quinta-feira, 17 de julho de 2008

Existe vida após a chamada?


Iniciamos uma discussão sobre o ódio dos homens às chamadas telefônicas. Para algumas pessoas, o telefone é mal visto, sendo totalmente dispensável e quiçá substituível facilmente por um e-mail ou MSN. Qual seria o motivo que a maioria dos indivíduos do sexo masculino usam pouco ou quase nunca utilizam o telefone ou o celular?

O homem, diferente da mulher, é um ser mais prático, como sabemos, e assim perde a necessidade de ver uma joaninha amarela e querer logo contar aos amigos a grande descoberta entomológica. Mas mulher não é assim. Ah, não mesmo. Só para se ter uma idéia, certa vez minha namorada e eu estavamos indo para a casa dela e conversávamos sobre um assunto importante, quando o seu celular tocou. Era minha sogra dizendo que havia experimentado a saia de minha namorada. Após uns quinze minutos de conversa, ela desligou. “Sim, mas e aí? Rasgou a saia?” perguntei eu, indignado. “Não...” respondeu minha namorada querendo retomar o assunto original, fazendo de conta que a chamada nunca tivesse existido. “Certo, mas então pegou fogo no fogão enquanto ela experimentava a saia?” Nisso um olhar gélido me foi direcionado pela outra parte, já querendo me mandar fazer algo que não iria fazer nem sob tortura.

O que importa é que estava tentando descobrir o motivo de tal ligação, já que imaginei que não haveria motivo para tal pois estávamos indo para a casa de minha sogra e ela sabia disso (havia ligado antes, rá!) e se estava ligando naquele momento algo importante deveria ser avisado, certo? Pois é, me enganei. Era só pra dizer que ela experimentou a saia. É, então... Colocou a saia! Colocou, tirou e guardou! Nada mais. Fiquei impressionado. Me fez refletir sobre meu ódio às chamadas telefônicas que até então não sabia o por quê. Não tinha nada contra telefonemas. Seria algo como as músicas que tocam nas novelas, talvez? A música pode até ser boa, mas quando começa a tocar na novela você não pode ouvir mais de dois segundos que já muda a estação do rádio. Enjoa. Pega trauma. O mesmo trauma que as mulheres nos colocaram. Como para elas é completamente normal e absurdo se não existisse uma chamada para dizer que colocou uma saia (e só), para nós é absurdo tamanha falta de necessidade uma ligação dessas. É óbvio que mulher fala mais, gasta mais tempo falando, etc, mas falar no telefone é um negócio um tanto incômodo, chato, te ocupa a mão, uma orelha, quando não ambas no revezamento, e ficam pegando fogo após alguns poucos minutos e normalmente interrompem algo que você estava fazendo. Por isso telefone é para dar um recado, dizer uma notícia breve, falar pouco e não passar horas contando que colocou a saia.

O filme da Pixar, Wall-E, mostra uma espécie de telefone/internet/video chamada do futuro onde todas as pessoas só se comunicam via esse serviço, não mantendo mais contato físico com a outra parte. Uma previsão pessimista que o futuro nos aguarda. Bem, se depender das mulheres já chegamos lá. Agora vou acabar logo esse artigo que meu telefone está tocando... “Alô... Oi amor... Sim, almocei bem... Sim... Ahã... Escrevendo... é...”

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Batman falhou?


Qual o limite da realidade da mente humana? Qual é a fronteira que limita o racional da fantasia? Estava pensando sobre esse limite. Conversando com um amigo meu, discutíamos sobre o novo filme do Batman que está para estrear nos cinemas: O Cavaleiro das Trevas. Nesse filme um importante vilão do morcegão tem atenção central: O Coringa. Esse vilão nos gibis faz um papel de demente e suas ações são tão tresloucadas quanto seu figurino. O Coringa foi tema de importantes histórias do Batman, inclusive uma que talvez seja a mais famosa, A Piada Mortal, contada pelo melhor roteirista de quadrinhos ainda vivo chamado Alan Moore na opinião de muitos (o melhor roteirista de quadrinhos já falecido é também Alan Moore na opinião de muitos).


