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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Barulho


Não gosto de barulho. Não é qualquer barulho que não gosto. Num show de Rock, eu gosto. Numa festa, eu gosto (até certo horário), numa reunião de amigos, também. Não gosto de um tipo de barulho específico: O que não deveria existir naquele momento. Exemplo: Vizinha arrastando a cama às 2h da manhã, pessoas buzinando no trânsito às 6h, celular tocando no escritório com a música do Chiclete com Banana, etc. Aliás, por que alguém buzina no trânsito? Acaso ele é movido a som? Buzina deveria gastar, e deveria ser cara para repor, assim as pessoas economizariam e somente fariam aquele barulho desagradável se fosse muito necessário.

O barulho, segundo a Wikipédia, causa problemas de audição, hipertensão, doença isquêmica do coração, stress, tristeza e distúrbios do sono (sem contar o desejo psicopático de esfaquear alguém). Teve até um juiz no Colorado, Estados Unidos, que sentenciou as pessoas barulhentas a ouvirem Barry Manilow. Eu preferiria a morte.

Agora, por que alguém faz barulho? E detalhe: Por que alguém faz barulho sozinho? Exemplo: Motoqueiros. Não estou falando só de motoboy que é um caso à parte, mas o camarada que vai e compra aquela desgraça de moto com escapamento de Dragster. Sério? Você é tão sozinho assim que precisa chamar atenção com barulho? Já pensou que ter uma conversa inteligente pode resolver melhor seu problema que montar num dinossauro flatulento? Outra situação: Quando você entra no ônibus ou metrô, cheio, fim de tarde, cansado, e tem um infeliz, filho de primos, que está ouvindo funk no celular sem fone de ouvido. Não dá pra acreditar na cena. O cara ali, sozinho, cara de bobo, se achando o Waldick Soriano do vagão, movendo o pescoço igual àqueles cachorrinhos de gesso de taxista, pensando que tem várias meninas ali loucas para dar pra ele só porque ele gosta do Funk do Pesadão.

Outro caso bizarro, a meu ver. O cara tem um Uno. Se bater em alguém com o carro a pessoa morre de tétano de tanta ferrugem. Ano: 1990. Preço: R$ 5.000,00. Valor do som: R$ 10.000,00. Como pode? Aí ele para no posto de gasolina, compra uma kaiser, abre o porta-malas daquela ximbica e coloca um pagodão, daqueles bem legais de serem ouvidos 1h da manhã de um domingo. Não pode ter nada pior, né? Ah pode. Sempre pode piorar. Biblioteca da faculdade. Um grupo fazendo um escarcéu do seu lado, e você só está ali porque queria silêncio para ler. Eles sabem o que seria uma biblioteca? E reclama pra ver. O barulho triplica, com certeza.

O detalhe que me intriga é que quem faz barulho tem mau gosto. Tirando os que moram do lado de cachoeira, pois falam gritando normalmente, aqueles barulhentos que ouvem “música” ouvem aquelas desgraças de pagode, funk, axé, bundalelê, sertanejo novo, e outros ritmos desagradáveis com letras acéfalas. Por que não colocam Mozart? Ou Beatles? Por que sempre tem que ser a Joelma do Calypso? Ou o bonde do não sei quem? Preconceito musical? Ah, vá se catar! Eu tenho direito de não gostar dessa porcaria, e pode reparar: Os barulhentos são os que tem esse péssimo gosto. Ninguém é barulhento ouvindo Chopin e bebendo Châteauneuf du Pape. É ouvindo Victor & Leo e bebendo chapinha. De preferência direto da garrafa de “prástico” mesmo.

Desagradável também é quem quer falar no celular bem alto, para todo mundo ali saber que ele pegou a Cleudislete no sábado enquanto o marido dela fazia o churrasco na laje. Já atende o telefone do seu lado, berrando na sua orelha, assim: E AÊ MANO? SÓ NA “PAIZ” DO MACACO? Juro que ouvi isso numa segunda-feira, de manhã, indo para o trabalho. E a conversa só piorou dali para frente. Tirando os erros de português que nem dá pra comentar mais, porque é preconceito linguístico, a conversa foi numa baixaria que é inenarrável. E óbvio, no volume máximo, porque o infeliz era pegador e queria deixar isso bem claro para todos os surdos num raio de 10 km.

Suplico a você também, que gosta de tirar fiapo de manga do dente às 7h da manhã no trem: Não faça isso. Compre um fio dental. Resolve melhor e muito mais rápido. E você que gosta de ouvir sua música mequetrefe, compre um fone de ouvido e coloque no máximo se quiser. Só não perturbe os outros.

