
domingo, 31 de maio de 2009
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quinta-feira, 28 de maio de 2009
Fundação

Que bom seria se os livros de ficção fossem como essa obra de Isaac Asimov. Fundação é uma série de três livros escritos na década de 50 que contam a história de um futuro bem distante em que a humanidade povoou boa parte da Galáxia e existe um grande Império Galático, sendo este o governo da época. A história de Fundação é a história da queda desse Império e o surgimento de outro. Foi baseado no excelente livro de Edward Gibbon chamado Declínio e Queda do Império Romano. Terminei agora o primeiro livro e achei a obra fantástica. Além de muito atual a história é muito filosófica, passeando pela ciência, religião, dinheiro, política e comportamento. Fiz uma análise sobre a religião do livro e a religião que conhecemos hoje, com as igrejas tanto católica como protestante se aproximando numa tentativa furtiva de substituirem os circos.
No livro, uma trama muito bem feita surpreende de maneira simples de como as decisões são tomadas pelas pessoas em momentos de crise, e como o pensamento culto favorece alguns poucos que o possuem para essas tomadas de decisões. Tudo começa com um cientista chamado Hari Seldon que desenvolve a chamada Psico-história, que seria algo como uma junção da psicologia, sociologia e matemática, possibilitando aplicar determinadas fórmulas entendidas por poucos para traçar um futuro mais provável. Tudo se baseava em estatística e probabilidade aplicada à sociedade, e Hari Seldon traça um plano para que com a inevitável queda do Império Galático, uma era de barbárie, seja encurtada com o acúmulo de conhecimento humano em uma espécie de enciclopédia, dando assim início a Fundação Enciclopédica, com sede em um planeta distante e isolado chamado Terminus. Esse acúmulo de informação evitaria assim que o conhecimento humano fosse perdido nas guerras que viriam a seguir, algo como uma Idade Média que conhecemos. Só o acúmulo de informação levaria o homem a sair desse buraco negro de bestialidade e daria a possibilidade de reerguer a sociedade a patamares aceitáveis de subsistência.
A obra Fundação foi relançada no Brasil, compilada pela editora Aleph num excelente trabalho de encadernação e tradução, já com as alterações feitas por Asimov em 1980, que alterou a obra para dar uma continuidade temporal nos três livros. A obra pode ser comprada aqui. Recomendo a leitura.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
TV Digital

Atualmente as lojas de eletrônicos brasileiras estão fervendo com as vendas de televisores de última geração. O famoso termo “Full HD” é moda e todos estão desvairadamente trocando seus velhos televisores de tubo para acomodar em sua sala a mais nova evolução dos aparelhos de TV. Já caiu na boca do povo Full HD, HDMI, LCD, Som 5.1, Blu-Ray, e todos já sabem o que querem. Mas você já parou para se perguntar o motivo de ter uma TV Full-HD em casa? Vamos esclarecer algumas coisas: Hoje a resolução de uma TV Full-HD é de 1920 x 1080 pixels, isso quer dizer que a quantidade de pontinhos coloridos que formam uma imagem quando aglutinados (pixel) presentes em uma TV Full-HD é de 2.073.600. Numa TV de tubo, comum, temos uma resolução de 400 x 400 linhas, ou seja, 160.000 pixels (em alguns casos chega a 480 linhas, ou 230.400 pontos). Em comparação com a Full-HD temos cerca de 13 vezes a resolução. Bem melhor, certo? Bem, não responda tão rápido assim. Ao levar pra casa essa super TV Full-HD 1080p com HDMI blá, blá, blá, e ligar ela numa NET da vida, vai ter uma qualidade, digamos assim, péssima. O motivo é que a NET (seja lá o plano que for, inclusive a “digital”) tem uma qualidade de imagem compatível com as TV’s de tubo (alguns juram que é melhor), ou cerca de 480 linhas. Quando colocadas numa TV Full-HD é como calçar um sapato de palhaço. A TV com mais linhas tenta acomodar essa imagem inferior e causa uma série de distorções. Vou te dar um exemplo básico. Observe a imagem abaixo:

Agora vamos aumentar a resolução com a mesma imagem:

Observou que a imagem ficou um pouco serrilhada? Isso porque a imagem foi ampliada sem alteração na qualidade, ocorrendo uma distorção. Como se ela fosse esticada, por assim dizer. Bem, não é bem isso que acontece na imagem da Full-HD mas o exemplo serve para você entender. Acontece distorção também quando a TV é Wide screen e a imagem transmitida não é.
