impõe um padrão “certo” nas coisas, e frusta quem acredita naquilo. 

O povo brasileiro é sempre apontado como um povo feliz, apesar das diversidades do dia a dia. Observe agora nossa cultura, folclore e histórias infantis, que são totalmente avessas a finais felizes. Exemplo: As cantigas infantis sempre acabam em desgraça. É o gato que atirei o pau e o bicho berrou, é o soldado de papél que pegou fogo no quartel, ou a dona aranha que tomou um capote na chuva. É sempre desgraça. O boi da cara preta que vem acabar com a raça de quem tem medo de careta, ou o anel de vidro que se quebra na cirandinha, ou até mesmo o cravo que brigou com a dona rosa. É a menina que viu um cara na rua de terno branco, chapéu de lado, imaginou ele como seu namorado e o camarada entra e dá uma cusparada no chão. Perdeu, playboy. Pelo menos na minha época de infância não salvava uma cantiga que fosse. Era só desgraceira. O folclore nosso também é repleto de coisas ruins, como saci pererê, mula-sem-cabeça, currupira, e uma série de elementos assustadores. Tem até a Cuca, e até hoje tenho medo daquele jacaré de peruca loira. Agora vamos analisar os países desenvolvidos, que mostram as cantigas felizes, a bela adormecida que encontra o príncipe, a branca de neve que ressussita, o bambi, o coelhinho enfim... Tudo dá certo por lá, mas o povo é infeliz e consome tudo que vê pela frente para buscar essa felicidade nas coisas. Índice de suicídio alto, atiradores nas escolas, serial killers, e uma série de perturbados que talvez acharam que a vida era igual aos filmes que assistiram quando crianças. 

A coisa aqui é diferente de lá, e aprendemos desde cedo que contar coisas ruins às crianças não as tornam infelizes, mas pelo contrário, geram um sentimento de querer ser diferente e buscar a lição de não gritar “é o lobo” se não for o lobo. Por isso que para mim é preciso uma alta dose de complicações e nem sempre finais felizes, para darmos o valor à algumas das outras coisas que passaram desapercebidas na vida. Assistir, por exemplo, “Amores Brutos”, do diretor Alejandro González Iñárritu (com história de Guillermo Arriaga) é um bom exemplo que o filme não é sobre gostar do sofrimento, mas olhar para àquilo e entender a expectativa de cada personagem. Um filme lindíssimo quando se vê por essa ótica. Mas é um porre para quem busca a Cinderela. Óbvio que me divirto com filmes de romance em alguns casos, ou uma boa comédia, mas minhas preferências não são essas. Acredito que a felicidade vem me visitar com mais frequência quando não percebo sua chegada.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Developeronomics

Bem vindo ao novo mundo! Desde 29 de outubro de 1969 às 22:30 está no ar a Internet (que se chamva na época ARPANET). Com ela, uma revolução em diversas áreas, desde pesquisas científicas até a própria ficção científica, que ganha realidade. Dentro dessa revolução em andamento surge uma novidade: O investimento em desenvolvedores de software, ou o início da Developeronomics. Esse termo li num artigo da Forbes escrito por Venkatesh Rao, que cita o investimento mais certo que as empresas deveriam fazer, que seria em um capital humano específico: Os desenvolvedores de software. 

Relacionado a esse tema, um outro artigo que li dessa mesma revista, chamado “Now Every Company Is A Software Company” (Agora toda empresa é uma empresa de software), mostra que (como o nome diz) as empresas, independente de serem industriais, são também empresas de software, e negar esse fato complica muito as coisas para a companhia. Pegando o exemplo da Ford, o artigo diz que a preocupação da Ford não é mais fazer carros, mas sim produzir “sofisticados computadores sobre rodas”, com softwares avançados e alta tecnologia embutidas num carro. Essa é a tendência, e não é uma moda passageira. Chegamos a um ponto em que o produto é medido de acordo com a tecnologia inteligente que ele oferece, seja na sua produção ou embutidas no próprio produto. Um outro exemplo é a FedEx, onde a informação do pacote é tão importante quanto o próprio pacote, e esta empresa emprega centenas de desenvolvedores que constroem seus programas para tal fim. Controle, acesso, informação, análise e velocidade são as palavras mais usadas nas empresas hoje, e todas dependem de software. Software, caso não saiba nosso leitor (que seria uma vergonha, mas vai saber né?), pode ser explicada facilmente com a piadinha infame: É a parte que a gente xinga. Hardware é a parte que a gente chuta. Software são os programas, que funcionam nos hardwares, que podem ser computadores, celulares, tablets, geladeiras, etc. 

Eu, como desenvolvedor, fiquei contente em ler a matéria da Forbes, pois tenho emprego garantido por um bom tempo, serei mais valorizado conforme o tempo passa e talvez não serei chamado de peão de luxo, como a maioria vê hoje os desenvolvedores (também chamados de programadores). Vi isso quando recentemente troquei de emprego. Resolvi sair do meu emprego e arrumei outros três em  uma semana. Pude escolher o que achei melhor. Isso prova que o Brasil está caçando profissionais qualificados em desenvolvimento de software, e, fazendo parte do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é agora a bola da vez, ganhando cada vez mais espaço no mercado de software mundial. 

Um amigo até comentou que em pouco tempo os programas serão desenvolvidos por Inteligência Artificial, não sendo mais necessário a alocação do profissional humano, mas acho que isso é muita ficção científica pro meu gosto. Como comentei com ele, imagina um DESC (demente especificador de software comum) especificando algo para que a Inteligência Artificial faça seu trabalho. Normalmente os DESC's não sabem o que querem, logo, teremos que dotar de consciência o computador, para interpretar o que o DESC realmente precisa. Acredito que não seja tão simples como o carro que dirige sozinho do Google, e vai levar um bom tempo que provavelmente não estarei mais por aqui quando acontecer. 

Talvez para quem não está no meio tecnológico não sinta tanto ou talvez não ache que essa movimentação está realmente acontecendo, mas claramente percebemos a revolução, inclusive no Brasil, que carece de mão de obra qualificada. Veja que temos gente desempregada e temos vagas abertas, porém a grande maioria das pessoas não conseguem preencher os requisitos mínimos para as posições que o emprego exige. Isso é triste, e mais triste ainda é não fazer nada, como nosso belíssimo se-faz-de-morto governo e nosso pacato povo brasileiro, que finge que não é com ele (Armless John). Profissões como advogado, médico, engenheiro, arquiteto, e outras seculares estão se adequando ao novo mundo. Hoje um médico dificilmente prescreve algum medicamento sem um exame computadorizado (tirando os pronto-socorros, onde só vão pessoas que estão com virose ou stress), ou um advogado que hoje pesquisa seus casos usando o computador. Enfim, todos precisam dos softwares adequados para seu trabalho, e não saber manejar esse software coloca em risco a realocação desse profissional no mercado de trabalho. O analfabetismo digital é preocupante, e infelizmente não há muita esperança para quem não maneja um software de sua profissão. Incentivo quem quer ser um programador, como no meu teste vocacional elaborado que postei aqui, e ainda acho que essa profissão é um excelente negócio, mas tem que passar no teste, caso contrário, esqueça.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Cem

E cheguei ao centésimo post desse meu blog! Quando comecei a escrever nele um dia depois de meu aniversário, em 2008, influenciado pelos amigos de meu antigo trabalho, não imaginava que iria chegar a cem posts. Depois de um tempo coloquei na cabeça que chegaria ao número 100 e não iria escrever mais, pois tenho pouco tempo para isso. Bem, não sei se vou dar um tempo ou parar de vez, mas certamente não tenho muita esperança de dar continuidade aos textos, mesmo porque o público daqui é bem pouco e meu tempo também é bem curto, e blog que não tem atualização frequente morre, eu sei. Venho diminuindo a frequência dos textos porque estou cada vez mais ocupado.