Alan Moore é uma lenda viva dos quadrinhos, que consegue colocar coisas banais em um clima totalmente novo e inesperado, onde histórias do Monstro do Pântano, por exemplo, ganham uma profundidade jamais vista com outro roteirista. Nessa história da Piada Mortal o Coringa aleija a filha do comissário Gordon, Bárbara Gordon, com um tiro em sua espinha. Após esse ato ele a fotografa nua na poça de sangue e sequestra seu pai (comissário Gordon) o torturando em um parque de diversões e exposto às fotos de sua filha nua. O Coringa tenta assim provar sua teoria em que qualquer um exposto à tamanha atrocidade poderia se tornar um demente como ele. Nessa história é contada a origem detalhada do vilão, e os motivos que o levaram a ser o que é: Após uma tragédia de sua família, com a morte de sua esposa grávida de num acidente doméstico, é obrigado a participar de um crime que sai pela culatra com a intervenção do Batman e assim molda seu destino para sempre. O gibi é genial, mas perturbador. Confesso que após lê-lo, fiquei chocado e por algumas noites sonhei com a história. Imagine agora interpretar um papel em que você teria que viver o Coringa. Encarnar no personagem para que sua atuação fique real.


Para esse papel foi escolhido o excelente ator Heath Ledger, que acabou falecendo logo após as filmagens; Segundo esse meu amigo quem matou Heath Ledger foi o próprio Coringa. O motivo seria porque o ator não conseguiu se desligar da interpretação do personagem, levando o tormento de seu papel para a vida real, em que Ledger e Coringa se misturavam, obrigando o ator a tomar comprimidos para dormir. Isso pode ter bagunçado o limite de realidade de Ledger, fazendo com que ele incorporasse esse papel de mente perturbada na vida real. Existe até um exemplo disso aqui no Brasil com o caso do Guilherme de Pádua, que questionava exatamente esse limite.


Outra história perturbadora é uma do Batman chamada Arkham Asylum, do autor Grant Morrinson e arte de Dave McKean. Também complexo, esse gibi apresenta o Coringa de dentro do manicômio de Gothan City. A história é chamado aqui no Brasil de Asilo Arkham mas acredito que seja outro problema de tradução, já que Asylum é mais conhecido como hospício em inglês e asilo de velhos é mais conhecido como residential care ou homing. Nessa história, Batman entra no hospício para tentar deter o Coringa, e é apresentado às loucuras de lá. Os desenhos de McKean perturbam. O que esse artista pode fazer quando representa em página dupla as loucuras desse ambiente é magnífica. Como leitor também fiquei impressionado, tanto quanto a piada mortal. Imagino então o ator, tendo que interpretar tudo isso como sendo realidade para a cena. Não é difícil perceber que isso poderia acarretar a qualquer um que não pudesse se desligar, que não tivesse uma chave na hora do “corta!” do diretor. Não é difícil perceber que a relação da morte de Ledger com seu papel é tênue. Mais uma vez o Coringa pode ter feito sua vítima, e dessa vez Batman não conseguiu impedir.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Por que eu não gosto de novelas?


Toda vez que eu chego em casa a TV a cabo com mais de 180 canais está parada em apenas um canal ou uma programação: Novela. É novela das seis às onze. E em todos os canais abertos todos os dias da semana, menos domingo que tem faustão (ah bom!). Por isso, pensei eu, seria uma boa uma TV paga, já que teríamos mais opções, programas melhores, geraria um interesse/curiosidade em mudar da supra citada que não ouso mencionar o nome muitas vezes. Mas advinha o que acontece? Ah, todo santo dia tá lá o canal parado na mesma emissora. O que mais me impressiona é o fato de toda e qualquer novela (ops, falei de novo) ser igualzinha a uma que já acabou. Sempre tem um/uma vilão(ã) que dependendo de sua perversidade tem um fim merecido. Se o vilão for ruim a novela inteira, morre tragicamente, num acidente, ou numa briga com o mocinho que por acidente o mata (claro, ele é mocinho e mocinho não mata), ou acaba louco trancafiado num manicômio. SEMPRE é assim, você sabe. Se o cara não é tão ruim assim ele apenas paga uma pena leve, que vai de perder a fortuna e viver na pobreza até ficar preso mesmo alguns anos e perder a fortuna e viver na pobreza.