Tem a cena barulhenta clássica também: A tia que gosta de gritar com a criança, no meio do shopping: “NÃO CORRE, GEISISLANE! QUANDO CHEGAR EM CASA VOCÊ VAI VER! EU VOU TE ARREBENTAR!”. Vai o que? Não ouvi direito. Fala um pouco mais alto aqui no outro ouvido, porque esse a senhora já estragou. Apanhar é bem melhor que ouvir os urros dela, aposto.

Observei uma outra cena um tanto estranha. Um americano que veio provavelmente visitar a empresa aqui no Brasil e um grupo de pessoas que arranhavam um inglês “Falconês” tentando se comunicar com o camarada. Porém aos berros. Do tipo “ÁI LAIQUE DIS RETORANTI! IS GUDI. IU QUEM COMI RIAR ENITAIME.” A pessoa falava e o cara ficava piscando duro, meio assustado com os gritos. O cara era americano, não surdo! Agora nem sei mais se continua ouvindo bem.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Proibido Animais


Não importa aonde eu sente, que cinema eu vá, sempre atraio animais. Deveria existir uma placa proibindo os bichos dentro das sessões, mas mesmo assim as pessoas levam seus bichinhos e acham que estão agradando quem quer ver o filme. O bichinho pode até não ter culpa, coitado, por ser irracional, mas o dono deveria se tocar e ter um mínimo de educação e deixar seu pet em casa quando for para o cinema.


Ontem fui assistir Homem de Ferro, no Shopping Jardim Sul. Escolhi quarta-feira justamente porque no Shopping Jardim Sul não tem desconto de meia-entrada e assim as sessões ficam vazias, permitindo quem quer ver o filme realmente assisti-lo. Então, entrei primeiro, escolhi o lugar do meio pro fundo da sala e fiquei lá esperando. Eis então que as luzes se apagam e para minha surpresa uma menina entra com seu bichinho de estimação querido. Senta onde? Atrás da minha poltrona! É importante notar que esse tipo de pessoa entra com a sessão já rolando, para não dar tempo nem vontade de quem está lá mudar de lugar, pois está o maior breu e você pensa dez vezes antes de levantar. Bem, o fato é que entra a menina com seu namorado, no caso, o bichinho dela. E começa o filme e começa a anta a tagarelar. Foi o filme todo fazendo comentários ridículos, narrando as próximas cenas (parecia o Galvão Bueno), gritando a torto e à direito e chutando a minha cadeira. Ah, ele fazia os sons com a boca também, e talvez deveriam premiá-lo com o Oscar de melhor sonoplastia bucal. Fora as risadas fora de contexto (só quando ele entendia a piada) e o volume dessas risadas.

A pergunta que me fiz foi a seguinte: Por que será que um idiota como esse vai ver um filme como esse (de quadrinhos) em uma sessão como aquela num shopping como aquele? Não seria mais natural ele ir num sábado à noite, junto com um bando de adolescentes alucinados que também gritam como ele, atiram balas de goma na cabeça dos senhores e dão risada alta de cenas tristes? Por que uma anta acéfala lobotomizada dessas vai atrapalhar o pessoal que não é como ele, não se comporta como ele e tem algo que ele nunca vai ter que é educação? Será que ele achou que estava agradando? Que a maioria das pessoas não tem educação a gente já está careca de saber, mas foi por isso que escolhi aquela sessão, naquele cinema, naquele dia e naquele horário (20h40 da noite). Justamente para evitar os tigrões. Tigrão é aquela pessoa que se você está junto com ela você sente vergonha pela pessoa. Já sentiu isso? Essa pessoa sempre fala alto em locais públicos, arruma confusão, briga, ri em um milhão de decibéis, e atrapalha as sessões de cinema... O CHATO. Realmente é muito ruim ter que aguentar um treco desses ainda mais se você não está com o treco, mas apenas ficou perto por puro acidente.

Acho que vou criar o movimento “Não leve seu animal no cinema”. Será que a moda pega? Antes das sessões então deveríamos ter aqueles vídeos de proibido fumar, proibido celular e proibido animais. Deveríamos adestrar esses bichos ou então pedir encarecidamente às suas namoradas que não os levem junto. Deixe-os no pet-shop enquanto ela vê o filme.

Revolta é pouco. Mas o filme é muito bom. Vale a pena assistir, se você conseguir. Boa Sorte!