quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A Cabana

Preconceito. Essa palavra não tão pequena também é grande em minar algumas coisas potencialmente boas em nós. Orgulho. Outra palavra que para C. S. Lewis era o maior dos pecados humanos, e por meio do orgulho os demais pecados eram cometidos. Falei há dois anos que não iria ler o livro A Cabana. Por dois motivos básicos: Orgulho (achava que sabia o conteúdo do livro), e preconceito, após ler uma crítica cristã nesse site. Segundo a crítica do pastor presbiteriano Dr. Tim Keller, o livro A Cabana o preocupou muito com o seguinte comentário: “Qualquer um que é fortemente influenciado pelo mundo imaginativo de A Cabana estará totalmente despreparado para o muito mais multi-dimensional e complexo Deus que você conhece quando lê a Bíblia. Nos livros proféticos o leitor encontrará um Deus que está constantemente condenando e jurando julgamentos a seus inimigos, enquanto as pessoas do Deus-trino de A Cabana repetidamente negam que o pecado os ofende.”

Porém li o livro e não encontrei tal afirmação, ou pelo menos não entendi assim. Existe uma parte que Deus pergunta a Mack, personagem principal, se ele continua amando seus filhos quando fazem coisas erradas, que o desagradam. Mack responde que é claro que continua amando-os. O que o autor William P. Young quer mostrar no livro, no meu entender, é um Deus de amor, e enfatiza três pontos que são explicados: A Graça, O Sofrimento Humano e o Amor de Deus. Lá, no livro, não li em nenhum momento nada que justificasse não ler o livro, pois é um livro que dá esperança às pessoas, principalmente as que vivem um grande sofrimento, mostrando um Deus que é amor e fortemente baseados no novo testamento, pois é apenas em Jesus que podemos ter salvação, e não na lei, ora pois. O que venho percebendo de alguns pastores é que se mostrarmos um Deus para o qual você não pode fazer nada para obter sua salvação é motivo de problemas e preocupações futuras. Por que então mostrar um Deus que vai te condenar, te mandar pro inferno, te queimar vivo, etc, se você pode obter sua salvação apenas e tão somente pela Graça, ou seja, fazendo ou não fazendo nada? Foi mais ou menos essa a mensagem que entendi do livro, e as “preocupações” do Dr. Keller na minha opinião são mais furadas que isopor de algodão doce. Ainda bem que me interessei por ler o livro e achei muito bom, de fato, sem me preocupar em estar “indo contra as escrituras”. Decidi ler o livro após meu post chamado Bom Gosto, em que expliquei alguns cuidados com críticas.

O Deus de A Cabana busca por um relacionamento verdadeiro com o indivíduo, por completo, e não só nas missas e cultos de domingo. Nem nas rápidas orações antes de dormir. Deus não quer obrigações, pois isso não é amor, certo? Por que você gosta de estar entre amigos conversando e se divertindo? Será que se fosse imposto um monte de regras de comportamento você iria ainda querer ir no happy-hour? Isso também não quer dizer que viva a vida como quiser, penso eu. Mas pelo amor e vivência com Deus você acaba por viver uma vida digna e justa, mas não é vivendo uma vida digna e justa que encontrará Deus. Jesus só andava com quem não prestava na época, e todos receberam o Espírito Santo, e APÓS viver com Jesus viveram uma vida digna e justa. Jesus não escolheu só os mais justos ou crentes para conviver, ou foi? Pense em Pedro, que sacou a orelha do cabra na peixeira. Ou Mateus que era cobrador de impostos (um maldito para todos). Não me parecem pessoas bem quistas.

“O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: O Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.
O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: O Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.” Lucas 18:11-14