Teríamos uma Ferrari para andar em uma estrada esburacada. Não funciona muito bem. Para termos a qualidade de uma Full-HD temos que ter o aparelho de Blu-Ray, ou um Playstation 3 que já possui o Blu-Ray. Aí sim a qualidade é 100% aproveitada, tanto de imagem quanto do som, se (e somente se) for ligada com o cabo HDMI. O Blu-Ray é a evolução do DVD e provavelmente onde você vai assistir seus filmes no ano de 2011.
Para as transmissões de TV a cabo de péssima qualidade das TV pagas, somente alguns canais pagos (e muito bem pagos) transmitem em Full-HD, mas são no máximo meia-dúzia e você vai pagar um plano mínimo de R$ 250,00. Não vale a pena. Para a TV digital brasileira, padrão japonês (não pergunte por que escolheram o japonês mas tem uma conhecidência enorme a Globo ter comprado os aparelhos japoneses meses antes da decisão do governo), a transmissão chega a 1080p, mas tudo depende do adaptador que você comprar, pois alguns são limitados e só chegam a 720p. Para que você tenha os canais abertos em Full-HD você precisa do adaptador digital (caso sua TV não tenha) e uma antena UHF externa. Bem melhor que pagar uma TV a cabo ou satélite, e observe que apenas algumas emissoras e em certos horários transmitem em alta definição. Ainda vamos ter que esperar muito tempo até termos um nível de Japão e Estados Unidos em transmissões de TV.
Outra dúvida que a maioria das pessoas tem é sobre a conversão de filmes antigos em Blu-Ray, se perderia a qualidade. Os filmes que foram filmados em 35mm (quase todos a partir do começo do século XX) podem ser resolvidos em uma resolução de 4096x3072, ou seja, o dobro do Blu-Ray. Portanto, não há perda de qualidade em relação a definição de imagem, mas deverá passar por uma "remasterização" para a transformação da película para o Blu-Ray. Pena que muitos não fazem e a imagem fica meia-boca. Mas a possibilidade existe.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Superlativos
Esse negócio de superlativo é muito complicado mesmo. Mais complicado ainda é assistir ao show de horror que as pessoas fazem de seu uso. Já enjoei da palavra “magérrima”, que obviamente não existe. Caso não saiba, o superlativo é a exponenciação de uma determinada característica. Só se usa os sulfixos ~érrimo, ~íssimo e ~imo para um tipo bem específico de superlativo, chamado estranhamente de superlativo absoluto sintético. Esse tipo de superlativo é dividido em duas partes: A forma erudita e a forma popular. Na forma erudita, a única forma que aceita o sulfixo ~érrimo, deve ser composta pelo radical em latim da palavra + seu sulfixo. Em outras palavras, não há “magérrimo”, como a amiga fala da outra amiga no metrô, normalmente na sua orelha. O superlativo de magro é macérrimo. Se quiser pode usar a forma popular (aquela forma que o povo que não estudou fala e acaba convencendo os eruditos a dizerem “tá bom a gente põe no dicionário essa bosta”), que seria magríssimo. Acho que a substituição da palavra por superlativo deve ser feita apenas e tão somente se for dita da maneira correta. Se o camarada não sabe como dizer, prefira o simples “muito magra”, “extremamente magra”, “magra pra cara...mba”, “chassis de grilo”, “caveira ambulante” e por aí vai. Se for para dizer “magérrima”, é melhor esquecer que existe superlativo. Mas aí vem aquela velha pergunta: Você se lembra das aulas de português da quarta ou quinta séries? Claro que não, né? Outra pergunta é: Você tem o costume de ler? Ah, claro que não. Mas as novelas da Globo você assiste? E ainda quer ficar falando “magérrimo” na minha orelha? Ah, pelamordedeus. Aqui vai uma listinha de superlativos retirados do site Só Português:
Humilde: humílimo
Jovem: juveníssimo
Livre: libérrimo
Magnífico: magnificentíssimo
Magro: macérrimo ou magríssimo
Manso: mansuetíssimo
Mau: péssimo
Nobre: nobilíssimo
Pequeno: mínimo
Pobre: paupérrimo ou pobríssimo
Preguiçoso: pigérrimo
Próspero: prospérrimo
Sábio: sapientíssimo
Sagrado: sacratíssimo
Viu só como é complicado? Então faça o simples. Use o superlativo relativo ou o absoluto analítico, que é o “muito aquilo”, “bastante isso”, “a mais aquilo”, e por aí vai. Tá parecendo a galera de informática que fala “mandatório”. Dói na orelha. Não existe, sabia?