O lance é que a coisa não muda. O mocinho é sempre o mocinho. Sempre enganado por alguém ou que tem uma irmã gêmea (essa é a pior) que se descobre no meio da história e essa irmã tenta atrapalhar os sonhos da outra (aaahhh Rutinhaaa). Bem, aí tem os(as) engraçados(as), que são personagens que dão um certo humor, na maioria das vezes, que faz o favor de colocar os chavões que cai na boca do povo. Basicamente é para falar da vida dos outros que os engraçados estão lá. Uns mais outros menos mas a fórmula não muda. A coisa se desenrola tão na cara que eu sento no sofá pra comer alguma coisa e tá aquele silêncio sepulcral e aflito de todos prestando aquela enorme atenção à tela. Eu fico olhando por alguns minutos e aí começo a fazer àquelas perguntas normais: “Ela é a vilã?” Um momento de silêncio incômodo é quebrado com a terrível voz de meucêtáincomodando: “É...”. “...Certo...” continuo “... e ela tem uma irmã gêmea que é boa?”. Mais três a quatro segundos depois vem a resposta no mesmo tom em si bemol: “Isso...”. Dou uma pausa pra não gastar a paciência alheia e faço mais uma: “E a boazinha não sabe da malvada, mas a malvada sabe da existência da boazinha, certo?”. Agora sinto que a paciência está à beira do penhasco lutando bravamente para agarrar qualquer coisa que a salve: “... é ...”. Um olhar frio é lançado em minha direção... “E tem uma mala/carta/revelação que vai ser dada no final que vai deixar a má em maus lençóis e por isso ela quer matar a boa, certo?”. “RODRIGO! EU TÔ ASSISTINDO!” Aí a paciência foi pro chapéu. Apesar que não deveria ir, pois eu já respondi perguntas assistindo às corridas de F1 do tipo: “Rodrigo, por que eles param para trocar o pneu a cada meia hora se o pneu do meu carro está lá faz mais de cinco anos?”

Bem, aí chegam os comerciais de sabão em pó ou cerveja, que talvez teria sido melhor continuar a novela. Aproveito pra perguntar mais uma coisa ou outra pra ver se pelo menos dessa vez algo mudou. Mas na verdade nada mudou. E as respostas normalmente vem no futuro, do tipo: “Ela vai escapar da doença...”. “E como você sabe?” pergunto ingênuamente. “Eu li no site/revista”. “Ué, mas se você leu, qual é a graça de assistir se você já sabe o que vai acontecer?” Azar o meu, pois voltou do comercial e minha resposta só ganha um “ Tz... á...”. Seja lá o que significa esse chupar dos dentes coaxado, algo ruim foi dito e tenho que me contentar com um implícito “porque sim” e pronto. Nem me arrisco a perguntar mais coisas, mesmo que a cena vai acabar da maneira mais óbvia possível. Na verdade as perguntas não eram por interesse de assistir a novela, mas para saber se algo enfim mudaria, se algo diferente aconteceria. Tem autor que coloca a mocinha sempre igual e o pior: Sempre com o mesmo nome de HELENA. Meu, é o fim. Não dá pra acreditar que a mesmice continua até no nome do personagem. Esse autor economiza até nos nomes. Dá pra acreditar? Bem, aí eu vou para meu quarto e deixo pra lá essa coisa de entender o motivo de não gostar de novelas. Uma coisa tão divertida dessas e eu não gosto. Você é chato mesmo, hein Rodrigo?

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Pobre


Segundo o dicionário Houaiss a palavra Pobre significa adj.2g.S.2g 1 que(m) tem poucas posses 2 que(m) é pouco favorecido 3 que(m) é digno de pena ~ GRAM como adj., sup.abs.sint: paupérrimo; aum.irreg.: pobretão. Vou tratar aqui do terceiro caso, ou seja, o camarada que dá dó de se ver. Digamos que é uma mistura de burrice com... burrice mesmo, deixando alguém com status de POBRE. Você deve ter uma tia ou um tio que rodou 40 km de carro pra comprar uma lata de ervilha no Supermercado Jambotão, porque lá essa lata custava R$ 0,13 mais barato que no Carrefour, e saiu contando vantagem. Ou quem deixa de comer um sorvete porque custa um real e fica com vontade. Mentalidade pobre. Pobre não é a condição financeira, mas o estado de espírito. É deturpar o valor das coisas, deturpando as prioridades. É não ter educação mínima (eu disse mínima). É ser pobre de cultura e pobre de espírito. Novamente, nada tem a ver com condição financeira, quero deixar claro.

