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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Zeitgeist, Hórus e Jesus

Pela quantidade de bobagens que circulam na internet, uma das mais preocupantes e destrutivas a meu ver é a pregação que Jesus Cristo não existiu. As comparações com lendas, ou outras divindades teriam provado que Jesus seria um plágio, feito para controlar as massas, e manipular pessoas de mente fraca para tirar-lhes algum proveito.

A lenda de Hórus do Egito então entra na jogada como um dos maiores exemplos de plágio cristão, dizendo que a história de Hórus é exatamente a mesma que a de Jesus. Um dos grandes defensores de que Jesus teria sido um mito pode ser visto no filme Zeitgeist, e muitas polêmicas foram levantadas sobre isso. A meu ver, o problema maior disso é que ninguém checa as fontes de onde essa informação está vindo, e simplesmente aceitam qualquer coisa que lhes aprazia, como no caso de Jesus não ter existido de fato.

Segundo a Wikipedia,Na mitologia egípcia, Hórus (ou Heru-sa-Aset, Her'ur, Hrw, Hr ou Hor-Hekenu) é o deus doscéus[carece de fontes], muito embora sua concepção tenha ocorrido após a morte deOsíris.[carece de fontes] Hórus era filho de Osíris[1].
Tinha cabeça de falcão e os olhos representavam o Sol e a Lua. Matou Seth, tanto por vingança pela morte do pai, Osíris, como pela disputa do comando do Egito[carece de fontes].
Note o “carece de fontes” escrito em praticamente toda frase na Wikipedia.
No filme Zeitgeist, o primeiro capítulo do vídeo conta que a lenda de Hórus tem uma incrível coincidência com Jesus Cristo. E consigo ver claramente os enganos que Peter Joseph, criador do filme, proclamou. É dito no filme que Hórus naceu em 25 de dezembro, de uma virgem. Já começa errado aí, pois não há um só local na Bíblia que diga que Jesus nasceu dia 25 de dezembro, mas sim no final da primavera e começo do verão. Dia 25 de dezembro em Nazaré é inverno, e à propósito, Natal é uma festa pagã. Mas, voltando ao Hórus ter nascido em 25 de dezembro, isso também está errado, de acordo com o livro “Isis and Osiris” de Plutarco traduzido por Frank Cole Babbit, 1936, Vol 5 Loeb Classical Library, Hórus nasceu em agosto, mais ou menos entre os dias 24 e 28. Sua mãe também não era virgem, seu pai foi Osiris, morto por seu irmão Seth, que foi trazido à vida por um encantamento para engravidar Isis, e assim dar a luz a Hórus.

Também é dito sobre uma estrela que apontou o caminho para três reis no nascimento de Hórus. Bem... isso não existe. Não há um só documento histórico que diga isso. Fonte aqui. Também não se sabe se Hórus foi professor aos 12 anos, como afirmado em Zeitgesit, ou mesmo batizado aos 30, muito menos se andou sobre as águas. Isso tudo foi inventado pelo Peter Joseph, assim como as nomeações que ele deu a Hórus, a luz, a verdade, o cordeiro de Deus, etc. Também não teve 12 discípulos, mas sim 4, e não há evidências que foi traído por Typhoon, pois de acordo com a lenda, Hórus nunca morreu, mas sim se mesclou com o deus Rá, e assim nunca foi crucificado, nem ressuscitou no terceiro dia. Além disso, Jesus escolheu ter 12 discípulos talvez por causa das doze tribos de Israel! Nada tem com os sígnos do zodíaco, e o número 12 se repete na Bíblia desde Gênesis, por toda a Bíblia. Mais fontes aqui. Além disso, as comparações com outras divindades nesse mesmo vídeo também se provam bem grosseiramente falsas, e uma simples pesquisa em uma fonte séria comprova isso.

A Bíblia foi atacada e perseguida por dois mil anos, a até hoje nada conseguiu desprovar a história dita lá, muito menos a teoria da evolução, que é uma teoria (não há provas), e pensar em macroevolução para mim é tão ridículo quanto para os ateus é ridículo a ideia de Deus, só que cada um de nós está baseado única e exclusivamente na sua fé, pois ao contrário do que pregam, não há provas.

Estou lendo um livro chamado “O Ponto de Mutação”, do físico teórico Fritjof Capra, e claramente percebo que a ciência precisa agora começar a pensar mais holisticamente, e o método científico, assim como a visão mecanicista do mundo já não se adequam nos tempos atuais, pois existe algo que vai além da soma das partes. Não sou contra a ciência, e só para defender meu ponto de vista, ciência e religião deveriam conviver juntas, e a meu ver uma não deveria contradizer a outra, como antagônicos, pois tudo faz parte de um todo, e no meu entendimento esse todo é Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo de Deus como está escrito na Bíblia Sagrada.