Muitos programadores costumam dizer “o preenchimento do campo é mandatório”, numa tentativa de dizer que o preenchimento do campo é obrigatório. “Mandatory” existe em inglês, aí a tradução “popular” livre e errada passa a ser “mandatório”. Daqui a pouco os eruditos vão ser obrigados a introduzir a palavra no dicionário, mas até lá ela ainda não existe, portanto não a use.
sábado, 2 de maio de 2009
Fobias

• Grafofobia: Medo de escrever à mão. Eu sempre tive isso nas aulas de português e minha mãe nunca entendia...
• Triscaidecafobia: Medo do número 13. Também conhecido como viadagem, no caso dos homens (ou não tão homens) terem essa fobia, não acha?
• Melaxofobia: Medo de amar. Mais gay que a primeira;
• Peladofobia: Não, não é medo de ver gente pelada. É medo de pessoas carecas! Ahahaha;
• Ovofobia: Pavor de ovos. Estou pensando em algum comentário...;
• Atoxofobia: Medo de desordem. Que essas pessoas nunca vejam meu guarda-roupas;
• Claurofobia: Medo de palhaços. Bem, não é de gente palhaça, mas do próprio ser pintado com sapatão que quer botar fogo no circo;
• Agorafobia: As praças gregas eram conhecidas como ágora, e o agorafóbico tem medo de lugares de grandes eventos sociais, e também significa o distanciamento da sua zona de segurança, como sua casa ou das pessoas que lhe dão segurança;
• Araquibutirofobia: Essa é a pior. Medo de que a pele do amendoim ou de pipoca (veja só) fique grudada no céu da boca (!). Olha o naipe do absurdo da fobia. Eu certamente não conheço ninguém assim, mas posso imaginar como seria o tipo.
Quando você for ao cinema, perceba se tem alguém cutucando o dente fazendo aquele barulhinho lindo de chupada com beijação de santo. Se tiver alguém assim, não ache que ele é um porco sem educação. Prefira achar que ele tem uma doença. Pergunte educadamente se ele é araquibutirofóbico.
• Triscaidecafobia: Medo do número 13. Também conhecido como viadagem, no caso dos homens (ou não tão homens) terem essa fobia, não acha?
• Melaxofobia: Medo de amar. Mais gay que a primeira;
• Peladofobia: Não, não é medo de ver gente pelada. É medo de pessoas carecas! Ahahaha;
• Ovofobia: Pavor de ovos. Estou pensando em algum comentário...;
• Atoxofobia: Medo de desordem. Que essas pessoas nunca vejam meu guarda-roupas;
• Claurofobia: Medo de palhaços. Bem, não é de gente palhaça, mas do próprio ser pintado com sapatão que quer botar fogo no circo;
• Agorafobia: As praças gregas eram conhecidas como ágora, e o agorafóbico tem medo de lugares de grandes eventos sociais, e também significa o distanciamento da sua zona de segurança, como sua casa ou das pessoas que lhe dão segurança;
• Araquibutirofobia: Essa é a pior. Medo de que a pele do amendoim ou de pipoca (veja só) fique grudada no céu da boca (!). Olha o naipe do absurdo da fobia. Eu certamente não conheço ninguém assim, mas posso imaginar como seria o tipo.
