domingo, 10 de fevereiro de 2013

Macroevolução

Meu primo constantemente me questiona sobre se Deus existe então por que isso, ou se Deus existe por que aquilo. Realmente não tenho todas as respostas para as perguntas dele, mas dentro do meu raciocínio lógico e filosófico, Deus existe, e esta é a verdade. Utilizando um pouco de William Lane Craig que em seu livro “On Guard” expõe claramente os argumentos lógicos para a existência de Deus, vou ainda além, e coloco aqui uma frase que me fez pensar bastante deste mesmo livro.

“As pessoas ainda não compreenderam as consequências da morte de Deus, porém Nietzsche previu que algum dia o homem moderno iria entender as implicações do ateísmo, e esse entendimento conduziria a era do niilismo, ou seja, a destruição de todo o sentido e valor da vida. A maioria das pessoas não reflete sobre as consequências do ateísmo e, então como uma multidão num mercado, seguem sem saber no seu caminho. Mas quando se dão conta, como Nietzsche, o que o ateísmo implica, então seus questionamentos fazem uma enorme pressão sobre todos: Como podemos nós, assassinos de todos os assassinos, nos confortarmos?”

O argumento lógico para a existência de Deus de Craig é irrefutável, e até mesmo o mais famoso ateu do momento, Richard Dawkins se recusou algumas vezes a enfrenta-lo, pois obviamente não tem argumentos suficientes para sua defesa, como Craig alertou. A existência de Deus não é somente fé, mas é lógico e racional. Claro que dentro dessa hipótese da existência de Deus, muitos questionamentos aparecem, e muitos deles, acreditem ou não, tem respostas simples, claras e verdadeiras. O grande problema hoje em dia é saber onde procurar a resposta, pois também concordo que a religião moderna é falha, e as igrejas estão abarrotadas de enganadores, pastores corruptos, padres pedófilos, evangélicos de mentira, mas não são todos assim, e não podemos generalizar. A existência de Deus remove do ser humano uma série de medos, e descobrir que Jesus realmente te ama de verdade faz muito mais que isso. Mas, como o tema aqui é macroevolução,  vamos a ele.

Macroevolução corresponde a uma evolução em uma escala de grupos de genes apartados, ou seja, a evolução que altera aquela determinada espécie para uma de um outro tipo, entre os filos, diferentemente da microevolução que acarreta em mudanças dentro da mesma espécie ou população. Isso é ensinado nas escolas como sendo verdade, como sendo ciência. De que nós viemos de um ancestral comum ao macaco em algum ponto da evolução, e nos tornamos homem. Veja, isso é ensinado como verdade absoluta e ninguém mais questiona isso hoje em dia. O problema é que isso não é verdade. Não existem provas, nem sequer evidências sólidas, de que evoluímos de uma espécie que não era o homem moderno. O que existem são teorias, baseadas na microevolução, que poderiam tornar a macroevolução uma hipótese válida, porém até mesmo dentro dos próprios defensores darwinianos da teoria, existem ressalvas significativas, como por exemplo David L. Stern, Robert L. Carroll e Andrew M. Simons. Para mais detalhes leia esse documento.



Existe um enorme grupo de cientistas que assinaram um documento chamado “Uma Dissensão Científica do Darwinismo”, em que postulam “Nós somos céticos das afirmações da capacidade da mutação aleatória e da seleção natural explicarem a complexidade da vida. Um exame cuidadoso da evidência a favor da teoria darwinista deve ser encorajado.”  Esse site com esse documento pode ser lido aqui. São mais de oitocentos nomes na lista, e a grande maioria de Ph.D (doutores no assunto).



Crer na macroevolução pode ser bonito até, pode estar na moda hoje em dia, pode fazer de você uma pessoa inteligente dentro de um grupo específico, mas infelizmente não é verdade. Nesse mesmo site que citei acima, um interessante documento intitulado “Uma Controvérsia Científica Sobre a Explosão Cambriana” pode ser lido aqui. Infelizmente só encontrei em inglês, mas resume que Darwin estava ciente que grandes períodos de tempo deveriam ter ocorrido para que as diferenças nos filos (agrupamentos mais elevados dos reinos de seres vivos) pudessem ocorrer de fato. E reconheceu em “A Origem das Espécies” (e que todos fazem questão de ignorar isso) que “várias das principais divisões do reino animal aparecem subitamente nas mais baixas rochas fossilificas conhecidas.” Ele chamou isso de “grave” problema que “no presente deve permanecer inexplicável, e pode exortar como um argumento válido contra os pontos de vista aqui entretidos.” Um paleontologista de Berkeley chamado James Valentine concluiu em 1991 que não existe, ou ao menos “não se tem provas possíveis para traçar as evidências” de que houve alguma evolução sequer nos filos encontrados nas rochas do período cambriano, e conclue que “a explosão metazoária é real e é muito grande para ser mascarada por falhas nos registros dos fósseis”. Existe mais um documento aqui criticando os padrões científicos atuais, já que não se comprova a teoria darwiniana e mesmo assim a biologia insiste em apresenta-la como evidência factual da evolução.