Só para finalizar, o nome Zeitgesit significa “espírito da época” em alemão, e diz muita coisa da época que estamos vivendo, ou seja, uma falta de fé das pessoas em prol de uma ciência  ainda sem forma, mecanicista, e ainda misturada com crendices da internet, especialmente do youtube, que não consegue provar coisa alguma, baseada em teorias da conspiração que mudam tanto quanto eu troco de cueca, e esse mesmo espírito talvez tenha sido previsto na Bíblia, em 1 Timóteo 4:1-2

Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência;

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Modernidade


O oitavo jogo da série Call of Duty, chamado Modern Warfare 3, lucrou 400 milhões de dólares nas primeiras 24 horas de venda, e a Activision anunciou que o jogo faturou 1 bilhão de dólares, em 16 dias, passando até o filme Avatar, de James Cameron, que fez um bilhão em 17 dias. A série Call of Duty já faturou 4 bilhões de dólares desde 2003. A indústria do cinema faturou em 2010 84 bilhões de dólares, e a indústria dos jogos fez nesse mesmo período 56 bilhões. A projeção para a indústria do cinema é um crescimento de 6,1% até 2015 e a do mundo dos games é de 8,2% para esse mesmo período.

Cocooning é um termo cunhado por Faith Popcorn em 1990 e relaciona a tendência de indivíduos se socializando menos e ficando mais em casa. Num dos livros de Chuck Palahniuk (de Clube da Luta) chamado “Haunted”, é citado o cocooning (chamado no livro de “Slumming”) como uma doença da sociedade moderna, parecido em partes com o Hikikomori, um termo japonês que significa “retraimento social agudo”, referente ao fenômeno de jovens que escolhem se retirar da vida social, geralmente buscando altos níveis de isolamento e confinamento devido a vários fatores pessoais e sociais em suas vidas. Esse problema social ficou mais evidente no Japão no final do século vinte em que indivíduos (sem maiores problemas aparentes) escolhiam se recolher em casa por um período maior que seis meses.

Um recente documentário produzido por Cosima Dannoritzer em 2010 chamado The Light Bulb Conspiracy (a conspiração da lâmpada), que está disponível de graça no YouTube nesse link, mostra um conceito antigo mas que movimenta a sociedade moderna atual: A Obsolescência Programada. Esse termo significa que a indústria produz produtos com data programada para quebrar, ou seja, sua durabilidade é meticulosamente planejada para que o consumidor compre outro produto após determinado tempo. Isso pode ser feito de duas maneiras: 

A primeira é realmente inserir algo no produto que após um certo tempo ou um certo número de vezes que em foi usado o dispositivo pare de funcionar, como o exemplo das impressoras e lâmpadas, ou então fazendo algo mais sutil e inteligente: Lançar produtos mais novos e induzir o consumidor a querer trocar seu produto ainda em funcionamento para um modelo mais moderno. Essa técnica foi popularizada por Brooks Stevens em 1950, nos Estados Unidos, e desde então vem sendo aplicada em todos os bens de consumo. Essa ideia da obsolescência programada surgiu no pós crise de 1929, idealizada por Bernard London, que até tinha uma ideia não-consumista na época, de programar os produtos para terem uma certa durabilidade, forçando o consumidor a trocá-los, movimentando assim a indústria, gerando empregos e tirando o país da lama. No documentário, a técnica (não admitida pelas indústrias) da obsolescência programada é comprovada, através de documentos da década de 30, sobre o chamado “cartel da lâmpada”, que forçou toda a indústria que produzia lâmpadas no mundo a colocarem uma data para queimar, que na sua versão final girava em torno de 1.000 horas. Isso era bem diferente das lâmpadas produzidas até então, como por exemplo a lâmpada que ainda está acesa há mais de 100 anos em Livermore, California, e está sendo filmada por uma web cam, que inclusive foi trocada duas vezes por defeitos, enquanto a lâmpada está funcionando perfeitamente. Essa lâmpada foi projetada por Adolphe Chailet, produzida por Shelby Electric Company no estado americano de Ohio em 1901, e ele morreu com os segredos do projeto.

Nesse mesmo documentário, é mencionado que a bateria dos primeiros iPods era feita para durar de seis a doze meses, e a Apple na época sugeria que você comprasse outro iPod caso a bateria estivesse com problemas. Graças a uma ação na justiça isso foi "mudado" (para um prazo um pouco maior).

Esse lixo todo produzido pelo consumismo acaba indo para países subdesenvolvidos, como mostra nesse mesmo filme, e containers inteiros de entulho são exportado para, por exemplo, Gana, na África,  destruindo completamente o meio ambiente daquele país. A ideia de sustentabilidade parece que não está bem clara. 

Isaac Asimov foi um escritor de ficção científica ateu e humanista. Seus livros mostram que no futuro o homem deixa de se preocupar com coisas menores e passa a se preocupar com a humanidade, avançando cientificamente se expandindo, para a colonização do universo. Essa também é a ideia central de outro documentário chamado Zeitgeist – Moving Forward, que inclusive promoveu recentes protestos em Wall Street, na bolsa de valores americana. Particularmente, acho pouco provável que façamos alguma coisa a não ser quando não tiver mais jeito, e formos obrigados a mudar e a salvar o pouco que restar do planeta para nossa própria e particular sobrevivência. Até lá continuaremos a consumir e a produzir lixo desnecessário, e a esgotar a matéria-prima, simplesmente porque temos algo que C.S. Lewis chamou de o maior pecado de todos: Orgulho.