Certa vez estava no ônibus indo para o trabalho quando o celular de alguém tocou. Logo, um homem que notoriamente era desfavorecido de posses (ou disfarçava muito bem) sacou o celular de mil e quinhentos reais e só desligou um bom tempo depois, falando alto. Falar alto é coisa de pobre, by the way. Comprar um celular caríssimo sem ter condições para tal é mais ainda. Não dar lugar no ônibus para mulheres grávidas fingindo que está dormindo é coisa de pobre. Querer levar vantagem em tudo, é coisa de pobre, claro que é. Ouvi certa vez que media-se o nível social das pessoas pela quantidade de dentes na boca. Acho que mede-se o nível cultural das pessoas pela sua pobreza espiritual. Um cara que compra um carro de R$ 60 mil e depois deixa na rua para não pagar o estacionamento de R$ 5,00 é pobre. E ainda reclama que bateram, riscaram, roubaram, etc. Ganhar vinte milhões e depois dar um churrasco para comemorar gastando só mil reais é coisa de pobre. Gritaria é coisa de pobre. Falar da vida dos outros é coisa de pobre. Acho que devemos lutar por mais educação, mesmo para àqueles que venceram na vida, mas continuam bem pobres. Aliás, isso é o que mais tem. Pessoas que montaram um negócio, que por pura sorte deu certo, e se julgam melhores que outras, mas na realidade são e vão continuar sendo POBRES. Meu amigo diz que são Tigres. Tigre é aquela pessoa que fala alto, quer contar vantagem, impressionar os outros com suas coisas. Você com certeza conhece muita gente assim. Humildade passou batido. Acham que o dinheiro compra tudo. Que as pessoas acham bonito o que fazem de ilegal. Que roubar é divertido, sonegando, enganando, mentindo. Pobres. Pobre-diabo. Quem concorda com suas atitudes também está no mesmo saco.

Esses dias estava me perguntando se é possível reverter essa situação. Se um indivíduo desses consegue se livrar desse título. Muitas vezes estão tão dentro da camada pífia que não saem mais de lá. Como trazer novamente uma pessoa dessas a uma vida menos medíocre, com mais “Ser” do que “Ter”? Bem, quem se considera amigo que fale. Para meus amigos eu falo. Tenho um defeito grave, muito chato, que é falar o que vejo. Isso atrapalha muito minha vida, mas não consigo esconder meus pensamentos. Se algo está errado, eu falo. Já me atrapalhei muitas vezes por causa disso. Fui taxado de chato, de reclamão, perdi oportunidades, etc, etc, mas quando me perguntam eu não minto. Falo a verdade. Desculpe, mas se você não quiser saber, não pergunte. Regra básica: Falem com seus amigos e conhecidos para deixarem de ser pobres. Sabe aquele cara que não te vê faz tempo e quando te vê, do outro lado do shopping, vem berrando como um porco sem focinho, com os braços abertos como um comercial de carro novo, e lhe dá aquele abraço que normalmente te tira a vértebra do lugar e nem muita acupuntura resolve? Pois é... Normalmente o chato é confundido com pobre, mas não é. O chato só é chato porque é carente, ou bobo mesmo. O pobre quer mostrar que ele é o melhor. Que sabe tudo, que já viajou para todos os lugares, que conhece tudo e todos, esse é o pobre. O chato só é chato, fala demais, reclama demais, mas o pobre faz tudo isso para o colocar em destaque, para que todos o vejam como alguém diferenciado. Na verdade ele é diferenciado, pois é POBRE! Já falei que gritar é coisa de pobre, né? Pois é, esse é o meu maior incômodo. Não gosto de gritaria, mas sei que às vezes eu exagero e acabo falando alto. Mas tenho consciência que não é certo, e na primeira bronca eu paro. Me incomoda ir almoçar e aquela mesa ao lado está parecendo um galinheiro em dia de mudança de ração. As mulheres parecem que moraram muito tempo do lado da cachoeira, e tinham que urrar para se comunicar. Aí as pessoas começam a falar mais alto para poderem se comunicar. Quando você pensa que não pode piorar, começa nessa mesma mesa: “PARABÉNS PRA VOCÊ...” Afe... Aí o Tigrão começa a berrar e esbofetear a mesa: “É PICA, É PICA”. Bonito demais. Bando de pobres. E já dizia Justo Veríssimo: Odeio pobre!