Não gostei da crítica do Pastor Keller após ler o livro. O li com os dois pés atrás e percebi que ele, o pastor, prefere ver o Deus que julga, que arrebenta, que destrói, que fulmina, que desce fogo do céu, que transforma em estátua de sal, que arrebenta cidades inteiras a ver o Deus na figura de Jesus, pedindo para amarmos uns aos outros e buscar primeiro o Reino de Deus, e todas as coisas serão acrescentadas. E o Deus que se apresenta na Cabana de forma nenhuma é o Deus resumido, mas naquela ocasião, para aquela pessoa específica, ele se apresentou daquela forma para curá-lo através do perdão, e precisava mostrar a Mack (personagem principal) o amor, mas não significa como afirma o pastor Keller que Deus é somente aquilo. Não é só aquilo e diversas vezes é afirmado frases do tipo “você não entende a dimensão das coisas”, ou seja, Deus é muito mais que aquilo apresentado, mas aquilo apresentado ainda é Deus, e não o que afirmou o pastor que “meio deus não é Deus”. Não foi isso que foi mostrado no livro. O Deus apresentado foi sim de acordo com as escrituras e omitido suas muitas faces, pois naquele momento o importante era mostrar uma delas, na figura de Jesus, o perdão, amor e graça, que era o que necessitava aquele personagem naquele momento, ou será que isso não vem de Deus? No caso, Mack já conhecia a lei, pois frequentava a igreja. O que ele não conhecia era o amor, perdão e não sentia a presença de Deus. Foi por isso que Deus revelou sua face encoberta a ele, Mack.

O Temor a Deus é algo sim necessário a todos nós, mas não devemos ter medo de Deus. Temor não significa ter medo. Temor é respeito máximo, prostração e adoração, mas deixe a porta aberta para quem bate, e não tema o resultado. Aí você se verá livre de obrigações e conhecerá a felicidade, sem cobranças, sem obrigações, sem medo, sem culpa.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Dia a dia

“Mano, deixa eu te contar uma coisa, cê não vai acreditar como tem trouxa no mundo: Um cara tava andando hoje na rua e um senhor logo na frente dele deixou cair uma nota de cinquenta reais. O cara foi lá e devolveu, cê acredita?”

“Ah, sério? Que babaca.”

“Pois é, cara. Ainda ficou andando na calçada com cara de bobo e passou um carro de propósito na poça e molhou ele todo, hahahaha.”

“Putz, um tonto assim tem que se ferrar mesmo.”

“É, cara, tô falando, como tem trouxa no mundo. Ontem mesmo tava vendo o movimento na barraca do Mané, de DVD pirata, sabe?”

“Sei.”

“Até tenho que ver essa parada. Chegaram vários filmes, um que tava no cinema aí de um treco de sonho, umas paradas assim, sei lá o nome.”

“A Origem?”

“Esse mesmo, com o Leonardo Di Caprio. Vixi, comprei mas vou ver se troco. Não entendi nada, mano, puta bagulho complicado. Vou falar pro Mané que tava com defeito pra ver se ele troca pra mim. Então, o Mané tá zuado, mano. Ele me deu cinco paus de troco a mais. Fiquei bem quieto, é lógico né?”

“Claro, é assim que deve ser. Se ele deu a mais é porque tá sobrando, hahahaha.”

“É, isso mesmo. Cara, cê viu o poster do Tiririca, mano? Nossa, muito legal. Vou votar nele. Putz, acho ele muito engraçado. Ele não sabe nada, mano. Vai ser a maior palhaçada se ele ganhar. Imagina ele no governo? Hahahaha, nossa, só de pensar já tô rindo...”

“É, é capaz que ganhe mesmo. Tá bem comentado na praça.”

“Pois é, ah mas é melhor votar nele que votar num zé-ruela aí que vai roubar nós mesmo, de qualquer jeito. Aliás, se eu tivesse lá roubaria do mesmo jeito. Ia fazer meu pé de meia e no que roubasse em quatro anos não trabalharia nunca mais. Ah mano, aqui tem que ser esperto. Nego trouxa só se ferra nesse país. E tem trouxa ainda que se diz honesto. Igual ao Nestor, puta babaca. Fica me enchendo toda vez que me vê com game pirata do meu Xbox, mano. Ah, vai se catar!”

“Ele por acaso tem original?”

“Não, pior que não. Ele disse que não tem grana pra comprar os jogos e preferiu não ter o Xbox. Vai ser trouxa assim lá longe. Bicho burro. Todo mundo pirateia, mano. Ele acha que vai mudar o mundo assim? Ah, vá se catar. Até evito falar com ele. Cara chato do inferno... Opa, fala pai, e aí?”

“Vamos povo, vamos que já tá tarde.”

“Tá pai, vamo. Ah, vamos passar na barraca do Mané antes, tá? Falou futuro, já tô indo. Até amanhã!”

