
Encontro com Rama trata de um futuro não tão distante, em 2130, em que os astrônomos (americanos, é claro) detectam um enorme asteróide na órbita de Júpiter com velocidade de 100.000 km/h que desperta a atenção desses cientistas por muitos fatores que não vem ao caso agora. Então, mandam uma nave tripulada (após uma sonda) para avaliar o objeto, que a princípio foi identificado como uma super nave extraterrestre. Já imaginei o Bruce Willis no meio da coisa tentando plantar uma bomba atômica no núcleo e tal, mas pelo menos a história não foi para esse lado.
O problema todo é que o livro não foi pra lado nenhum. Nada acontece. Me senti lendo o roteiro de Lost. Acontece tudo mas não explica nada. As dúvidas que tinha no primeiro capítulo continuei tendo depois da última página. Após terminar o livro, vi que ele foi finalizado com uma frase de efeito, que poderia gerar muitos significados e interpretações. Fui correndo na Wikipedia procurar por seu significado. Descobri que o velho Clarke só quis terminar o livro “in a good way”, ou seja, de uma maneira bacana. Bacana pra ele, claro. A única coisa que pensei significar algo na verdade não significa nada. Se você gostou do filme 2001 Uma Odisséia no Espaço (também dele) provavelmente vai gostar de Encontro com Rama. Eu achei médio. Tem seu mérito, é um clássico, ganhou muitos prêmios, tem sua filosofia, sua futurologia bem amarrada, mas não chega perto de um conto ruim do Isaac Asimov. Suas continuações também não explicam muita coisa (já me informei) e o pior: Ele não escreveu as três continuações, dando-as para um autor chamado Gentry Lee, que era chefe de engenharia do laboratório de propulsão a Jato e também (mau) escritor.
A opinião divergente que citei acima foi porque um amigo meu do trabalho me recomendou muito esse livro, e gostamos de ficção científica, mas nesse caso discordo totalmente da opinião dele. Interessante que neste livro verfiquei alguns nomes latinos presentes na tripulação da Endeavour, nave que vai ao encontro de Rama. Nomes como Perera e até um Boris Rodrigo estão presentes na obra. Inclusive o Rodrigo é um “cristão” devoto da Quinta Igreja do Cristo Cosmonauta. Essa religião acreditava que “Jesus Cristo era um visitante do espaço e uma teologia inteira foi construída com essa suposição”.
Valeu Clarke por ter proposto a comunicação por satélite e ter descoberto a órbita estacionária deles, mas em Rendezvous with Rama eu boiei.