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Detalhes tão pequenos...


Eu me interesso por detalhes. Mas normalmente só os detalhes que me interessam. Não quero ouvir uma conversa longa sobre um dia no cabeleireiro, ou um passeio no supermercado, ou o final da novela, mas me interesso por detalhes de coisas que me interessam, lógico. Acho que acontece com você também. Conversa com muito detalhe vai ficando chata, monótona e se torna um monólogo, pois só uma pessoa fala e a outra torce. Torce pra acabar logo.

Me lembro que um dia minha avó foi ao médico e minha mãe foi levá-la. Cheguei em casa querendo saber o que tinha dado, o que o médico tinha falado e tal. Aí perguntei à minha mãe e ela começou o relato: “Então, saí daqui eram 8h34...” Já interrompi de cara dizendo: “Mãe, vamos para os gols. Não quero saber do jogo todo...”. E ela: “Calma, deixa eu contar...” Aí, eu sentei, respirei fundo e tentei matar minha curiosidade com contrações estomacais fortes até a conversa ser desenrolada como numa novela de Manoel Carlos, cheia de detalhes completamente irrelevantes para o caso (nossa, acabei de me lembrar de um amigo meu aqui do trabalho...). Bem, ouvi que ela teve dificuldade de estacionar, que um rapaz a ajudou a colocar o carro na vaga, por sinal um rapaz muito bom, novinho, com cabelo castanho, que estava parado lá na frente de bobeira, parecido com o fulano de tal... E por aí foi. Bem, chegamos à conversa com o médico. Aí me animei, sentei direito no sofá e disse pra mim mesmo: “Sim, é agora!”. Aí começou: “O consultório era limpinho, sabe? Tudo novinho... Uma recepcionista linda, parecia a Priscilla. Aí, o médico nos atendeu. Precisa ver... Ele era novo, bonitão assim, sabe? De bigode... Parecia o tio...” Ai, ai... Já me afundei de novo no sofá e só na cacetada pra cima da curiosidade de novo, que dessa vez revidava aos prantos dentro do meu estômago já incandescente. Depois de uma meia hora de conversa veio a informação que minha avó não tinha nada. Graças a Deus, pensei mas poderia ter me falado tudo isso em... deixa eu ver... 4 segundos! "Ai, você é muito chato, Rodrigo".

Bom, tudo isso posto para relatar que estou lendo o médico e o monstro. Sim, não tem muita coisa a ver com minha avó ter ido no médico, mas o fato é que procurei saber mais detalhes no livro “The Strange case of Dr. Jekyll and Mr.Hyde”. Detalhe esse que me interessa, já que a maioria nunca ouviu falar em Robert Louis Stevenson. Confesso que não lembrava o nome do autor também. Bem, resumindo, resolvi procurar a respeito desse livro depois de inúmeras referências em outras obras, tanto literárias como nos filmes, onde posso citar ao menos dois: A Liga Extraordinária (que Alan Moore me perdôe) e Van Helsing. Além do gibi já citado A Liga Extraordinária, de Alan Moore, que nada tem a ver com o podre filme, pois é um excelente gibi.

O que Hollywood pinta do monstro não tem muito a ver com o livro, já que o senhor Hyde é feio, um tanto deformado, mas nada de ter 4 metros de altura, meio homem meio Hulk, e ser completamente animal. Ele é uma pessoa pequena e muito estranha, chegando a dar repulsa nas pessoas que o odeiam nos primeiros segundos de contato. O livro é um relado do advogato Utterson em busca de saber quem é este enigmático Mr. Hyde e o motivo do renomado médico Dr. Jekyll ter deixado sua fortuna de herança para ele. Muito bem escrito, mas ainda não terminei de ler. Estou lendo-o junto com mais alguns outros. Tenho esse hábito estranho de ler vários livros ao mesmo tempo. Apesar de já ter tentado ler um de cada vez, parece que alguma coisa me atrai para ler um livro novo, ali parado me olhando... Ops! Desculpe se pareceu com os relatos da minha mãe... Vou finalizar já, espera, deixa eu contar...