Como disse acima, não tenho todas as respostas, e talvez os Neandertais fosse uma espécie diferente do homem, o sofrimento exista por uma razão específica que não conhecemos, Noé colocou todos os bichos na arca de alguma maneira que não sabemos, mas o fato é que macroevolução não existe de fato.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Pensamentos Apocalípticos


De todos os livros da Bíblia certamente o mais complexo a meu ver é o livro do Apocalipse, escrito por João, e segundo acredita-se, o mesmo João apóstolo, filho de Zebedeu. A data do livro especula-se que seja do ano 95 d.C., período de perseguição dos cristãos por Roma, que naquela época impunha o culto de adoração à Cesar. O livro usa um estilo altamente simbólico, chamado "apocalíptico", de acordo com a Bíblia de estudos NVI, e diz que a obra fornece vários indícios para sua interpretação, como as estrelas serem anjos, os candelabros são igrejas, a grande prostituta ser a Babilônia (ou Roma) e a Jerusalem celeste é a esposa do Cordeiro. Independente desses estudos, o livro "fecha" a Bíblia como último livro, e a palavra apocalipse vem do grego αποκάλυψις, apokálypsis, significa "revelação", formada por "apo", tirado de, e "kalumna", véu. E revelar é, nesse sentido, de ordem sobrenatural.

Nossa história é bem complexa e ainda não sabemos como muitas civilizações construíram determinados monumentos para uma época em que especula-se que o conhecimento ou os meios para tal seriam limitados. Esses conhecimentos normalmente estavam em "desacordo" com a época, e foram grandes saltos, como o uso do bronze, a construção das pirâmides, a observação dos astros para cálculos astronômicos, o próprio invento do cálculo, e uma série de outros conhecimentos que chegaram ao homem de maneira um tanto súbita. A física moderna, especialmente a física quântica, é recheada de mistérios, e aparentemente completamos um modelo padrão da física que não explica muita coisa, mas já nos dá uma abertura de uma gama de conhecimentos que ainda temos que buscar. E a revelação do apocalipse é o fim de uma era, e ao meu ver, o fim de uma civilização e a sua evolução para um próximo tipo, com a vinda de Cristo.

Estava lendo no livro do físico Michio Kaku (imagem ao lado) chamado "Parallel Worlds" que a civilização pode ser classificada em três tipos a saber, de acordo com o montante global de energia que essa civilização utiliza:


  • Tipo I: O tipo de Civilização I domina todos os recursos de seu planeta, controla terremotos, vulcões, o clima, e tudo o que acontece em seu próprio planeta.


  • Tipo II: O tipo II de civilização controla não somente seu planeta, mas também sua estrela mais próxima, como por exemplo podemos ver nos jogos Halo e Mass Effect, ou até mesmo como visto no filme Star Trek e a Federação dos Planetas. Em teoria, essa civilização já adquire o status de imortal.



  • Tipo III: No caso do tipo III de civilização, a influência é em toda a galáxia, como o Império do filme Star Wars.



O encontro de um tipo três com um tipo de civilização zero é vista no filme 2001 Uma Odisséia no Espaço, por exemplo (foto abaixo).

Nós aqui na Terra somos Tipo Zero, para ser mais preciso, tipo 0.7 e levaremos alguns anos até alcançarmos o Tipo I. O tempo estimado para alcançarmos o Tipo I pode ser de 100 anos. Do Tipo I até o Tipo II, podemos levar de 1.000 até 5.000 anos, de acordo com Kaku. E do Tipo II até o Tipo III pode levar milhares de anos.

No meu entendimento, com a vinda de Jesus Cristo e o Apocalipse, pode ser a evolução para o Tipo I de civilização. Depois, com o reinado de Jesus aqui na Terra que durará mil anos (Ap. 20:2-3), alcançaremos o Tipo II (O Milênio). Daí para frente, em determinado tempo chegaremos ao Tipo III, mas ainda não é relatado na Bíblia essa transição.

Até que isso aconteça, corremos um grande risco de nos destruirmos com bombas atômicas, guerras, terrorismo, atos de ódio e ganância, contrários aos ensinamentos de Jesus. Será que isso tem a ver com a condenação no lago de fogo, ou seja, a destruição do nosso planeta com bombas atômicas, e teremos sofrimento e ranger de dentes eternos? É provável que seja algo muito maior que isso, pois nós aqui somente conseguimos imaginar parte das coisas. Nosso cérebro é limitado, e a capacidade cerebral é de longe subutilizada. 

Talvez quando o homem começar de fato a entender que o objetivo da vida não é poder + dinheiro, talvez quando a ciência entender que o método científico está defasado e deve-se ter uma visão holística das coisas, será então possível que sigamos no caminho correto. Para que o nível de civilização seja alterado, é preciso primeiro alterarmos a nós mesmos. E o discurso é sempre igual, fácil de falar mas difícil de praticar. Temos que lutar contra tudo que aprendemos de nossa sociedade, sem sermos alienados ou fanáticos.