Quando você for ao cinema, perceba se tem alguém cutucando o dente fazendo aquele barulhinho lindo de chupada com beijação de santo. Se tiver alguém assim, não ache que ele é um porco sem educação. Prefira achar que ele tem uma doença. Pergunte educadamente se ele é araquibutirofóbico.
terça-feira, 28 de abril de 2009
O Abajur

- Pois, é criado-mudo, eu não consigo entender meu propósito. Você serve, ou serviu, para guardar coisas, servir de apoio e me sustentou minha vida toda. A cama, veja só, serviu acomodar as pessoas, que fizeram um bom uso dela em seus repousos e amores. O piso, sustenta aqui tudo desde sempre. Olhe o guarda-roupa. Cheio de divisórias que acomodaram muitas coisas, que saiam e eram colocadas novamente, e ele abrindo e fechando, acomodando e arquivando. A lâmpada do teto é também muito útil. Enfim, todas as coisas desse quarto. Agora olhe para mim. Não faço nada. Não sirvo para nada. Ninguém vem aqui faz tempo. Desde que fui feito estou dentro desse plástico e não entendo direito. Só sei meu nome porque consigo ler na etiqueta pregada em mim, amarelada pelo tempo que fiquei aqui parado. E ainda não sei se me chamo abajur ou se me chamo “Para Bárbara”. É de uma revolta muito grande. Não consigo entender nada.
- Mas sempre existe uma maneira que possa te explicar o sentido disso tudo, abajur. Eu, sendo criado-mudo, até que consigo me satisfazer com as coisas, sabe? Eu, embora não seja usado faz tempo, ainda me lembro de minha utilidade. Nesse quarto, desde que o Sr. Antônio não dorme mais aqui, ninguém entrou mesmo. Você ficou aí e nunca viveu nada com o Sr. Antônio. Ele quem nos trouxe aqui e era ele o sentido do nosso uso. Como ele não está mais, talvez seja isso que tenha deixado você sem saber sua utilidade. Mas tenho certeza que você tem sim um uso, pena que ninguém aqui descobriu ainda.
- Tá, sei disso tudo. Mas tem dia que bate um desespero. Mas deixa pra lá. Deixa eu quieto aqui.
O tempo passava devagar naquela casa. Ninguém mais foi àquele quarto. Era estranho porque ainda existiam pessoas as quais Sr. Antônio mantinha um certo contato, mesmo que usando o aparelho de telefone. Foi então que após seis meses de escuridão, aquele quarto foi destrancado. Ali, uma mulher com um rapaz analisaram o local. Acenderam a luz principal e tudo estava quieto e empoeirado. Comentaram algumas coisas entre si, as quais nada no quarto entendeu direito, mas pelo que parecia as coisas iriam mudar, e mudar fisicamente. Logo, a cama foi retirada com seu parceiro colchão. Um pouco mais tarde, o guarda-roupas. E, impressionantemente, o abajur ainda estava mais entediado a curioso. Num mundo de aflitos, ele estava ali parado e não ligando. A vida não tinha a menor graça. Que sentido tinha aquela merda toda? Já tinha ouvido inúmeras histórias, disso e daquilo, que legal que era isso ou aquilo. Que experiência esse teve ou aquele. Mas ele mesmo não teve nada. Foi fabricado, se lembra que existiu muito brevemente num local grande e foi trazido aqui pelo seu Antônio, que chegou, o colocou no criado-mudo, seu melhor amigo, e deitou na cama, para nunca mais acordar. A neta de seu Antônio olhou fixamente para ele, o abajur, e com uma cara intrigada, retirou seu plástico. Após ler a etiqueta, seus olhos encheram de lágrimas. O abajur começou a imaginar que diabos estava acontecendo, pois agora estavam destruindo ele, removendo seu fiel companheiro plástico de embalagem. Foi quando ela pegou o plugue e ligou-o na tomada. Apertou o interruptor do abajur e tudo fez sentido para ele, que iluminava seu redor e sentia a energia percorrendo seu corpo.
- Vamos, Bárbara. Temos que falar com o rapaz da imobiliária ainda. Leve o abajur para você – Falou o rapaz para a moça, agora longe dali em seus pensamentos.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
Coloque o arquivo de guerra no gato Tom.

Sim, claro que já. Trabalhei há dez anos com AJAX. – Respondeu o candidato à vaga de Analista de Sistemas Java.