Então, o fato é que acho interessante ler as obras originais ao invés de se basear nas referências dessa obra, que por muitas vezes deturpam a imagem que se tem dos personagens ou do sentido do livro em questão, como foi no caso da fisionomia e bestialidade do Mr. Hyde. Isso gera superficialidade no assunto e muitas confusões mentais. Recomendo aqui mais esse livro. E vamos para os gols! Ah, não... vamos esquecer o futebol por alguns dias...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Proibido Animais


Não importa aonde eu sente, que cinema eu vá, sempre atraio animais. Deveria existir uma placa proibindo os bichos dentro das sessões, mas mesmo assim as pessoas levam seus bichinhos e acham que estão agradando quem quer ver o filme. O bichinho pode até não ter culpa, coitado, por ser irracional, mas o dono deveria se tocar e ter um mínimo de educação e deixar seu pet em casa quando for para o cinema.


Ontem fui assistir Homem de Ferro, no Shopping Jardim Sul. Escolhi quarta-feira justamente porque no Shopping Jardim Sul não tem desconto de meia-entrada e assim as sessões ficam vazias, permitindo quem quer ver o filme realmente assisti-lo. Então, entrei primeiro, escolhi o lugar do meio pro fundo da sala e fiquei lá esperando. Eis então que as luzes se apagam e para minha surpresa uma menina entra com seu bichinho de estimação querido. Senta onde? Atrás da minha poltrona! É importante notar que esse tipo de pessoa entra com a sessão já rolando, para não dar tempo nem vontade de quem está lá mudar de lugar, pois está o maior breu e você pensa dez vezes antes de levantar. Bem, o fato é que entra a menina com seu namorado, no caso, o bichinho dela. E começa o filme e começa a anta a tagarelar. Foi o filme todo fazendo comentários ridículos, narrando as próximas cenas (parecia o Galvão Bueno), gritando a torto e à direito e chutando a minha cadeira. Ah, ele fazia os sons com a boca também, e talvez deveriam premiá-lo com o Oscar de melhor sonoplastia bucal. Fora as risadas fora de contexto (só quando ele entendia a piada) e o volume dessas risadas.

A pergunta que me fiz foi a seguinte: Por que será que um idiota como esse vai ver um filme como esse (de quadrinhos) em uma sessão como aquela num shopping como aquele? Não seria mais natural ele ir num sábado à noite, junto com um bando de adolescentes alucinados que também gritam como ele, atiram balas de goma na cabeça dos senhores e dão risada alta de cenas tristes? Por que uma anta acéfala lobotomizada dessas vai atrapalhar o pessoal que não é como ele, não se comporta como ele e tem algo que ele nunca vai ter que é educação? Será que ele achou que estava agradando? Que a maioria das pessoas não tem educação a gente já está careca de saber, mas foi por isso que escolhi aquela sessão, naquele cinema, naquele dia e naquele horário (20h40 da noite). Justamente para evitar os tigrões. Tigrão é aquela pessoa que se você está junto com ela você sente vergonha pela pessoa. Já sentiu isso? Essa pessoa sempre fala alto em locais públicos, arruma confusão, briga, ri em um milhão de decibéis, e atrapalha as sessões de cinema... O CHATO. Realmente é muito ruim ter que aguentar um treco desses ainda mais se você não está com o treco, mas apenas ficou perto por puro acidente.

Acho que vou criar o movimento “Não leve seu animal no cinema”. Será que a moda pega? Antes das sessões então deveríamos ter aqueles vídeos de proibido fumar, proibido celular e proibido animais. Deveríamos adestrar esses bichos ou então pedir encarecidamente às suas namoradas que não os levem junto. Deixe-os no pet-shop enquanto ela vê o filme.