Os eventos do apocalipse ninguém se atreve muito a interpretar, porque acredito serem coisas fora de nossa realidade terrena, mas não podemos achar que aquilo é uma bobagem, ou que é uma história imaginada, ou com outros propósitos se não a própria revelação de Deus. O livro do apocalipse da Bíblia é extremamente importante para o homem entender que ele mesmo é demasiado limitado, e não consegue enxergar além de sua compreensão limítrofe. Existe um universo de coisas a serem descobertas / entendidas e não podemos mais ignorar certos fenômenos. Por exemplo, quando a Bíblia relata que os que já morreram serão ressuscitados, Deus tem o poder necessário para reverter a entropia, já que na física isso é teoricamente possível. Quando a hipótese existe, não podemos ignorá-la. E ainda existe um universo de coisas que vivemos porém não entendemos. Os átomos são compostos basicamente de espaço vazio, de nada. O universo se expande com a força de uma matéria que não fazemos a menor ideia do que seja.  As dimensões que conhecemos podem ser muito maiores, como as dez dimensões da teoria das cordas. Apenas 2% de nossos genes codificam proteínas, os 98% restantes não tem função aparente (junk DNA), e por aí vai.

Para fechar o pensamento, acredito que a ciência faz parte da obra de Deus, e é dado ao homem aos poucos parte do conhecimento, e assim as chances dele não se aniquilar de vez com a junção poder + dinheiro. Sempre existirá uma linha tênue entre o que o homem sabe e o que o homem pode saber de fato. Esse conhecimento é dado por Deus, no momento propício de sua obra divina, e daí os saltos no conhecimento humano, que aparentemente chegaram ao homem de maneira um tanto súbita como disse acima. A humanidade caminha evoluindo e absorvendo essa quantidade de informação como um preparatório para a grande revelação. O modelo tem que mudar. O pensamento precisa evoluir do modelo "tudo é uma engrenagem" para algo maior, cujas partes sozinhas não são nada sem o todo que as controla. Mas aparentemente ainda não estamos preparados.


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Zeitgeist, Hórus e Jesus

Pela quantidade de bobagens que circulam na internet, uma das mais preocupantes e destrutivas a meu ver é a pregação que Jesus Cristo não existiu. As comparações com lendas, ou outras divindades teriam provado que Jesus seria um plágio, feito para controlar as massas, e manipular pessoas de mente fraca para tirar-lhes algum proveito.

A lenda de Hórus do Egito então entra na jogada como um dos maiores exemplos de plágio cristão, dizendo que a história de Hórus é exatamente a mesma que a de Jesus. Um dos grandes defensores de que Jesus teria sido um mito pode ser visto no filme Zeitgeist, e muitas polêmicas foram levantadas sobre isso. A meu ver, o problema maior disso é que ninguém checa as fontes de onde essa informação está vindo, e simplesmente aceitam qualquer coisa que lhes aprazia, como no caso de Jesus não ter existido de fato.

Segundo a Wikipedia,Na mitologia egípcia, Hórus (ou Heru-sa-Aset, Her'ur, Hrw, Hr ou Hor-Hekenu) é o deus doscéus[carece de fontes], muito embora sua concepção tenha ocorrido após a morte deOsíris.[carece de fontes] Hórus era filho de Osíris[1].
Tinha cabeça de falcão e os olhos representavam o Sol e a Lua. Matou Seth, tanto por vingança pela morte do pai, Osíris, como pela disputa do comando do Egito[carece de fontes].
Note o “carece de fontes” escrito em praticamente toda frase na Wikipedia.
No filme Zeitgeist, o primeiro capítulo do vídeo conta que a lenda de Hórus tem uma incrível coincidência com Jesus Cristo. E consigo ver claramente os enganos que Peter Joseph, criador do filme, proclamou. É dito no filme que Hórus naceu em 25 de dezembro, de uma virgem. Já começa errado aí, pois não há um só local na Bíblia que diga que Jesus nasceu dia 25 de dezembro, mas sim no final da primavera e começo do verão. Dia 25 de dezembro em Nazaré é inverno, e à propósito, Natal é uma festa pagã. Mas, voltando ao Hórus ter nascido em 25 de dezembro, isso também está errado, de acordo com o livro “Isis and Osiris” de Plutarco traduzido por Frank Cole Babbit, 1936, Vol 5 Loeb Classical Library, Hórus nasceu em agosto, mais ou menos entre os dias 24 e 28. Sua mãe também não era virgem, seu pai foi Osiris, morto por seu irmão Seth, que foi trazido à vida por um encantamento para engravidar Isis, e assim dar a luz a Hórus.