Surpreso, o entrevistador questionou-o:
- Como assim ‘há dez anos’? AJAX só existe de fato há três anos.
- Ah, não é verdade. Eu trabalhava com AJAX junto com meu pai. A gente vendia muitos litros. Ele tinha uma Kombi, sabe...
- Calma, calma. – interrompe o entrevistador já irritado – Eu estava falando de outra coisa. Olha esquece, tá? E sobre Swing?
- Ah, isso eu não faço não. Sou casado.” [1]
O mercado da informática tem suas peculiaridades, assim como toda profissão, e essas peculiaridades são um tanto quanto estranhas para quem fala o idioma tupiniquim. Algumas coisas no mundo da programação de computadores simplesmente não podem ser traduzidas, pois perderiam todo o sentido. O exemplo acima diz respeito a uma tecnologia chamada AJAX, que tem o mesmo nome de uma marca famosa de produtos de limpeza para uso geral, de propriedade da Colgate. Swing é o nome de outra tecnologia, com mesmo nome alusivo à mais completa putaria conhecida. Por isso alguns livros pecam muito em tentar traduzir termos e nomes que não podem ser traduzidos. Na linguagem de programação Java (que quase se chamou Carvalho... Eu disse CARVALHO), existe uma função principal chamada “main” (main é principal, em inglês). A composição dessa função (que em Java chama-se método) tem um nome grande, e se fossemos traduzir teríamos a pérola:
Vácuo público da estática principal ( args[] da Corda ); [2]
Veja que beleza. Não dá para traduzir. Cada palavra tem um sentido específico em inglês, válido somente para o contexto em questão.
Quando você faz um desenvolvimento em Java, são gerados pacotes, que possuem extensões de arquivo, do tipo jar, ear e war. Um dos servidores que rodam esses arquivos é chamado de Tomcat (O Gato Tom). Vai lá você traduzir: Coloca pra mim a guerra, a orelha e o jarro no gato tom, por favor? Alguém que estivesse passando acharia no mínimo que errou o caminho e foi parar no hospício. Só faz sentido em inglês.
Outra coisa interessante são os nomes das tecnologias e produtos. Temos Ajax e Gato Tom, como vimos acima, Java Servidor Caras, Caras Ricas, Java Grão de Café, Hibernar, Primavera, Chapéu Vermelho, Lixeiro, Sabão, Eclipse, Peixe de Vidro, e por aí vai. Tanta criatividade atrapalha muito os tradutores não familiarizados.
Esses dias estava assistindo o filme “Across de Universe” e estavam traduzindo na legenda as músicas dos Beatles. Cada pérola que saia que eu me matava de rir. Uma das mais engraçadas foi no refrão da música “I am the Walrus”, onde John canta “I am the eggman, they are the eggmen, I am the walrus,Goo goo ga joob”. Lennon certa vez recebeu uma carta de um estudante dizendo que seu professor de língua inglêsa estava analisando as músicas dos Beatles. John então num tom provocativo escreveu I am the Walrus, uma música cheia de referências, simbologias e aberta a várias interpretações, e Eggman é Intelectual e não “cabeça de ovo” como foi traduzido na legenda. A tradução/interpretação do refrão deveria ser “Eu sou o intelectual, eles são os intelectuais. Eu sou a morsa, bom bom bom trabalho”. Nada a ver com o que foi colocado lá na legenda, por uma pessoa ou grupo que não entendia nada de Beatles.
Bom tradutor é aquele que entende o espírito da coisa e coloca a tradução interpretada corretamente ou deixa o termo em inglês. Um bom exemplo é o livro “Direitos Iguais, Rituais Iguais” de Terry Pratchett que saiu aqui pela editora Conrad. Os tradutores espertamente colocaram os dois sentidos de “Equal Rites”, título em inglês. Rites significa rituais ou ritos e tem a mesma pronúncia de “rights”, direitos. Faz todo sentido, pois é uma história de uma menina que quer ser mago, profissão permitida somente para homens, no livro. Então ela quer ter direito (rights) de ser mago e praticar seus ritos (rites). Parabéns à Conrad.
[1] AJAX significa Asynchronous JavaScript and XML.
[2] Obviamente todo programador Java conhece o método public static void main( String[] args)
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