Uma coisa interessante que notei foi os post que achei que dariam um grande número de visitas não foram vistos e os que escrevi por escrever tiveram algumas estatísticas surpreendentes. Em primeiro lugar de visualização desse blog está o texto "Um pouco mais brasileiro", em que escrevi o hino nacional na linguagem de hoje. Me impressionou a quantidade de visualizações. Seguido de perto em número de visitas vem o texto "Uva-passa", em que expressei meu descontentamento sobre essa porcaria. Alguns outros também mantêm um bom número de visualizações, como "Maria-mole", "Superlativos" e "Você tem vocação para ser programador?", que possuem um tom mais cômico que os demais textos. 

Cheguei até a criar uma polêmica quando publiquei minha crítica do livro "Encontro com Rama", e depois me justifiquei no texto "Fast-thinking", mas alguns até me ofenderam nos comentários (que removi), não entendendo que é MINHA opinião do MEU blog, ora pois. 

Apesar do nome "Genuflexo", que insisto não foi a primeira escolha, não tive intenção de criar um blog religioso de alguma forma, porém publiquei sim esses textos, pois publico o que acredito. 

De qualquer forma quero agradecer aos poucos leitores assíduos deste blog e dizer meu muito obrigado pela paciência. Não esperava ganhar nada com isso, nem mesmo algum público, mas quando temos pessoas que se interessam pelo que escrevemos, mesmo que para criticar, é sempre gratificante.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Absurdos da Bíblia

Um colega me pediu explicações sobre alguns textos que leu em um fórum na internet. Esse tal fórum tinha como título "Verdadeiros absurdos da Bíblia". Basicamente o texto fala sobre a escravidão sendo permitida por Deus e a submissão da mulher perante o homem. Todo o texto e os comentários do site tem tom irônico, e a procedência das pesquisas é duvidosa, mas deixando isso de lado, vou me atentar apenas aos textos bíblicos colocados lá, analisando o seu contexto, como forma de resposta a meu colega. 

Para construir esse texto pedi ajuda a um grande amigo, que me auxiliou na coerência e nas correções de minhas informações, além de apontar outros exemplos, como nos pontos de um a quatro abaixo. Fica aqui meu muito obrigado. 

A democracia aparece primeiro na Grécia antiga, nos pensamentos filosóficos e políticos em 500 A.C., na cidade de Atenas. Platão escreveu sobre a democracia como sendo um sistema “governado pelo governo”, sendo alternativa para a monarquia (governado por um), oligarquia (governado pela riqueza) e timocracia (governado por uma elite que valoriza a honra em detrimento à riqueza). Embora o Império Romano tenha contribuido significantemente para certos aspectos da democracia moderna, apenas uma minoria de romanos eram de fato cidadã, com direito ao voto. Mas e a Bíblia? Qual a posição de Deus em relação à forma de “governo” do povo? Parece que em Levítico existe se não um apoio, mas também uma conformidade em relação à escravidão, e vemos muitos fóruns na internet que costumam colocar um versículo ou outro como “absurdos”, “atrocidades”, e outros adjetivos que questionam Deus como sendo amor, bom, ou justo. 

De acordo com John Murray [1], a escravidão seria “a propriedade do homem sobre o trabalho de outro”. Algumas propriedades são legítimas, como por exemplo um devedor trabalhar para pagar seu credor, ou o empregador, que tem a propriedade do trabalho de seus funcionários. Se outro tem propriedade sobre nosso trabalho, somos de certa forma escravos, pois não podemos abortar o trabalho a nosso bel-prazer após firmado um contrato de trabalho (ou sofreremos consequências disto). Pois bem, a forma colocada na Bíblia como atrocidades, talvez vista na época, não era tão diferente do que passamos hoje em dia, e também temos que nos lembrar que Levítico 25:39 nos diz que o “escravo” tinha que ser tratado com respeito e cuidado. Um hebreu se tornava escravo se vendesse seu trabalho a outro (Lv. 25:39), e poderia se tornar escravo se roubasse (Ex. 22:3). Esse hebreu então era vendido como servo, até que a restituição resignada pela lei fosse cumprida, e passava para seus filhos caso morresse antes. Esses escravos eram libertados a cada sete anos (ano sabático) (Ex. 21:2, Dt. 15:12) se assim desejassem (pois tinham muitos que não desejavam ser libertos, e furavam a orelha para demonstrar isso), e no ano do Jubileu (a cada 50 anos) todos os escravos, hebreus ou não, eram libertos, tendo pago ou não sua dívida. Um estudo mais elaborado que esse pode ser encontrado no texto de Rousas John Rushdoony entitulado “O Retorno à Escravidão”, nesse link.  

Nesse texto supra citado de Rushdoony, vemos que a escravidão na forma bíblica era um serviço obrigatório, não muito diferente do que vemos hoje em dia com nosso trabalho, em que temos direitos e deveres, assim como antigamente, nas leis do pentateuco. A confusão que se faz com a escravidão que houve no Brasil e em outros locais do mundo com os negros sendo moeda de pagamento de suas tribos na África passa longe do modelo de “escravidão” bíblica, motivo esse de grandes confusões e possíveis “atrocidades” mentais, como esses mais carentes de conhecimento a chamam, pegando-se versículos soltos aqui e acolá sem um estudo ou um contexto adequado, tentando-se colocar uma pseudo-opinião desqualificadora do texto sagrado apenas "porque sim". 

Um outro ponto que é motivo de alarde de causadores de confusão é a submissão das mulheres aos seus maridos. Algo que deve-se entender de antemão é que a mulher não é inferior ao homem segundo os princípios bíblicos, como muitos tentam afirmar sem saber. O que se defende nas escrituras é a submissão, e não à escravidão, ou inferioridade. Jesus foi submisso a Deus quando morreu na cruz, e nem por isso deixou de ser Deus, ou ter menor importância na Trindade. O trabalhador deve ser submisso à seu patrão, obedecendo o que esse lhe obriga quanto ao trabalho a ser desempenhado, como ao Senhor (Rm. 13:5), e não é menor pessoa quanto a seu chefe; aliás, a cosmovisão protestante/reformada tem muito a dizer sobre “vocação”. Submissão não é sinônimo de escravidão, nem é sinônimo de maus tratos, como prega-se por aí àqueles que insistem que a Bíblia é um livro de, novamente, “atrocidades” ou “absurdos”. 