“Falou, povo!”

sábado, 21 de agosto de 2010

O problema do mundo moderno

Há alguma discussão se a humanidade está realmente ficando mais inteligente ou se está emburrecendo. Comentei um pouco disso em meus últimos posts, acredito. Até hoje ficamos imaginando como foi possível que o mundo antigo desenvolveu tantas coisas com a tecnologia da época, como as pirâmides, por exemplo. Nesse mês um indiano chamado Vinay Deolalikar, de 39 anos, cientista pesquisador da HP em Palo Alto, Califórnia tentou resolver um dos chamados “problemas do milênio” , e publicou um paper com uma possível solução para o famoso problema P = NP? Esse “simples” problema levou ao Clay Mathematics Institute de Cambridge, Massachussets, a oferecer um milhão de dólares para uma solução sólida a cada problema. Existem sete (olha o sete aí de novo) desses “problemas do milênio”, devidamente recompensáveis em sua solução perfeita, e me chamou a atenção o fato de um deles ser de fato resolvido perfeitamente por um russo (da foto) chamado Grigori Perelman, que recusou o prêmio de um milhão do instituto.

É difícil imaginar o que esses problemas podem influenciar nosso dia a dia, mas a verdade é que a solução deles podem sim mudar completamente a ciência e consequentemente nosso dia a dia. No problema P versus NP é determinado quais problemas podem ser resolvidos pelos computadores e quais não podem. Os problemas P (Polinomial) são “fáceis” para os computadores resolverem, ou seja, a solução para esses problemas podem ser computados em um razoável espaço de tempo comparado à complexidade do problema. Enquanto que para os problemas NP (Não Polinomial) uma solução pode ser muito difícil de ser encontrada, mas facilmente comprovada após ser encontrada. Por exemplo, imagine um quebra-cabeças. É muito difícil chegar a um encaixe das peças na ordem certa, mas o resultado após realizado é facilmente comprovado se está certo ou não apenas olhando para o desenho do quebra-cabeças montado. A classe de problemas NP incluem muitos problemas de interesses práticos, como por exemplo determinar a correta otimização de transistores em um chip de silício, desenvolvimento de modelos de previsão financeira precisos, análise de comportamento proteico na célula, fatoração de grandes números compostos que formam a base da criptografia e por aí vai. Então, se P for igual a NP, todo problema NP conteria um atalho escondido que permitiria aos computadores encontrarem rapidamente uma solução para eles. Porém, se P for diferente de NP, então nenhum atalho existe, e a habilidade dos computadores em resolver problemas seriam fundamentalmente e permanentemente limitadas. Até agora ninguém provou se P é igual NP ou se P é diferente de NP.

Voltemos aos cientistas citados acima. Um, pesquisador da HP, tenta uma prova, que aparentemente já foi analisada por alguns pesquisadores e dada como fundamentalmente falha . O outro, um russo “maluco” que vive num pequeno apartamento com sua mãe em São Petersburgo, Rússia. Perelman (o russo “maluco” da foto) resolveu um dos problemas do milênio chamado conjectura de Poincaré, sobre geometria em três dimensões (topologia). Quando lhe ofereceram então o prêmio, ele disse que “obrigado, mas não é necessário”. Como assim? Um milhão (ma oiê!) e o camarada recusa? Pois foi assim e inclusive gerou até um livro de Masha Gessen chamado “Perfect Rigor: A Genius and the Mathematical Breakthrough of the Century”.

O que move as pessoas hoje em dia? O olho no prêmio ou a solução do problema? Por que o único que resolveu um dos problemas foi também aparentemente o único que não estava interessado no valor pago? Teria alguma relação o valor pago a motivar o verdadeiro talento pelo sentido errado e então fechar de fato as possibilidades reais ou será que quem pode resolver esses problemas não dá a mínima para o modelo de sociedade que vivemos hoje em dia?

De tudo que somos hoje, parece até que demos um enorme salto em relação ao povo antigo. Isso pode parecer verdadeiro se compararmos talvez a Idade Média com os dias atuais, mas não parece ser verdadeiro se compararmos com os Babilônios, Persas e Árabes antigos (para citar alguns) que fundamentaram a matemática, onde antes não havia nada proposto, nem internet para lermos algumas bases de apoio (o que será que continha na biblioteca de Alexandria?). E se a humanidade mudar o foco? Já pensou se em vez de dinheiro a motivação fosse o conhecimento? Já imaginou o quanto ganharíamos quando as pessoas recompensassem os trabalhos inúteis atuais removendo a pessoa desse trabalho e colocando-a para estudar? Um ascensorista poderia facilmente ser dispensado de seu trabalho e receber seu mesmo salário para estudar, e quem sabe produzir algum conhecimento útil, já que seu trabalho inútil não serve em nada a humanidade, como diz Domenico Di Masi em seu "O Ócio Criativo". A pergunta para uma resposta 42 pode estar ainda escondida dentro do planeta Terra, em meio aos circuitos humanos, esperando para ser revelada. Talvez o problema do mundo moderno seja a incompreensão dos motivadores para a felicidade, que não penso ser o par dinheiro + poder, mas o conhecimento.