Também é dito sobre uma estrela que apontou o caminho para três reis no nascimento de Hórus. Bem... isso não existe. Não há um só documento histórico que diga isso. Fonte aqui. Também não se sabe se Hórus foi professor aos 12 anos, como afirmado em Zeitgesit, ou mesmo batizado aos 30, muito menos se andou sobre as águas. Isso tudo foi inventado pelo Peter Joseph, assim como as nomeações que ele deu a Hórus, a luz, a verdade, o cordeiro de Deus, etc. Também não teve 12 discípulos, mas sim 4, e não há evidências que foi traído por Typhoon, pois de acordo com a lenda, Hórus nunca morreu, mas sim se mesclou com o deus Rá, e assim nunca foi crucificado, nem ressuscitou no terceiro dia. Além disso, Jesus escolheu ter 12 discípulos talvez por causa das doze tribos de Israel! Nada tem com os sígnos do zodíaco, e o número 12 se repete na Bíblia desde Gênesis, por toda a Bíblia. Mais fontes aqui. Além disso, as comparações com outras divindades nesse mesmo vídeo também se provam bem grosseiramente falsas, e uma simples pesquisa em uma fonte séria comprova isso.

A Bíblia foi atacada e perseguida por dois mil anos, a até hoje nada conseguiu desprovar a história dita lá, muito menos a teoria da evolução, que é uma teoria (não há provas), e pensar em macroevolução para mim é tão ridículo quanto para os ateus é ridículo a ideia de Deus, só que cada um de nós está baseado única e exclusivamente na sua fé, pois ao contrário do que pregam, não há provas.

Estou lendo um livro chamado “O Ponto de Mutação”, do físico teórico Fritjof Capra, e claramente percebo que a ciência precisa agora começar a pensar mais holisticamente, e o método científico, assim como a visão mecanicista do mundo já não se adequam nos tempos atuais, pois existe algo que vai além da soma das partes. Não sou contra a ciência, e só para defender meu ponto de vista, ciência e religião deveriam conviver juntas, e a meu ver uma não deveria contradizer a outra, como antagônicos, pois tudo faz parte de um todo, e no meu entendimento esse todo é Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo de Deus como está escrito na Bíblia Sagrada.

Só para finalizar, o nome Zeitgesit significa “espírito da época” em alemão, e diz muita coisa da época que estamos vivendo, ou seja, uma falta de fé das pessoas em prol de uma ciência  ainda sem forma, mecanicista, e ainda misturada com crendices da internet, especialmente do youtube, que não consegue provar coisa alguma, baseada em teorias da conspiração que mudam tanto quanto eu troco de cueca, e esse mesmo espírito talvez tenha sido previsto na Bíblia, em 1 Timóteo 4:1-2

Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência;

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Feicibuqui


    Pois é, demorou um pouquinho mas o Facebook virou “Feici”, ou seja, ficou popular. Passou pela “Orkutização”, que já era até esperada, mas nunca desejada. Isso quer dizer que usar o Facebook hoje em dia não é uma experiência agradável, como fora outrora. E o motivo? A maldita inclusão digital. Não é preconceito, quero deixar claro. É conceito mesmo, formado e comprovado, de gente que não deveria ter o direito de usar um computador. 

    Quando entrei no Facebook a maioria das pessoas já era incluída digitalmente, e a maioria também já sabia das piadas velhas, sem ficar postando sucessivamente a mesma bobagem de cinco anos atrás. Normalmente sabia escrever corretamente e tinha educação. Depois, com a leva de gente que nunca tinha visto um PC na vida, tivemos um feedback ruim de diversas coisas que são abomináveis nas redes sociais de volta à tona. 

Vamos às top 8 postagens ruins: 

#1 Religião
Esse é de longe a mais chata e preocupante das publicações. Veja bem, sou cristão, batista e batizado, mas não gosto de gente que fica postando baboseiras de religião no Facebook. Até você contar uma graça recebida, ou agradecer algo que te aconteceu é uma coisa. Agora ficar todo santo dia postando imagens de Jesus pedindo pra você compartilhar é demais! Primeiro, Facebook não é igreja. É um local para você dividir algo com os amigos para que eles possam comentar. Talvez um artigo interessante, um livro bom, uma mensagem bíblica, algo do tipo. Ficar mandando fotos de nossa senhora a cada dez minutos é totalmente sem sentido, ainda mais quando conhecemos que a vida da pessoa não é nada santa (longe disso). Aí fica bem pior. Fala bonito e vive feito, agora também no Facebook. 

#2 Pessoas desaparecidas ou cachorros perdidos
Sério, que tipo de demente coloca fotos de crianças desaparecidas ou cachorros desaparecidos no Facebook? Por acaso eu sou da polícia? Sou sequestrador pedindo resgate? Então, como diria a Dona Florinda, vá colocar essas fotos na casa da sua avó! Eu não vou olhar a foto e sair procurando a criança ou o cachorro, pelamor!

#3 Aplicativos
Meu Deus, como tem desocupado no mundo. É o dia inteiro com Farmville, mandando convites para tirar leite da vaca virtual. Sério, você é muito, muito chato. Já reparou mesmo que você é chato? Se não reparou, pare, se olhe nos espelho, dê um sorriso e diga: EU SOU CHATO PRA KCT.