A Bíblia mostra alguns pontos importantes: 

1. Deus criou para o homem uma companheira idônea (Gn. 2:18-24), e não uma escrava. Infelizmente, o pecado indiscutivelmente corrompe todas as relações humanas, incluindo esta, mas o cristão redimido olha sempre para as Escrituras à fim de ver o sentido de Deus para todas as coisas, novamente, incluindo esta. 

2. A Bíblia afirma a mulher não tem controle sobre o seu próprio corpo em relação ao homem da mesma forma que o homem não tem controle sobre o seu próprio corpo em relação à mulher, ou seja, um é do outro, dentro do casamento (1 Co. 7:4-5); 

3. Ao longo do século 20, palavras como “hierarquia” assimilaram uma conotação negativa, mas a Bíblia apresenta sim definições de papel, ou mesmo hierarquia. Em termos de “papéis”, Deus Único se manifesta Trinitariamente, em 3 Pessoas distintas com papéis diferentes (foi o Filho quem Se encarnou e morreu na Cruz, e não o Pai ou o Espiríto Santo). De forma semelhante, havia uma espécie de hierarquia na Igreja Primitiva. Assim sendo, a Bíblia apresenta o homem como cabeça da mulher assim como Cristo é o Cabeça, da Igreja e da Família, representada pelo seu “chefe”, o homem (1 Co. 11:3). 

4. A Bíblia afirma que a mulher deve ser submissa ao homem, e apesar de não falar que o homem deva ser submisso à mulher, a Palavra fala algo muito mais sério e profundo: o homem deve amar a sua mulher como Cristo amou a sua Igreja (Ef. 5:25). E como Cristo amou a sua Igreja? Dando a vida por ela. Note bem que as Escrituras não “exigem” isso da mulher, mas do homem. 

A Bíblia é um livro conciso, justo, com uma única história: Anunciar a Salvação e Redenção em Cristo Jesus. A Bíblia mostra a realidade da aproximação de Deus com seu povo, e também mostra as inúmeras besteiras que esse povo fez durantes as alianças. A vinda de Cristo como forma de revelação acaba com rituais cerimonias que apontavam para Ele mesmo, e mantém a moral pois, obviamente, “não roubarás” vale tanto para o antigo testamento quanto para o novo testamento. Os mandamentos morais continuam valendo, e a forma de governo é alterada conforme o tempo passa, com coisas “absurdas” hoje que talvez não fossem tão absurdas antes. E o Cristianismo não é uma forma de governo, à propósito, como o Islamismo, pois Jesus afirmou em João 18:36 que seu reino não era desse mundo. 

Os rituais cerimonias são cumpridos em Jesus, e sua palavra reforça mais ainda as leis de Deus. Se somos salvos devemos à nossa fé (sem provas) que Jesus veio por nós. Mas isso hoje em dia é absurdo. Foi também absurdo na época de Jesus, por isso penduraram-o num madeiro até a morte. Assim como que, ao proclamarmos hoje a mensagem do Evangelho, também estamos sujeitos à perseguições e represálias, mesmo que de outras formas diferentes quanto na época de Sua vinda. 

----
[1] De acordo com o site Monergismo, " O Professor John Murray nasceu na Escócia, em 1898, e era, no tempo desta escrita, um cidadão Inglês. Ele se graduou na Universidade de Glasgow (1923) e no Seminário Teológico de Princeton (1927), e estudou na Universidade de Edimburgo durante 1928 e 1929. Em 1929-1930 ele serviu como professor no Seminário Teológico de Princeton. Posteriormente ele ensinou no Seminário Teológico de Westminster, na Filadélfia, onde ele serviu como Professor de Teologia Sistemática, de 1930-1966. Ele foi um freqüente contribuidor de jornais teológicos e é o autor de: O Batismo Cristão (1952), Divórcio (1953), Redenção Consumada e Aplicada (1955), Princípios de Conduta (1957), A Imputação do Pecado de Adão (1960), Calvino sobre as Escrituras e a Soberania Divina (1960), A Epístola aos Romanos , Vol I, Capítulos I-VIII (1960) e A Expiação (1976 - publicado após a sua morte). Em 8 de Março de 1975, o Professor John Murray entrou no descanso do seu Senhor. "

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O Símbolo Cristão

Já soube de pessoas que foram para o Chile e depois que chegaram aqui colaram no carro um adesivo em forma de elipse com as letras CH. O problema é que CH não é Chile, mas Suíça, pois vem de Confœderatio Helvetica, o nome da Suíça. Inclusive a fonte Helvetica do seu computador vem desse país, desenvolvida em 1957 pelo suíço Max Miedinger.

Um outro símbolo que vejo que muita gente tem em seus carros é um com a interseção de dois arcos de maneira a formar um peixe. Pouca gente sabe o que significa (de fato). Esse símbolo vem das perseguições cristãs pelos Romanos, no primeiro século, em que os cristãos para se identificarem como tal criaram um código secreto. Quando um cristão se deparava com um estranho na estrada, o crente algumas vezes desenhava um arco na terra. Se o estranho completasse o segundo arco de maneira a formar o símbolo do peixe, era sabido que estavam em boa companhia e podiam confiar um no outro (Fonte:Christianity Today, Elesha Coffman, "Ask the Editors").

Esse peixe veio da palavra grega ichthys, que significa “peixes” e é um acrônimo para “Iēsous Christos, Theou Yios, Sōtēr”, ou seja, Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador. Outro símbolo usado pelos primeiros cristãos foi um círculo dividido em oito pedaços, como uma pizza, que seriam as letras acima Iota, Chi, Theta, Ypsilon e Sigma da palavra ichthys (ΙΧΘΥΣ) sobrepostas, significando o mesmo que você acabou de ler.


É sabido que os símbolos são usados para identificarem uma ideia, seja a própria letra que combinada com outras forma uma palavra, ou um símbolo que expressa uma ideia mais ampla, como os ideogramas japoneses, ou nesse caso, o peixe. A ideia aqui é representar a cristandade, os que creem no salvador único, mas parece que hoje em dia perdeu-se muito o entendimento que Cristo representa, e num mundo politicamente correto aceita-se tudo, menos o cristianismo. O fundamento do cristianismo é Cristo. Cristo é o único caminho possível para quem acredita no cristianismo, sobre salvação, vida eterna, vida pós morte, encontro com Deus, etc. Não há outro caminho, nem outra maneira. Não há obras que justifique, nem santo que dê jeito, nem macumba, nem simpatia, muito menos pedras mágicas, runas, energia, pensamento positivo, segredo, virgem, trabalhos, guias, estátuas, patuás, semente, planta, ou qualquer outro símbolo.