domingo, 15 de agosto de 2010

Segundo Lugar

Tenho uma dificuldade tremenda para fazer ranking dos meus gostos e preferências. Difícil tarefa quando quero saber qual o melhor livro que li, qual o melhor filme, qual o melhor vinho, a melhor banda e por aí vai. Em filmes, após uma longa reflexão tempos atrás cheguei a conclusão que o meu melhor filme é Matrix, e em segundo lugar O Poderoso Chefão 1. Isso até ontem. Neste sábado assisti o filme "A Origem" (Inception) de Chistopher Nolan (Batman Begins, O Cavaleiro das Trevas, Amnésia e O Grande Truque), que desbancou meu segundo lugar. Não achei melhor que Matrix, pois me marcou muito na época, inclusive com a expectativa e das propagandas virais e tudo mais, mas em "A Origem" fui esperando nada (embora estivesse acompanhando as notícias da produção do filme) e obtive uma agradável surpresa. Não vou e nem quero falar sobre o filme em si para não estragar a surpresa. Se você não viu ainda corra antes que saia dos cinemas. Finalmente apareceu um excelente filme depois de algum tempo de amargura da sétima arte. Aliás, fui procurar o motivo do cinema ser "a sétima arte" e quem seriam as outras. Encontrei na Wikipedia que o italiano chamado Ricciotto Canudo escreveu um manifesto chamado "O nascimento da sexta arte" (The Birth of the Sixth Art) em 1911 propondo que o cinema seria uma nova forma de arte, que sintetizaria as cinco artes antigas propostas por Hegel (arquitetura, escultura, pintura, música e poesia) mais a dança (sexta arte), fazendo do cinema a sétima. Outras formas de arte foram adicionadas posteriormente, sendo a fotografia a oitava arte, os quadrinhos a nona, os jogos de vídeo a décima e a arte digital a décima primeira.
"A Origem" ganhou o segundo lugar no meu ranking de filmes preferidos. Fica aqui a dica do filme.

domingo, 8 de agosto de 2010

O Desconhecido

Essa semana passou no canal The History Channel uma série de programas na "Semana do Desconhecido". Muito me interessou um programa de duas horas exibido na segunda-feira basicamente sobre o livro "Eram os deuses astronautas" do escritor suíço Eric von Däniken. Nesse programa discutiu-se se existiu ajuda externa (extraterrestre) para que a humanidade construísse alguns monumentos que perduram até hoje, como as pirâmides, os desenhos nas rochas e plantações e outras construções, como na ilha da Páscoa. Intrigado com alguns temas, escrevi um email a um grande amigo para discutir alguns pontos.

Nesse programa, um dos assuntos que me chamou a atenção foi o que disseram sobre Enoque. Embora a história de Enoque tenha poucas linhas relatadas na Bíblia, e basicamente que ele foi viver com Deus que o arrebatou (veja bem, ele não morreu, mas Deus o capturou, arrebatou para si) Gn 5:24. E também em Hebreus confirma o ocorrido: "Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus." Hb 11:5. Segundo o programa, existe um livro apócrifo de Enoque dizendo que Deus então ensinou a ele a língua e a astronomia, e Enoque voltou a Terra para passar esse conhecimento ao homem, e uma de suas realizações foi ordenar a construção das pirâmides do Egito, em que o nome Enoque tem a mesma tradução do deus egípcio que ordenou a construção das mesmas. Ainda hoje as pirâmides causam espanto e uma infinidade de teorias sobre sua construção. Para os arqueólogos sérios elas foram construídas em 22 anos, mas para isso acontecer uma pedra deveria ser colocada a cada 9 segundos. Porém, tem um francês que teorizou sobre sua construção e sua teoria envolve trabalho humano mesmo, e muitos acreditam ser plausível sua tese. Mas ainda perdura o mistério do motivo para sua construção, o por quê de suas distâncias serem exatamente iguais a órbita dos planetas do sistema solar e por que será que os Maias construíram uma pirâmide mais ou menos na mesma época com exatamente a mesma área das pirâmides de Gizé? Como será que no sítio arqueológico de Tiwanaku na Bolívia possuem pedras que só são mais moles que o diamante, e apresentam cortes precisos, milimétricos, que só poderiam terem sido feitos com diamante e o uso de um torno?