#4 Piada Interna
Me comove. Acho que são pessoas solitárias que buscam aceitação. Colocam assim: “Agora quebrou a boneca! Dança, dança, dança e não para mais!”. O que você entende por essa frase? Nada, não é mesmo? Então por que é que o animal filho de primas coloca uma frase dessas? Pra ter alguém (ele é sozinho, lembra?) que vai perguntar “que merda é essa, mano?” Aí ele não explica, só comenta: “é a dança do lobisomem anão!” Afe, me exclua de sua amizade, por favor.

#5 Corrente
Seja de qualquer tipo, de qualquer coisa, é muito chato. Não vou passar pra frente, nem que seja uma campanha para deixar o Brasil menos burro. Não acho legal e não acho que o Facebook vai efetivamente mudar alguma coisa. Para com isso, por favor. Não resolve.

#6 Futebol 
Olha, vou te falar, o Facebook está começando a me fazer odiar futebol. Nunca imaginei o quão estúpido seria ficar mandado os outros chuparem, tomarem, enfiarem, ofendendo, xingando, praguejando, etc. Se você tem um time, torça por ele. Pra que ofender os outros? Minha nossa senhora dos crentes, pare com essa bobagem de ofender. Torça para seu time, faça festa quando ele ganha, mas pare de ofender quem não compartilha do mesmo time que você. Se não sua estupidez vai ficar tão grande que vai implodir numa força gravitacional gigante e gerar um funkeiro / pagodeiro / sertanejo que coloca o som do uno velho no máximo tocando o tchu tcha tcha (ápice do estúpido).

#7 Assuntos desinteressantes
Tive que bloquear uma pessoa que ficava colocando a cada dois minutos: “entrei na aula.”, “sai da aula”, “comi um X-Bacon”, “limpei a boca”, “voltei pra aula”, “que chata essa aula”, “quero ir embora dessa aula”, “o professor é feio” ... Caraca, como pode ser TÃO chato? Não tenho o MENOR interesse em saber da sua maldita aula. Se você está no Facebook durante a aula, provavelmente não está aprendendo nada mesmo, então saia dessa merda e vá pra casa! Só pare de mandar esses status malditos!

#8 Gente que nunca vi querendo ser meu amigo
Tem gente que quer te adicionar por ser amigo do cunhado do primo da tia da vizinha. Aí você (com uma cãibra no cérebro naquele dia) adiciona o cabra. Pronto. Agora vai ter que aturar fotos de nossa senhora pedindo para você compartilhar, cachorro perdido, criança desaparecida, piada velha, piada interna e todo tipo de bobagens que citei acima. É o cúmulo do arrependimento.

Seja coerente. Se você acredita que compartilhar essas coisas estúpidas vai te fazer popular, saiba que aumenta consideravelmente a vergonha alheia por você. Caia na real pense na próxima vez que for compartilhar algo. E se curtiu esse artigo, compartilhe.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O desenvolvimento

"Bem, o desenvolvimento da tarefa que temos é bem simples. É o seguinte: Você terá que dizer 'Bom Dia!' para um grupo de pessoas."

"(...) Só isso? Só dizer 'Bom Dia' e é isso?"

"Exato. Fácil né? Em quanto tempo você me entrega?"

"Mas e os detalhes? Digo, quem são essas pessoas? Quantas são? Onde elas estão? Estarão juntas ao mesmo tempo para eu falar bom dia de uma vez? Preciso saber um pouco mais dos detalhes para te passar o prazo exato"

“Pô, eu não tenho os detalhes. A terefa quem me passou foi o fulano. Conversa com ele sobre esses detalhes depois, mas você precisa me dar um prazo para término agora.”

“Então, como te disse, só posso te passar o prazo quando souber quem são as pessoas, onde elas estão, se virão até mim ou se irei até elas, se terei que dar o bom dia individualmente ou em grupo, etc. Isso tudo influencia bastante no prazo que tenho que te passar”

“Eu sei, eu sei, você já me disse isso. Só que a gerência precisa de um prazo, e você terá que me dizer esse prazo já. Tem que ser agora porque estou entrando em reunião para passar isso.”

“Tá, então sendo essa tarefa simples, posso te passar uma hora de trabalho? Pode ser?”

“Uma hora!? Só pra dizer um 'Bom Dia' você leva uma hora?”

“Não levo uma hora só para dizer 'Bom Dia', apenas estou tentando, faz um bom tempo, te explicar que não tenho os dados suficientes, e já que tenho que dar um prazo, estimo que tenhamos umas cem pessoas a quem terei que dar 'Bom Dia' individualmente.”

“A gente precisa conversar melhor sobre isso. Não posso ficar trabalhando com esses prazos largos que você me passa. Vamos assumir que sejam duas pessoas e elas virão até você ao mesmo tempo. Quanto tempo então para dizer um simples 'Bom Dia'?”