O cristianismo nos dias atuais foi distorcido para acomodar um pensamento, como já disse, politicamente correto, e bem cômodo, sem desagradar ninguém. Porém, ser cristão não é fácil. Ser cristão não te dá bens materiais. Nem cura câncer. Nem nenhuma promessa que não a salvação de sua alma quando você for dessa para uma melhor (embora possam ocorrer milagres, possam ocorrer curas, e te dar dinheiro, etc, mas não significa que necessariamente vai ocorrer). Entretanto, Jesus disse em Mateus 6:33 “Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas”. Essas coisas que Jesus menciona são as coisas mundanas, como o que vestir, o que comer, o que beber, etc. Se você busca o Reino de Deus e o que isso significa, o resto é resto, e nada mais importa tanto assim, nem mesmo o futuro.

Enquanto isso no Facebook, um monte de gente colocando frases sem saber o que estão dizendo. Que Deus vai ter dar isso, vai te curar daquilo, vai te arrumar aquele outro, venha agora e consiga seu emprego, etc. Isso não é cristianismo, é macumba. É outra religião que crê em outras coisas que não a Bíblia Sagrada, e o símbolo do peixe não faz o menor sentido nisso. Deus não te deve nada. Por isso, ficar sem comer carne em promessa não significa nada. Aliás, promessa não significa nada, pois Jesus é a própria promessa cumprida. Obras não significam nada. A única coisa que significa algo (para o cristão) é isso: Crer que Jesus, o Cristo, que veio à Terra encarnado, que Ele é Deus, Único, Suficiente, parte da Santa Trindade (Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito-Santo), para que fosse o (único e suficiente) caminho de salvação (ou seja, você não se salva sozinho), e que ressussitou em corpo, voltando para os céus ao lado de Deus-Pai, deixando para a gente o Seu Espírito-Santo e a promessa de salvação para todo aquele que Nele crer. Esse pensamento é sim suficiente para te garantir a vida eterna. Nada mais. Porém, existe aí uma ressalva, e talvez motivo de tantas confusões.

Após crer em Jesus, você é modificado como pessoa. Seus pontos de vista mudam. Seus valores mudam. Consequentemente sua vida muda. Coisas que você fazia, não vai querer fazer mais (embora você vai continuar fazendo, sem dúvida nenhuma) e coisas que não fazia, ou fingia que não era contigo, vão te incomodar, a tal ponto que você vai fazer, ou sentir um desejo enorme de fazer. Sua vida será plena com Cristo, porém não vai ser mole. A boa notícia é que basta crer para ir pro Céu. A má é que sua consciência vai te dar algumas ordens, e isso envolverá ações, muitas delas contra sua vontade. E já explicando a Santa-Trindade, de como três podem ser um, gostei do exemplo de um escritor/pastor chamado Benny Hinn, dizendo que a Trindade pode ser explicada fazendo uma alusão simplista com o sol: O sol é único, mas possui calor e luz. O sol seria Deus, a sua luz Jesus e seu calor o Espírito-Santo.

Como disse, respeito todos que acreditam em coisas diferentes, ou não acreditam em nada de sobrenatural, porém se você se diz cristão e crê em mais alguma outra coisa além de Cristo, talvez você esteja queimando vela com santo ruim.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Quem é Knewton?

“O acervo de livros disponíveis em acervos de bibliotecas e pontos de leitura municipais por habitante com 15 anos ou mais vem diminuindo desde 2006 ”. Essa notícia veio do site Nossa São Paulo, uma espécie de comunidade paulistana sem fins lucrativos, indicando que da média de 2 livros por habitante recomendado pela Unesco, São Paulo possui apenas 0,22 livros disponíveis por habitante na maioria dos 96 distritos analisados. Já não é novidade que os brasileiros não leem como deveriam, mas acredito que essa tendência de baixo índice de leitura de livros não seja exclusiva nossa. Com a vinda da internet e a grande disponibilidade de notícias, ler um livro do começo ao fim vem sendo cada vez mais difícil. Como citei em posts anteriores, o livro The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains, de Nicholas Carr, propõe que o uso da Internet desvincula o cérebro da atenção necessária para se ler um livro, ou fazer alguma atividade que requer atenção exclusiva e dedicada. Nosso cérebro já foi adequado para um mundo dinâmico, onde as informações chegam e vão rapidamente. Se é bom ou ruim, só o tempo dirá, mas não temos mais a capacidade de atenção de antigamente. Porém, assim como o mundo se moderniza, os livros também se modernizam. O livro digital é uma forma de disponibilidade maior de acervo literário, e também se a internet ajuda a nos tornarmos estúpidos, também oferece conteúdo educativo de qualidade, como a KhanAcademy, o Google Art, a Enciclopédia Britânica, e mais recentemente o Knewton . Esse último me chamou a atenção e é o motivo desse post. 

O Knewton é um projeto que combina textos, multimídia e conteúdo personalizado em prol da boa educação do aluno, tornando o hábito de aprender uma atividade divertida. A grande vantagem do Knewton e de sua plataforma de aprendizado adaptativo é a capacidade de iteratividade. Através de exercícios e questionários o programa “aprende” os pontos fortes e pontos fracos de cada estudante, ajustando o material de aprendizado em tempo real. Em vez de oferecer um conteúdo igual a todos, a tecnologia do Knewton molda o material a fim de que cada estudante receba uma educação personalizada que atenda a necessidade individual de cada um. Imagine o seguinte: Após analisar os pontos fortes e fracos de um estudante em particular, o programa determina se vai apresentar o próximo conceito em forma de texto, vídeo, exercícios interativos ou vídeo game! Ele pode apresentar um resumo da matéria ou uma explicação mais detalhada, de acordo com o interesse do aluno. O programa ainda pode sugerir parceiros de estudo em classes que possuem estilos de estudo semelhantes. Algumas universidades americanas já estão usando o programa, como a Universidade Penn State, a Universidade do Arizona, a Mount St. Mary, Universidade de Nevada e a Universidade de Washington. Existe um vídeo em inglês que dá uma noção de como é aprender com o Knewton, no meio dessa página, de onde tirei o material desse post, e explica como o programa ajuda no desenvolvimento do aprendizado, inclusive fazendo com que os pais participem mais de perto na educação de seus filhos (e até pelo smart phone). Esse tipo de educação me lembra vagamente a proposta de Jean Jacques Rousseau, filósofo francês que discorreu sobre uma educação conhecida hoje como “consequencia natural”, cuja criança poderia ter um tutor que lhe ensinasse por meio de experiências as consequencias de seus atos. O Knewton pode ser esse tutor, que escolhe o que deve ser mostrado ou não à criança, de acordo com sua aptidão e interesse. 