Outro ponto abordado no programa foi a suposta "nave espacial" relatada por Ezequiel, no capítulo 1 do livro de Ezequiel, na Bíblia Sagrada. Diz assim:

"Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do norte, uma grande nuvem, com um fogo revolvendo-se nela, e um resplendor ao redor, e no meio dela havia uma coisa, como de cor de âmbar, que saía do meio do fogo." Ez 1:4

"E, quanto à semelhança dos seres viventes, o seu aspecto era como ardentes brasas de fogo, com uma aparência de lâmpadas; o fogo subia e descia por entre os seres viventes, e o fogo resplandecia, e do fogo saíam relâmpagos;" Ez 1:13

"O aspecto das rodas, e a obra delas, era como a cor de berilo; e as quatro tinham uma mesma semelhança; e o seu aspecto, e a sua obra, era como se estivera uma roda no meio de outra roda." Ez 1:16

Concordo também com meu amigo, que disse que a visão de Ezequiel não era precisa nem para ele, grifando os termos que envolviam "semelhança" e "era como" no texto. Aliás, gostaria de publicar suas respostas por completo, porém ainda não pedi sua autorização.

De qualquer forma é sabido tanto para cristãos quanto para cientistas que temos muito mistérios não respondidos. E se for tudo parte de uma coisa só? Como venho falando em alguns posts, será que tudo não faz parte da mesma coisa? Será a ciência e a religião não se complementam? Tenho minha fé na Bíblia, e respeito quem tem sua fé em outra coisa, como só na ciência, por exemplo (que é necessário muita fé, maior até que a fé em Deus). Acredito que a verdade será revelada em pouco tempo e todos saberemos os mistérios que tanto nos assola.

Ainda tenho alguns pensamentos. A humanidade está ficando mais cética. Constatei isso quando verifiquei a grande quantidade de ateus convictos amparados pela ciência, e assim colocando sua fé nela. A humanidade também está ficando mais espiritual. Constatei isso quando verifiquei a grande quantidade de religiões existentes, cultos, crenças, mandingas, superstições, "espiritualidade" e assim colocando sua fé nisso. A humanidade está ficando mais inteligente. Constatei isso quando vi a enorme quantidade de pesquisas científicas sendo publicadas, o genoma explorado, o conforto tecnológico e a informação disponível em todos os lugares a qualquer momento para qualquer um. A humanidade está ficando mais burra. Constatei isso quando vejo pessoas "googlando" para qualquer coisa e montam uma tese sobre um artigo de um blog de deus-sabe-quem, colhendo informações que não sabem a procedência e sua quantidade de verdade.

É, vamos esperar para ver.

sábado, 24 de julho de 2010

Estupidez

"Vamos celebrar a estupidez humana, a estupidez de todas as nações (...) Vamos celebrar a estupidez do povo, nossa polícia e televisão (...) Vamos comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado. Todos os mortos nas estradas e os mortos por falta de hospitais (...) Vamos celebrar os preconceitos, o voto dos analfabetos..."

Renato Russo dizia que escrevia letras com sentido amplo, não querendo significar algo muito específico, e fazer as pessoas pensarem, com frases que poderiam acomodar-se em determinada situação particular da vida de cada um. Acima, trechos da música "Perfeição" do CD "O Descobrimento do Brasil".

No final, a entonação muda, Renato Russo começa a cantar o oposto da ironia anterior:

"Venha! Meu coração está com pressa, quando a esperança está dispersa. Só a verdade me liberta. Chega de maldade e ilusão. Venha! O amor tem sempre a porta aberta. E vem chegando a primavera. Nosso futuro recomeça. Venha! Que o que vem é Perfeição!..."