“Bem, nessas características, apenas dois segundos de trabalho é suficiente.”

“Tá vendo como podemos melhorar? De três mil e seiscentos segundos você reduziu o prazo para dois segundos! É isso aí.”

“Eu reduzi baseado no que você falou. Esse prazo pode mudar totalmente assim que souber dos detalhes que preciso para o desenvolvimento. Quem vai testar se o 'Bom Dia' foi bem dado?”

“Testar? Bem, isso ainda não foi determinado. Mas você saberá mais ao longo do dia quando receber o documento inicial...”

“Ok. Assim que receber ajustarei o prazo se necessário.”

“Credo, não vai precisar não! Como você é pessimista, meu Deus...”


[algum tempo após o documento de especificação ter sido recebido e lido]


“Oi. Então, li lá o documento que contém três linhas, e preciso realmente ajustar o prazo. Não tinha absolutamente nada a ver com a especificação inicial que você me passou. Primeiro que não é 'Bom Dia'. É um poema original em russo que tenho que fazer. Segundo que o "grupo" é nada mais que toda a população da China. E tenho que declamar o poema individualmente para cada cidadão. E terei ainda que ir até lá fazer isso, pois eles não virão até mim nem posso fazer isso em grupos com mais pessoas.”

“Como assim mudar o prazo? Você já me deu o prazo e eu passei para a gerência! Eles estão trabalhando com esse prazo que você passou com o cliente! Não posso agora nessa altura do campeonato chegar para eles e mudar tudo de novo! Não dá! Resolva em dois segundos.”

“Olha, é impossível escrever um poema original em russo e declamá-lo para todos os chineses em dois segundos. Não há a menor possibilidade disso acontecer. Preciso de um prazo muito maior, porque quando te dei o prazo foi baseado no que você tinha dito e agora que li a especificação vi que não tem nada a ver com o que você me tinha dito antes.”

“Como não? É falar alguma coisa para um grupo de pessoas. É exatamente isso que o documento diz para fazer e foi o que eu te disse! Assim não dá! Desse jeito vou ter que procurar outra pessoa que seja mais dinâmico! Toda vez é a mesma coisa! Você não consegue entender a importância desse projeto?”

“Ok, posso te indicar uma pessoa que consiga fazer isso em dois segundos?”

“Me diga então quem é, porque vou ter que colocá-lo no projeto. Isso tem que sair de qualquer jeito. Quem é a pessoa?”

“Jesus Cristo. Negocia lá com Ele.”

“Certo. Anotei aqui. Você tem o ramal dele pra me passar?”

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Nos dias de hoje

A maioria tem a nítida impressão que o mundo caminha para frente. O tempo anda em uma só direção. A velocidade da luz é intransponível. E a modernidade é sempre uma coisa boa. Imaginamos no passado distante que em 2012 teríamos carros voadores. Que teríamos robôs serviçais, que usaríamos roupas inteligentes, viveríamos até os 300 anos e que o petróleo seria coisa do passado. Imaginamos muita coisa que não ocorreu. É inegável que tivemos um avanço tecnológico muito grande nesse último século. O que não imaginamos, ou talvez não fomos tão pessimistas assim, era que para algumas coisas a modernidade chegou de forma errada. Coisas que foram (re)inventadas para suprir necessidades que nunca existiram e os efeitos colateriais de certas invenções, que até o momento não se sabe ainda como resolver alguns desses problemas. Vejamos alguns exemplos:

Embalagens
    Não é possível que todas as embalagens de leite atuais sejam tão complicadas assim. Antigamente era um saquinho, ou uma garrafa com rolha (bem mais antiga), mas hoje a tecnologia mudou isso. Só esqueceram de avisar ao engenheiro que aquilo que ele criou é uma merda. Tem uma embalagem específica que compro que simplesmente não funciona. Todas as 50 vezes que abro, 49 estoura o lacre na minha mão e espirra leite até meus cotovelos. Preciso então pegar uma faca e cavucar o resto do  buraco do leite. Ninguém testou não? Ou melhor, percebi que se o leite está em temperatura ambiente, ele abre bem. Isso significa que ninguém testou APÓS ser resfriado na geladeira! Outras embalagens de leite abrem fácil, mas o leite sai “à galope” como disse um amigo meu, e você toma um banho junto. É melhor abrir seu leite pelado e antes de tomar banho. Outra embalagem que é retardada são os saquinhos de salgadinhos em geral. Sério, aquilo foi sacanagem de estagiário. Não é possível. Ninguém com um cérebro pensaria em desenvolver uma porcaria dessas. NUNCA abre no picote, e ou estoura de uma vez, fazendo a “chuva pública da vergonha”, ou rasga de fora a fora (fora inclusive do picote), salgando seu saco nesse processo. É a mosca do cocô do cavalo do bandido mesmo.