Enfim, achei a ideia fantástica e espero que o aporte de 33 milhões de dólares que o programa recebeu recentemente faça com que a ideia de uma educação personalizada seja solidificada como uma boa maneira de ensino.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Lições que espero aprender de Steve Jobs

No dia 05 de Outubro de 2011 o mundo perdeu uma das grandes mentes inovadoras de todos os tempos, Steve Jobs. Não pretendo escrever aqui sua trajetória, pois acredito que você tenha lido em diversos sites sobre isso, mas gostaria de comentar o motivo que considero Jobs um gênio.

Ele não inventou quase nada, somente olhou de uma forma diferente para o que já existia. Inventar é uma palavra interessante, já que a grande maioria das coisas são ideias melhoradas de outras. Quando um cientista faz uma descoberta, muitas vezes ainda não está certo de como aquilo será útil, mas abre espaço para que pessoas criativas peguem aquela informação e montem um uso inteligente para aquilo. Vemos isso principalmente no campo da matemática e filosofia, já que são abstrações sem muita prática em si, mas lideram as grandes mudanças na humanidade quando utilizadas inteligentemente em algo específico. Jobs vislumbrou um futuro em que as pessoas teriam computadores pessoais em casa, copiando muitas coisas da Xerox, inclusive o mouse. O detalhe é que a Xerox inventou o mouse e não tinha a menor ideia da utilidade daquilo. Não via o mouse como uma grande coisa. Steve Jobs conseguiu entender que aquilo era sim uma grande ideia, e aplicou o conceito em um computador pessoal. Ele tinha essa capacidade, de olhar algo aparentemente sem importância para a maioria e criar uma necessidade. Isso é o gênio do negócio. Via o que ninguém via. Ele não fez uma fórmula que mudou o mundo, nem descobriu alguma partícula fundamental, tampouco postulou teorias astronômicas, mas conseguiu visualizar as facilidades que uma tecnologia poderia agregar para a maioria. Enquanto uns resolviam complicar, Jobs simplificava. 

Alguns acusaram (e acusam até hoje) que os usuários da Apple são burros, mas a grande verdade é que os usuários Apple gostam das facilidades que os produtos proporcionam. Comecei a usar o iMac há alguns anos, e recentemente comprei um notebook com Windows 7 para jogos. Ali pude perceber quão diferente é um produto Apple. A empresa se preocupa com o usuário final, em fazer algo fácil, rápido e principalmente que funciona, sem ter que recorrer a fóruns de internet para poder instalar um driver, por exemplo. No Mac você clica e tudo funciona. Simples assim. Não sei os motivos que levam uma pessoa comprar um celular e ter que ficar semanas instalando sistemas operacionais, testando um que funcione, dias e dias perdidos configurando funcionalidades básicas. Eu gosto de facilidades. Não quero perder tempo com o básico.  Era isso que a mente de Steve Jobs queria, a união da funcionalidade com o design, a possibilidade de qualquer um manejar um computador, e não só Nerds e Geeks. Era um apaixonado pela tecnologia, e os benefícios que essa poderia trazer para a maioria, e não para os “espertos”, termo que não concordo muito, mas não é esse o assunto aqui. 

Aprendi também que o usuário não sabe o que quer, e você tem a responsabilidade de apresentar algo a ele que nem mesmo ele sabe, proporcionando melhorias não vislumbradas. Quando Henry Ford perguntou às pessoas o que elas queriam, teve como resposta “Um cavalo que ande mais rápido”, mas acabou por desenvolver um automóvel mais barato, leve, que qualquer um poderia ter, e não somente os ricos. Hoje, lembramos mais de Ford do que Ferdinand Verbiest, responsável pela invenção do automóvel em 1672. 

Quando era criança, meu sonho era ser cientista e inventar coisas. Hoje, espero dar novos usos a coisas existentes, mudar o foco, facilitar, inovar, tornar a vida de alguém mais prática, seja desenvolvendo um programa de computador ou incutindo uma nova maneira de olhar para algo. Na vida nada se cria, tudo se copia, mas tem que copiar direito, e é aí que mora o segredo do sucesso.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Quiz para um trânsito melhor

Se você tirou a carteira de habilitação recentemente ou a perdeu recentemente, aqui vai um quiz para evitar alguns acidentes (e assassinatos) no trânsito. 

Quando você “tira a carta”, na maioria das vezes você é inexperiente. Se você não teve um pai que desde pequeno te deu dicas preciosas de direção, provavelmente vai acabar aprendendo isso na prática. Uns morrem, outros aprendem e outros não aprendem e não morrem (pior tipo). 

Aliás, nunca entendi essa frase “tirar a carta”, pois se antigamente você recebia uma carta dizendo que estava apto, por que então o verbo “tirar”? Será que você tinha antigamente que arrancar a sua permissão de dirigir das mãos de algum maldito que não queria te entregar? Ou será que antigamente o exame de aptidão era muito mais rigoroso, e quem passava realmente tirava à força a carta? 

Bem, enfim, vamos ao questionário e veja se você tem sanidade mental para sair com um carro nas ruas e estradas: 

 1 – Buzina. Serve para : 
a) Ser brinquedo do seu filho em uma tarde de domingo 
b) Ser instrumento de sua covardia, que em vez de sair do carro e ser homem, coloca o dedo na buzina, gesticula e xinga. 
c) Instrumento de prazer sexual 
d) Fazer barulho, tão somente, e deve ser usado em casos extremos, em que você precisa alertar algum infeliz de alguma situação em que este não viu e é muito importante que ele seja avisado. 

 2 – Seta. 
a) A seta é aquela alavanca do seu lado esquerdo (o lado esquerdo é a mão que você não escreve se te disseram que você é destro), que serve para alertar os outros motoristas que você está prestes a virar seu carro para o lado em que a seta está ligada, e nesse caso não é uma curva natural do caminho. 
b) Não serve para nada, pois nunca usei, apesar que quando viro para algum lugar costumo ouvir palavras de afirmação gritadas por outros motoristas
c) Até serve para alguma coisa, mas não me veio à cabeça agora o que é 

3 – Curva. 
a) É um momento em que posso e devo virar o volante, mantendo-me na minha faixa. 
b) É um momento em que posso e devo virar o volante, invadindo qualquer faixa que me seja aprazível
c) É um momento em que fecho os olhos e faço uma oração ao bom Deus. 