Revolta é pouco. Mas o filme é muito bom. Vale a pena assistir, se você conseguir. Boa Sorte!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Divertidos e malucos


Estou lendo o segundo volume da série básica de 38 livros (isso mesmo, trinta e oito) do Terry Pratchett chamado “A Luz Fantástica”, da Editora Conrad. Essa série chamada Discworld conta a história de um Universo plano sobre as costas de quatro elefantes que por sua vez se equilibram no casco de uma gigante tartatuga, chamada Grande A'Tuin. Essa tartaruga vaga lentamente pelo vácuo do espaço. Essa série de livros já foi traduzida para 27 línguas, tamanha sua popularidade. Se você gosta de humor inglês, pode comprar sem medo de errar. Faço um pararelo do primeiro livro, chamado “A Cor da Magia”, onde tudo começa, com outra série de cinco livros do “Guia do Mochileiro das Galáxias” (Douglas Adams). Acredito que exista uma inspiração de Pratchett no Guia do Mochileiro (além de Tolkien, Robert Howard, H. P. Lovecraft e Shakespeare) pois ambos os livros contam histórias absurdas em situações mais absurdas ainda, basicamente com duas pessoas principais e um acompanhante engraçado, que no caso do livro de Pratchett é a bagagem de um dos personagens que é “viva” através de um tipo de magia. No livro de Douglas Adams é o Marvin, o divertidíssimo robô depressivo que acompanha Arthur Dent e Ford Prefect. Já no livro de Pratchett a bagagem acompanha a viagem de Duasflor e o mago Rincewind. A séria do mochileiro saiu em 1978 no rádio e virou livro em 1979. O Discworld teve sua primeira publicação em 1983.


Essa série de livros tem como objetivo principal não ter objetivo nenhum, e você se vê num ambiente completamente pirado, com tiradas de humor geniais e outras tão malucas que a risada é a sua única companheira. Difícil explicar o que se trata, já que não se trata de nada plausível. O livro de Pratchett (Série Discworld – A Cor da Magia) conta histórias sobre esse universo maluco e as trapalhadas do mago Rincewind (nos primeiros volumes). O livro de Douglas Adams (Série Guia do Mochileiro) baseia-se nas aventuras de Arthur Dent, da Inglaterra, na situação em que o planeta Terra está sendo destruído (ou demolido) pelos Vogons para a construção de uma via expressa hiperespacial (!), que por acaso passaria por aqui. Idéias absurdas e aventuras divertidas é o que essas duas séries conferem para quem a experimenta. Não dá para explicar muito mas vale a pena ler. Recentemente saiu um filme do Guia do Mochileiro das Galáxias, mas nem se compara ao livro.

Existem frases malucas e aparentemente soltas no livro como por exemplo no Guia do Mochileiro: “A poesia vogon é, como todos sabem, a terceira pior do Universo. Em segundo lugar vem a poesia dos azgodos de Kria. Durante um recital em que seu Mestre Poeta, Gruntos, o Flatulento, leu sua 'Ode ao pedacinho de massa de vidraceiro verde que encontrei no meu sovaco numa manhã de verão', quatro pessoas da platéia morreram de hemorragia interna, e o presidente do Conselho Centro-Galático de Marmelada Artística só conseguiu sobreviver roendo uma de suas próprias pernas completamente. (...) A pior poesia de todas desapareceu com sua criadora, Paula Nancy Millstone Jennings, de Greenbridge, Essex, Inglaterra, com a destruição do planeta Terra.” - O Guia do Mochileiro das Galáxias, capítulo 7, página 71. Esse trecho é uma brincadeira de Adams para com seu amigo de escola Paul Neil Milne Johnstone. Já o livro de Pratchett conta com situações também divertidas como por exemplo a explicação da palavra Taumo: “Taumo é a unidade básica de força mágica. Foi estabelecido universalmente como a quantidade de magia necessária para fazer surgir um pombinho branco ou três bolas de bilhar de tamanho padrão”. A Luz Fantástica, página 40.


Curiosidades à parte, um site tradutor online famoso é o babel fish, que tem esse nome devido à uma referência no livro do Guia do Mochileiro das Galáxias de um peixe chamado Peixe Babel usado para tradução simultânea quando enfiado no ouvido.


Vale a pena conferir.