Meios de pagamento 
Antes você entrava num mercadinho, pegava as coisas com os preços etiquetados e pagava no caixa com dinheiro, saia feliz da vida. Hoje é um parto fazer compras. Primeiro porque as coisas não tem preço. Fica a critério da sua surpresa ao passar no caixa. As gôndolas que deveriam marcar quanto custa a mercadoria sempre estão com a etiqueta desaparecida (coincidentemente), e nem adianta tentar passar o código de barras naquele maldito aparelho que NUNCA funciona. O cara que criou aquele aparelho deve ser o mesmo que criou as embalagens de leite (e o sistema de catracas). Aí você chega no caixa para pagar, e a bobina acaba. A caixa pede pra outra pessoa pegar uma bobina no estoque. Depois de trocada, pergunta seu CPF para verificar se você é cliente. Ou não entende seu CPF ou erra umas oito vezes. E chega a vez do pagamento com cartão, que invariavelmente demora para autenticar sua compra, quando autentica de primeira. E você ali, com cara de pastel, questionando a modernidade.

Catraca
Antigamente as catracas eram mecânicas, e marcavam quantas pessoas entravam ou saíam de um determinado local. Aí teve um gênio que resolveu colocar um “sistema” pra controlar “melhor”. Só que ele não pensou em um pequeno detalhe: Fazer um sistema rápido e que funcione. Aí você passa na catraca e ela resolve travar alguns centímetros depois que seu cérebro pensou que ela iria funcionar. É um arreio no meio dos países baixos que me dá vontade de voltar e pular com os dois pés na maldita cadela. Tudo porque o sistema é uma porcaria, feito por amadores, e não autenticou sua passagem. Qual catraca que você conhece que funciona? Até hoje não conheço nenhuma, e a cada dia só pioram.

Senhas
Essa pra mim é o pior efeito colateral da modernidade. É um absurdo a quantidade de senhas que temos que decorar, ou anotar num papel, o que faz menos sentido ainda ter senha. Senha só serve para atrapalhar, e como o reconhecimento biométrico ainda é ficção científica, pois na prática não funciona, ainda temos que depender de decorar senhas. E a cada dia fica mais difícil. Agora o mínimo aceitável são oito dígitos, com símbolos e maiúsculas com minúsculas, não pode ser isso ou aquilo, não pode conter determinada sequência, etc. Tudo isso por causa de uma minoria que ou é mal intencionado em burlar a segurança ou é burro de colocar senhas ridículas. Mais ridículo é clicar em um e-mail de banco pedindo para digitar sua senha. E olha que teve gente da minha área de informática que caiu nessa. 
O banco em que tenho conta pede 3 senhas para acesso pela internet, e ainda instala um programa no seu computador. A cada dia ele inventa mais um treco para complicar o acesso. Não seria mais interessante, mais barato e mais eficiente a humanidade investir em leitura da íris, ou impressão digital eficiente, em vez de rebolar para criar uma miríade de maneiras de colocar senhas nas coisas? Eu duvido que o que se paga com fraudes é menor que desenvolver um dispositivo de leitura da impressão digital. Duvido.

Médico
Graças ao avanço da medicina foi possível desvendar todos os problemas do corpo e mente em apenas dois únicos problemas: Ou é stress ou é virose. É o bóson de Higgs da medicina. O Santo Graal médico. No mundo moderno, quando precisamos fazer alguma consulta (e quando conseguimos atendimento) já podemos fazer nossas apostas sobre o diagnóstico. Temos 50% de chances de acerto, já que estamos sempre um dos dois casos acima (vale até tirar a sorte na moeda). E além disso, antes mesmo de você sentar na cadeira do consultório o médico já te receitou algum remédio (medium), o qual você toma só por tomar, já que nem stress nem virose são curados com drogas. E mais: O atendimento dura no máximo 8 segundos! Isso sim é que é modernidade!

Por essas e outras fico imaginando o mundo em 2112. Se o calendário maia permitir, provavelmente estaremos com algumas modernidades realmente ridículas, e com saudades de quando a vida era um pouco mais fácil de se viver.

sábado, 5 de maio de 2012

Hyperion Cantos

Hyperion e The Fall of Hyperion são dois livros que fazem parte da obra Hyperion Cantos, escritos pelo norte americano Dan Simmons, entre 1989 e 1998 num total de quatro livros. Li os dois primeiros, o que me motivou a escrever sobre eles. O tema é ficção científica, mas chego a pensar que esses são livros de arte, ou alguma forma de poema, embora de narrativa prosaica. Complexo, cheios de referências, muita coisa não explicada que permitem dúvidas e interpretações, fazendo dessa obra algo encantador. A trama acontece de um futuro do século 29, numa mistura de ciência com religião, cuja Inteligência Artificial (doravante A.I.) faz parte da vida humana bem mais que a internet de hoje em dia. Essa internet do futuro (chamada "WorldWeb") é muito mais evoluída, totalmente controlada independentemente dos humanos,o que nos permite povoar novos mundos através da oferta tecnológica do Core (uma singularidade), e com isso a população humana cresceu para 100 bilhões. Nesse futuro, a Terra foi destruída por um aparente acidente causado por essa mesma A.I., chamado no livro de “o grande erro” (The Big Mistake), forçando todos a fugirem da Terra num enorme Êxodo, conhecido como Hegira. A A.I. oferece aos humanos, entre outras coisas, uma tecnologia chamada Farcaster, os  portais que possibilitam viagem para grandes distâncias. O centro de comando da A.I. é conhecido como TechnoCore, o qual descobriu como viajar no tempo, e evoluiu absurdamente a partir desse conceito, permitindo-lhe o tempo necessário de evolução através dessas viagens temporais e a construção de uma “entidade” própria, apartando-se da humanidade (daí a singularidade, ponto teórico onde a tecnologia avança mais que o conhecimento humano).