 4 – Freios. Os freios devem ser utilizados: 
a) Numa subida em que o farol fecha e seu carro precisa ficar parado, não fazendo com que o cara de trás faça uso da Buzina (Item 1) de maneira desnecessária para provar os pontos 1.a e 1.b. 
b) Para freiar o carro na marginal, sem nenhuma alma na sua frente, na faixa da esquerda, do nada (estilo vida lôca) 
c) Matar o colega dormindo no banco de trás do coração, seguido de um grito de pavor, girando o volante para os dois lados, e não está acontecendo nada real, além do coração do camarada no banco de trás que acreditou bastante

5 – Retrovisores. Os retrovisores servem para: 
a) Monitorar meu filho dormindo no banco de trás. Que lindo que ele(a) é, gente! 
b) Ver as pernas da gostosa de saia no banco de trás 
c) Instrumento de beleza facial 
d) Monitorar a parte traseira do meu veículo e verificar os veículos que vem atrás de mim

6 – Uma vez por semana eu tenho que: 
a) Monitorar óleo, água, calibragem dos pneus (inclusive estepe), além de abastecer o carro e observar se existe algo estranho como barulhos ou dirigibilidade diferente. 
b) Abastecer o carro e só, e meu marido que pegue fogo fazendo o resto 
c) Nem abastecer o carro, já que tem um merda que paga minhas contas 

7 – Farol. O farol do seu carro deve: 
a) Iluminar à sua frente, sem atrapalhar os demais motoristas 
b) Atrapalhar os outros motoristas 
c) Não sei bem se meu carro tem isso aí que você está falando, pois sou conhecido como morcegão 

 8 – Faixa de rodagem.
a) Servem para que eu possa me orientar e permanecer dentro dela. Se eu precisar mudar de faixa devo utilizar a Seta (Item 2). 
b) Servem para atrapalhar, pois vivo a vida “lôca” e ninguém me diz onde eu tenho que ficar 
c) Ainda não sei bem o que é isso, mas acho que a Joana fez uma para o namorado dela dizendo que ele estava traindo-a, aquele safado, e pendurou no poste perto de casa. 

 9 – Manutenção.
a) Algo que preciso fazer a cada cinco mil quilômetros rodados para verificar se existe algum problema no veículo, além de trocar o óleo e checar peças de desgaste frequente, como os freios, por exemplo. 
b) Uma vez alguém me falou algo sobre isso, mas não dei atenção porque sou esperto 
c) Pra quê? Tá pensando que meu dinheiro nasce em árvore? Só vejo se o ponteiro da gasolina está bem, quando muito

10 – Estrada. 
a) Algo bem diferente de ruas e avenidas, em que para dirigir lá preciso de muita experiência e habilidade, já que os carros estão rodando em alta velocidade. 
b) Lugar para aprender a dirigir, principalmente ultrapassagens 
c) Local onde costumo dirigir quando bebo 
d) Nome da minha tia que mora em Minas. Ô saudade do bolo de fubá da tia Estrada... 

11 – Luz de neblina. 
a) Usar quando há neblina somente 
b) Ligar a luz de neblina junto com o farol porque acho bonitinho ter um rabinho vermelhinho 
c) Atrapalhar os demais motoristas na cidade com uma luz forte que não faço ideia pra que serve

Pontuação: 
1 - a) -50; b) 0; c) -10; d) 1 
2 - a) 1; b) -10; c) 0; 
3 - a) 1; b) -10; c) -50
4 - a) 1; b) 0; c) -50; 
5 - a) -50; b) 0; c) -10; d) 1 
6 - a) 1; b) 0; c) -50 
7 - a) 1; b) 0; c) -10 
8 - a) 1; b) -10; c) 0 
9 - a) 1; b) -10; c) 0; 
10 - a) 1; b) 0; c) -10; d) -50 
11 – a) 1; b) 0; c) -10 

 Se você fez uma pontuação positiva, que bom, ainda há esperança na humanidade. Se você fez uma pontuação igual a zero, você deveria estar na APAE e não dirigindo. Se você fez uma pontuação negativa, deixe sua placa nos comentários para que se um dia eu te vir nas ruas possa me esconder.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

As mulheres e a programação


Umas das coisas que considero curiosa sobre a área de programação de computadores é a ausência de mulheres. Não sou ignorante o suficiente para acreditar em capacidade cerebral maior de homens em relação às mulheres, logo essa dúvida de um número tão pequeno de mulheres programadoras me chama a atenção. Particularmente, acredito que a maneira em que se trabalha com programação nas empresas hoje em dia está míope. Preza-se muito a capacidade individual do programador, mas nada se exige quanto ao trabalho em grupo.
Recentemente saiu uma pesquisa do Centro de Inteligência Coletiva do M.I.T. (Massachusetts Institute of Technology) indicando que o segredo do sucesso de um grupo que executa várias tarefas diferentes está diretamente relacionado com a presença de mulheres entre seus membros. Assisti o vídeo da entrevista da pesquisadora Anita Williams Wollen, e ela diz que grupos conseguem desempenhar um melhor resultado quando esses indivíduos apresentam sensibilidade social (social sensitivity) elevada. Nesse grupo, os membros são igualmente participativos, diferenciando-se assim de um grupo menos produtivo, quando um único indivíduo fala e os outros apenas ouvem, por exemplo. Assim, a pesquisa conclui que a medida para a eficácia de um grupo está diretamente relacionada com trabalho em grupo em si, e não com o QI individual de seus membros.

Ora, então por que é que quando vamos fazer entrevistas de empregos, na enorme maioria das vezes somos testados somente com provas técnicas? Ou pior, quando entramos para trabalhar na empresa, por que é que as pessoas não podem conversar durante o trabalho, sendo imediatamente desencorajadas pelos seus superiores hierárquicos, que prezam o trabalho individual?

Recentemente na empresa estávamos desenvolvendo uma solução complexa de regras de negócios infindáveis, com diversos "buracos" lógicos que tentávamos evitar. Percebi que alguns problemas eram mais facilmente resolvidos quando conversávamos sobre esses cenários, dando sugestões, ou até mesmo simplesmente falando como achávamos que deveríamos resolver determinada situação. Muitas vezes, apenas falar com a pessoa ao lado já te traz a solução daquilo que se busca, e em alguns casos a pessoa pode ser apenas um ouvinte, e mesmo assim a resposta surge em sua mente. Penso que o trabalho em grupo na área de programação deveria ser incentivado em empresas, e não repelido, como acontece frequentemente. Quando você começa a conversar com seu colega, já vi chefes chegando e perguntando se você já terminou isso ou aquilo, numa clara tentativa de acabar com a "conversa", que para ele é só perda de tempo. Porém sabemos que exatamente o contrário. O grupo é mais inteligente que a soma dos QIs individuais dos membros desse grupo, e isso está sendo provado nessa pesquisa em questão.

Em programação, uma das maiores reclamações dos programadores é o retrabalho. Esse retrabalho normalmente acontece porque os cenários não foram cobertos suficientemente, ou porque algo "quebrou" no código em um pedaço que não foi levado em conta quando estava sendo desenvolvido. Isso poderia ser reduzido substancialmente se as empresas percebessem que a comunicação é sim importante, e um ambiente de trabalho "quieto" é também um ambiente de trabalho fadado à ineficiência.