Mudo para o livro (que terminei de ler recentemente) Out of the Silent Planet, de C. S. Lewis. Uma ficção científica de uma viagem a um planeta chamado Malacandra, e os seres que lá habitam, governados por Maleldil, Deus. Também o tema de ignorância da raça humana é discutido, e após algumas perguntas do motivo que agimos da maneira que agimos (no capítulo 20, já no fim, que me valeu a leitura), mesmo a questão feita para total descrente de qualquer forma de divindade, sendo este um cientista, a resposta final é um silêncio. O cientista diz "A vida é maior que qualquer sistema de moralidade. O que ela reivindica são absolutos. Não é por tabus tribais e máximas de livros copiados que ela persegue sua implacável marcha da ameba até o homem e do homem para a civilização." As perguntas então são feitas como: Com o que você se importa? Com o homem? Com a forma humana? Com a mente? Se fosse com o homem, não deveria você se importar com todo homem? Se fosse com a forma humana, essa forma não muda na evolução? Se fosse a mente, não deveria ser a mente de todos os homens, ou de toda a raça humana? Chegam então a uma conclusão que não é a criatura completa o objetivo do homem moderno, mas da semente da vida. Porém uma das coisas mais importantes para o homem é não temer a morte. Medo este que traz assassinato e rebelião. "If you were subjects of Maleldil you wold have peace" (Se vocês fossem subordinados de Meleldil [Deus] vocês teriam paz).

"Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio." Rm. 7:15

Ainda ontem li um trecho de Moby Dick:

"Quando os botes a circundaram mais de perto, toda a sua porção superior, grande parte da qual em geral fica submersa, estava bem visível. Seus olhos, ou melhor, os lugares onde antes estavam, podiam ser vistos. Do mesmo modo que substâncias estranhas crescem nos olhos dos nós dos carvalhos mais nobres, quando derrubados, assim também nos lugares onde os olhos da baleia haviam estado saíam bulbos cegos, uma comiseração horrível de ser vista. Mas não havia clemência. Apesar de toda a sua idade, apesar da sua única barbatana e dos seus olhos cegos, ela devia morrer aquela morte horrível, assassinada para iluminar as núpcias alegres e outras festividades dos homens, e também para iluminar as igrejas solenes que pregam que todos devem ser incondicionalmente inofensivos uns para os outros."
Moby Dick, Herman Melville, ed. Cosac Naify, Pág 381

Não comento mais nada. Só quero meditar um pouco nisso.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Malhação

Felipe Melo. Esse é o nome do nosso próximo Judas. Na copa passada foi Roberto Carlos e suas meias. Agora temos um mais novo boi de piranha. Não vamos cobrar o Dunga, nem o Kaká nem mais nenhum outro jogador. Inclusive o Dunga está com crédito por ter “brigado” com a Rede Globo e já circulou um email tornando-o rei.

E por que o futebol é tão importante para nós, brasileiros?

Para responder a essa pergunta volto à história. Um poeta romano chamado Juvenal (100 D.C.) criou uma expressão em seu poema Sátira para designar o tipo de política empregada pelo imperador Gaius Sempronius Gracchus (154 A.C. –121 A.C.) que virou moda e foi conhecida como panem et circenses, do latim, pão e circo. Consistia em manter a população feliz fazendo torneios de gladiadores nos quais eram feitos distribuição comida de graça. O povo, então feliz e de barriga cheia, abria mão de uma rebelião nos centros urbanos caóticos e escravizados. A proposta foi tão boa que passou a ser usada por governos opressores, onde o líder político passa a impressão de boa gente dando uma esmola enquanto enche os bolsos do dinheiro público. Bem, não preciso explicar mais nada se olhamos para nosso país. E quem é que compra todos os campeonatos de futebol para transmissões televisivas? Qual emissora detém a maioria do ibope televisivo brasileiro? Quem colocou e tirou presidente? Qual a influência dessa emissora na cabeça do povo, manipulado, que só sabe falar sobre novela, programa de reality show e fica satisfeitíssimo com o “Bolsa Família”? É muita teoria da conspiração para sua cabeça? Para a minha não é.

O futebol é incutido em nós, desde que nascemos, e aprendemos a gostar disso, fazendo uma quase religião com nosso time adorado. Não vejo mal em gostar de futebol, não quero passar essa impressão, mas vejo muito mal em pensar só em futebol. E como disse Platão, “O preço que os homens bons pagam pela indiferença aos assuntos públicos é ser governado por homens maus”. Na copa o país pára e isso é um grande exemplo de quão ligados estamos nesse esporte. Países desenvolvidos também gostam de futebol, como a Inglaterra, por exemplo, porém o povo sai às ruas para protestar contra aquilo que não concordam, fazendo sua parte em um negócio completamente desconhecido para nós chamado cidadania.

Enquanto não cai dos céus o país do futuro, ficamos aqui malhando nosso próximo Judas. Bem, eu já o malhei, e você?