No primeiro livro, temos uma história misteriosa, com elementos ainda mais misteriosos e não explicados. Tudo gira em torno de um planeta chamado Hyperion e sobre a viagem de seis peregrinos para lá. O primeiro livro começa “in media res”, ou seja, no meio da história e depois desenvolvem-se os flashbacks a partir dos contos de cada um desses peregrinos e como foram parar nessa viagem, bem como suas motivações. O primeiro livro resume-se basicamente a uma grande introdução do universo de Hyperion, extraído dessas seis histórias e toda a contextualização geral de Simmons, com o foco especial em uma criatura existente em Hyperion chamado The Shrike. Esse ser é uma espécie de anjo da destruição (chamado de “O Senhor da Dor”), enviado por alguma coisa que não sabemos o que é, e seu objetivo é simplesmente destruir o que encontra pelo caminho. Embora muitos não acreditem no Shrike, e o consideram como uma lenda (pois ninguém que o viu viveu para contar), ele é real no livro e faz parte da vida dos peregrinos de alguma forma. Existem até adoradores desse Shrike, na chamada Igreja da Última Expiação (Church of the Final Atonement). O Shrike consegue mover-se no tempo, indo do passado para o futuro sem maiores dificuldades. Aparece onde quer, quando quer, aparenta ser onipresente e onipotente e ainda tem o poder de congelar o tempo. Uma graça.



Também em Hyperion, existem as Tumbas do Tempo (Time Tombs), que estão localizadas em um vale rodeado por um campo anti-entrópico, ou seja, as tumbas não andam para frente no tempo, mas para trás (parece ter vindo do futuro), e é nesse vale anti-entrópico que habita o Shrike.
Detalhe é que em português a tradução de shrike é picanço, o passarinho que tem o estranho hábito de empalar suas vítimas.



Estou tentando dar uma resumida aqui porque o livro é muito complexo e detalhado, a quantidade de referências é enorme, e ainda por cima estou tentando não contar nenhum spoiler. Já vou adiantar que é necessário ler o segundo livro para fechar a história do primeiro. Na verdade é uma história só dividida em dois livros. Certamente foram os mais complicados que li, e pelos reviews que encontrei pela internet, as opiniões são diversas. Apesar disso, o primeiro ganhou dois prêmios importantes de ficção científica, o Locus Award e o Hugo Award, sendo este último o prêmio mais importante do gênero, e o segundo livro também ganhou dois prêmios, o Locus Award e o British Science Fiction.

A história contida nos dois livros é muito interessante e faz essa junção de ciência e religião de uma maneira muito estranha e ao mesmo tempo muito curiosa. Embora não me afeiçoe com a ideia do deus de Simmons, ainda assim acho que foi uma ideia muito bem elaborada conseguir juntar essa ciência e religião num mesmo plano dentro de uma obra de ficção científica com essa complexidade. Nisso o livro nos deixa de queixo caído com a construção e desfecho desse tema.

Vale a pena também dizer que Hyperion Cantos de Dan Simmons foi fortemente baseado nas obras homônimas do poeta inglês John Keats (1795 – 1821), inclusive há um “personagem” chamado John Keats em ambos os livros, e vários personagens vindos dos poemas. Keats, o poeta, escreveu Hipérion e A Queda de Hipérion (Hyperion e The Fall of Hyperion respectivamente) e lendo parte dessas obras percebi que os elementos lá contidos estão totalmente engajados nos livros de Simmons, com enfoque na ficção científica. A obra Hipérion do poeta não foi concluída, pois ele desistiu antes. Ainda preciso ler mais sobre Keats para entender suas motivações em escrever sobre Hipérion, um dos 12 Titãs da Grécia Antiga, mas de qualquer maneira é um poema muito interessante e ao mesmo tempo intrigante.

Achei ambos os livros muito bons. Daria nota 8,5 para o primeiro e 9 para o segundo. Minhas notas se justificam pela falta de explicação de alguns elementos contidos nos livros. Por exemplo, o primeiro não conclui nada, porém é muito legal os mini-contos dos peregrinos. O segundo conclui a coisa toda, mas deixa muitas perguntas não respondidas. Ainda assim, juntando-se a ideia e a quantidade de referências e paralelismo que podemos traçar, vale muito a pena ler as quase mil páginas. Recomendo.