E onde as mulheres entram nisso tudo? Mulheres são mais dispostas a entenderem a sensibilidade social, que seria algo como perceber o que um indivíduo está sentindo ou querendo dizer naquele momento baseado em suas espressões corporais ou entonação de voz. Mulheres observam mais, e naturalmente prestam mais atenção à detalhes que muitas vezes não percebemos, e isso é um ganho fundamental para a inteligência coletiva, ou Fator-C como é chamada. Por isso, um maior incentivo deveria ser dado às mulheres para adentrarem ao mercado da programação de computadores, criando ambientes descontraídos, pagando-se bem a elas, e incentivando-as nas universidades. Novamente digo que não acredito que as mulheres não tenham capacidade técnica de desempenhar o trabalho de um programador, mas acredito que elas olham tudo aquilo e acham realmente chato demais. E é isso que deve ser mudado.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Você tem vocação para ser Programador?

Para os jovens que estão com dúvidas quanto a profissão a escolher, e estão começando a se enveredar no mundo dos programas de computadores, coloquei abaixo alguns exercícios que poderão te dar uma ideia do que é trabalhar nessa área. Os exercícios tentam simular o ambiente e as tarefas dos programadores no dia a dia. Vamos lá, mãos à obra!

Exercício #1: Trabalhar com as ferramentas oferecidas.
A tarefa do programador é desenvolver programas rápidos, fáceis, baratos, que atendam a todas as especificações dos usuários e sem erros, mas em geral não dispomos de todas as ferramentas para tal. Portanto, para simular seu jogo de cintura, faça o exercício abaixo:

Tarefa: Pregar um quadro em uma parede de concreto.
Ferramentas disponíveis: Um quadro, um prego e um pastel de carne.

Para aumentar o realismo: Peça a sua mãe que te dê vinte chicotadas nas costas todas as vezes que você disser coisas como "É impossível" ou "Não dá pra fazer".
Obs: Não vale tentar engolir o prego em um momento de desespero.

Exercício #2: Trabalho em equipe.
Para aprender a trabalhar em equipe, mesmo com indivíduos difíceis e muitas vezes teimosos, realize a tarefa abaixo:
1 - Arrume seis listas telefônicas do estado de São Paulo (já começa aí a tarefa, já que as listas são complicadas de encontrar hoje em dia, mas sua avó deve ter algumas);
2 - Amarre todas as listas telefônicas num único bloco compacto;
3 - Pegue o trem de Osasco para o Grajaú às 17:00 de uma sexta-feira, na estação Osasco. Fique o mais distante da porta possível. Tente descer em uma estação antes da Santo Amaro (em que todos descem) com todas as listas telefônicas.
Obs: Não vale esfaquear alguém.

Exercício #3: Leitura de emails.
Um programador, além das tarefas diárias de programação e prazos curtos, deve ler todos seus emails recebidos diariamente. Para se acostumar com isso faça a tarefa abaixo:
1 - Compre todos os jornais de domingo;
2 - Compre mais algumas revistas também, pelo menos umas 15;
3 - Leia todos os artigos;
4 - Peça a alguém para lhe perguntar sobre o que você acha do artigo da pessoa tal, sem mencionar nem o artigo, nem onde está e nem do que se trata;

O sucesso dessa tarefa é você lembrar do artigo, responder sua opinião consistente com o mesmo, não fazer cara de ursinho nem desejar nenhum mal à pessoa que te perguntou.

Exercício #4: Fé
Muitas vezes o programador precisa exercer sua capacidade de acreditar no seu próprio código, pois algumas vezes (99%) ele não é testado por falta de tempo. Então vamos simular seu poder da fé.
1 - Compre um frango gordo;
2 - Arranque as penas do frango;
3 - Faça duas asas usando barras de ferro e colando as penas por cima;
4 - Salte pelado do vigésimo andar com as asas nas costas e tente voar;

Objetivo esperado: Voar e não morrer. Desejado: Voar, não morrer, patentear o produto e ficar rico.

Exercício #5: Fazendo o cliente entender o seu problema.
Geralmente o cliente precisa de algo relativamente impossível de ser feito. E normalmente é você quem precisa fazer com que ele entenda isso (e obviamente continuar no seu emprego). Para tal, vamos ao exercício:
1 - Compre um bom livro de física que explique detalhadamente a teoria das cordas;
2 - Leia uma única vez em um único dia;
3 - Explique o a teoria para sua avó, mas você só poderá usar os idiomas Klingon ou Élfico;

Objetivo: Sua avó descobrir o Bóson de Higgs.

Exercício #6: Poder de concentração.
No trabalho não escolhemos as pessoas que sentam ao nosso redor. O trabalho do programador é mental, e exige uma forte concentração nas tarefas exercidas. Para testar seu poder de concentração, faça o exercício abaixo:

1 - Peça pra seu pai colocar como toque de celular aquela música do Calypso em que a Joelma grita na música toda (juro que não quero saber o nome);
2 - Peça pra ele ficar ligando insistentemente para o celular, e coloque o aparelho do seu lado;
3 - Peça à sua mãe ligar para a NET na sua frente, ao mesmo tempo que o celular do seu pai toca, e diga para ela tentar cancelar algum serviço da NET;
4 - Coloque alguma música do Guns n' Roses no YouTube bem alto, e peça pra sua irmã ficar cantando com inglês errado;
4 - Tente memorizar a sequência do Pi pelo menos duzentas casas depois da vírgula.

Objetivo: Recitar o número memorizado em voz alta para um peixinho dourado, e fazê-lo pelo menos prestar atenção.

Exercício #7: Entender o requerimento.
O programador deve ser muito bom em entender o requerimento do cliente. Para que você teste seu poder de entendimento, faça o seguinte:
1 - Tente entender e explicar a origem da vida, do universo e tudo mais.
Desejado: entender a origem da vida, do universo e tudo mais e entender as mulheres.
Obs: Não pode dar como resposta o número 42.

Se você conseguiu se sair bem nas tarefas e gostou bastante do trabalho, então sua vocação é ser programador. Boa Sorte!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Usinas, gares, silos, cais, arranha-céus!

Nesse próximo nove de julho de 2011 teremos um feriado em memória à Revolução Constitucionalista de 1932. Esse movimento armamentista foi uma tentativa paulista de se livrar da ditadura de Getúlio Vargas.

Tudo começa como uma resposta à uma revolução anterior, de 1930, em que Júlio Prestes fora indicado para a presidência do país pelo então presidente (paulista) Washington Luís. Naquela época a república era presidida por membros maçons bacharéis em Direito, e quase todos da Faculdade de Direito de São Paulo. A chamada República Velha (1889 até 1930) revezada entre um presidente mineiro e um presidente paulista. Washington Luís, apoiado por 17 estados, indica Júlio Prestes à presidência, e causa um mal estar na política do café-com-leite, chamada assim devido aos domínios paulista (do café) e mineiro (do leite) junto à presidência do Brasil. Minas Gerais, por conta disso, se une à bancada do Rio Grande do Sul no Congresso, apoiando Getúlio Vargas para presidência, e junta-se também a esse apoio o estado da Paraíba.

Júlio Prestes então ganha a eleição de 1930, motivado também pela crise de 1929 que derrubou os preços do café, vencendo nos 17 estados mais o Distrito Federal. Um grupo de rebeldes da Aliança Liberal (Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba) se revoltam, colocando como desculpa a morte de João Pessoa, que nada teve a ver com movimentos políticos, e dão um golpe militar, derrubando Washington Luís e colocando no poder Getúlio Vargas. Getúlio põe fim à supremacia paulista-mineira no governo federal, instala uma ditadura (suspendendo a Constituição), e impõe uma série de restrições aos estados. Inicia-se então um manifesto de Júlio Prestes (que foi exilado na Europa) e João Alberto da Coluna Prestes contra o atual governo.

Embora Getúlio tentou acalmar os ânimos dos paulistas nomeando Pedro de Toledo como interventor do estado de São Paulo, os paulistas não tinham autonomia para governar o estado. Movido à gigantes comícios e passeatas, Pedro de Toledo, apoiado pelo povo, rompe com o Governo Provisório de Vargas e forma um novo secretariado. No dia 23 de maio de 1932, cinco jovens são mortos por partidários da ditadura no centro de São Paulo: Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza, Antônio Américo Camargo de Andrade e Orlando de Oliveira Alvarenga (o chamado MMDCA).

Surge então uma sociedade secreta usando a sigla MMDC (naquela época o nome de Alvarenga não estava na lista) em homenagem aos jovens mortos, liderada por Aureliano Leite, Joaquim de Abreu Sampaio Vidal, Paulo Nogueira e Prudente de Moraes Neto entre outros. Essa sociedade encabeça o movimento de constitucionalização, iniciado em janeiro de 1932. Nesse movimento, São Paulo acredita ter conseguido apoio de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, entre outros estados. Porém, quando a revolução estourou no dia 9 de julho em 1932, os gaúchos resolveram apoiar Getúlio, e em vez de combater com São Paulo mandou os seus soldados atacarem o estado paulista, junto com Minas Gerais que também ficou do lado do atual governo, traindo assim o movimento. Quarenta mil homens paulistas enfrentaram cem mil soldados do governo.

Em meados de setembro, o estado de São Paulo estava enfraquecido demais para continuar a revolta, e se rendeu em dois de outubro de 1932.

Graças à revolução de 1932 houve no Brasil uma redemocratização. Nas eleições da Assembléia Nacional Constituinte de 1933 a mulher votou pela primeira vez. Isso era uma ameaça ao governo de Getúlio, que para apaziguar os ânimos promulga uma nova constituição em 1934 e cria a Justiça Eleitoral, mudando assim o rumo da política e do país.

São Paulo mostrou que teve coragem de lutar contra uma ditadura opressiva, e apesar de traído e em menor número foi à luta, apoiado pelo povo que saiu às ruas e também contribuiu com doações em ouro para suas tropas. Lembremos desse dia também nas urnas, em resposta à essa palhaçada em que se encontra a política atual, fazendo valer nosso voto consciente, não dando à palhaços, mas a conscientes, se possível.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Jogo dos Tronos

Esse artigo não contém spoiler. Terminei o livro "A Guerra dos Tronos", em que mais uma vez odiei o nome "traduzido"em português, pois em inglês é A Game of Thrones, ou O Jogo dos Tronos, o que faria muito mais sentido. Esse livro, narra uma estória de fantasia, contado de uma maneira brilhante pelo americano George R. R. Martin, que até no nome se "parece" (por pura coincidência) com John R. R. Tolkien. A obra de Martin se difere em muito à do O Senhor dos Anéis, embora inegavelmente carrega suas "homenagens", por assim dizer. Tolkien, ao escrever O Senhor dos Anéis, procurou contar uma história realmente fantasiosa, em um mundo fantástico em que criaturas não humanas existiam, onde a magia era tema central, e havia uma delimitação bem clara entre o bem e o mal. Já Martin em A Guerra dos Tronos narra uma estória de fantasia mais "real", se é que isso seja possível de se dizer, e o bem e o mal coexistem dentro de cada um.

Embora contenha dragões, invernos com duração de 10 anos e magia, Martin procura revelar a estória nua e crua, ou a vida como ela é. A narrativa é muito mais pesada que a de Tolkien, e no que se refere a Martin ser "o novo Tolkien americano", discordo. Embora o livro de Martin conta com elementos de O Senhor dos Anéis, e partilha do mesmo tema, o objetivo aqui é outro. Martin se parece mais com um ativista político, narrando os Sete Reinos com cada governante querendo defender o seu lado, e no meio disso tudo alguém com princípios tendo que conviver com toda essa sujeira. O autor se inspirou no Wars of the Roses, guerra que existiu para conquista do trono inglês, entre 1455 e 1485.

Martin não deixa nada subentendido. É sangue, sexo, palavrões e incesto comendo solto. É verdade que ele escreve bem, mas se tudo isso é realmente necessário não cabe a mim julgar. Particularmente, acredito que o autor coloca cada uma dessas coisas na medida certa para apresentar um mundo igual ao nosso, com espadas no lugar de armas químicas (inventadas) ou terroristas. Existem também referências ao governo americano, cujo rei pode inventar suas verdades a qualquer momento, lembrando muito Sadam Hussein e Bin Laden supostamente mortos (e como diria quem lê gibis, sem corpo não há morte, certo?). Cada personagem é contado com detalhes, e existem motivos para seus comportamentos, sendo bem amarrados com a estória em si, diferente de Harry Potter onde o mal é mal porque sim (e aquele Eragorn me parece ser bobo também). Nesse "jogo"dos tronos, a ambição de cada reino é mostrada sem pudor, e talvez isso não agrade alguns, mas a ideia de Martin é um mundo medieval como o mundo medieval era: sujo, lascivo e negro. Com a promessa da casa dos Stark de "o inverno está chegando", o autor vai introduzindo a estória e todos os nomes, reinos e tramas, com a iminência de um inverno rigoroso pela frente e uma possível guerra a caminho (em que o nome em português faz o favor de estragar logo no título).

Também está saindo no Brasil pelo canal HBO a série do primeiro livro, em 10 capítulos de uma hora cada, que narra, embora apressadamente, todo o conteúdo fiel da primeira obra de Martin. O seriado é muito bem feito, acompanhado pelo próprio autor, com orçamento de 60 milhões de dólares só para a primeira temporada. Já foi fechado a segunda temporada, que contará o segundo livro, A Clash of Kings, que colocaram o "belo"nome de A Fúria dos Reis.

Meu descontentamento com títulos "traduzidos" é tamanha que só estou lendo em português porque ganhei. O título em inglês faz muito mais sentido e explico: O nome é parte de um diálogo da rainha Cersei com Edaard Stark, mão do rei, que para mim é um dos diálogos mais interessantes da obra: "Quando se joga o jogo dos tronos, ganha-se ou morre. Não existe meio-termo."