quinta-feira, 8 de maio de 2008

Proibido Animais


Não importa aonde eu sente, que cinema eu vá, sempre atraio animais. Deveria existir uma placa proibindo os bichos dentro das sessões, mas mesmo assim as pessoas levam seus bichinhos e acham que estão agradando quem quer ver o filme. O bichinho pode até não ter culpa, coitado, por ser irracional, mas o dono deveria se tocar e ter um mínimo de educação e deixar seu pet em casa quando for para o cinema.


Ontem fui assistir Homem de Ferro, no Shopping Jardim Sul. Escolhi quarta-feira justamente porque no Shopping Jardim Sul não tem desconto de meia-entrada e assim as sessões ficam vazias, permitindo quem quer ver o filme realmente assisti-lo. Então, entrei primeiro, escolhi o lugar do meio pro fundo da sala e fiquei lá esperando. Eis então que as luzes se apagam e para minha surpresa uma menina entra com seu bichinho de estimação querido. Senta onde? Atrás da minha poltrona! É importante notar que esse tipo de pessoa entra com a sessão já rolando, para não dar tempo nem vontade de quem está lá mudar de lugar, pois está o maior breu e você pensa dez vezes antes de levantar. Bem, o fato é que entra a menina com seu namorado, no caso, o bichinho dela. E começa o filme e começa a anta a tagarelar. Foi o filme todo fazendo comentários ridículos, narrando as próximas cenas (parecia o Galvão Bueno), gritando a torto e à direito e chutando a minha cadeira. Ah, ele fazia os sons com a boca também, e talvez deveriam premiá-lo com o Oscar de melhor sonoplastia bucal. Fora as risadas fora de contexto (só quando ele entendia a piada) e o volume dessas risadas.

A pergunta que me fiz foi a seguinte: Por que será que um idiota como esse vai ver um filme como esse (de quadrinhos) em uma sessão como aquela num shopping como aquele? Não seria mais natural ele ir num sábado à noite, junto com um bando de adolescentes alucinados que também gritam como ele, atiram balas de goma na cabeça dos senhores e dão risada alta de cenas tristes? Por que uma anta acéfala lobotomizada dessas vai atrapalhar o pessoal que não é como ele, não se comporta como ele e tem algo que ele nunca vai ter que é educação? Será que ele achou que estava agradando? Que a maioria das pessoas não tem educação a gente já está careca de saber, mas foi por isso que escolhi aquela sessão, naquele cinema, naquele dia e naquele horário (20h40 da noite). Justamente para evitar os tigrões. Tigrão é aquela pessoa que se você está junto com ela você sente vergonha pela pessoa. Já sentiu isso? Essa pessoa sempre fala alto em locais públicos, arruma confusão, briga, ri em um milhão de decibéis, e atrapalha as sessões de cinema... O CHATO. Realmente é muito ruim ter que aguentar um treco desses ainda mais se você não está com o treco, mas apenas ficou perto por puro acidente.

Acho que vou criar o movimento “Não leve seu animal no cinema”. Será que a moda pega? Antes das sessões então deveríamos ter aqueles vídeos de proibido fumar, proibido celular e proibido animais. Deveríamos adestrar esses bichos ou então pedir encarecidamente às suas namoradas que não os levem junto. Deixe-os no pet-shop enquanto ela vê o filme.

Revolta é pouco. Mas o filme é muito bom. Vale a pena assistir, se você conseguir. Boa Sorte!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Divertidos e malucos


Estou lendo o segundo volume da série básica de 38 livros (isso mesmo, trinta e oito) do Terry Pratchett chamado “A Luz Fantástica”, da Editora Conrad. Essa série chamada Discworld conta a história de um Universo plano sobre as costas de quatro elefantes que por sua vez se equilibram no casco de uma gigante tartatuga, chamada Grande A'Tuin. Essa tartaruga vaga lentamente pelo vácuo do espaço. Essa série de livros já foi traduzida para 27 línguas, tamanha sua popularidade. Se você gosta de humor inglês, pode comprar sem medo de errar. Faço um pararelo do primeiro livro, chamado “A Cor da Magia”, onde tudo começa, com outra série de cinco livros do “Guia do Mochileiro das Galáxias” (Douglas Adams). Acredito que exista uma inspiração de Pratchett no Guia do Mochileiro (além de Tolkien, Robert Howard, H. P. Lovecraft e Shakespeare) pois ambos os livros contam histórias absurdas em situações mais absurdas ainda, basicamente com duas pessoas principais e um acompanhante engraçado, que no caso do livro de Pratchett é a bagagem de um dos personagens que é “viva” através de um tipo de magia. No livro de Douglas Adams é o Marvin, o divertidíssimo robô depressivo que acompanha Arthur Dent e Ford Prefect. Já no livro de Pratchett a bagagem acompanha a viagem de Duasflor e o mago Rincewind. A séria do mochileiro saiu em 1978 no rádio e virou livro em 1979. O Discworld teve sua primeira publicação em 1983.


Essa série de livros tem como objetivo principal não ter objetivo nenhum, e você se vê num ambiente completamente pirado, com tiradas de humor geniais e outras tão malucas que a risada é a sua única companheira. Difícil explicar o que se trata, já que não se trata de nada plausível. O livro de Pratchett (Série Discworld – A Cor da Magia) conta histórias sobre esse universo maluco e as trapalhadas do mago Rincewind (nos primeiros volumes). O livro de Douglas Adams (Série Guia do Mochileiro) baseia-se nas aventuras de Arthur Dent, da Inglaterra, na situação em que o planeta Terra está sendo destruído (ou demolido) pelos Vogons para a construção de uma via expressa hiperespacial (!), que por acaso passaria por aqui. Idéias absurdas e aventuras divertidas é o que essas duas séries conferem para quem a experimenta. Não dá para explicar muito mas vale a pena ler. Recentemente saiu um filme do Guia do Mochileiro das Galáxias, mas nem se compara ao livro.

Existem frases malucas e aparentemente soltas no livro como por exemplo no Guia do Mochileiro: “A poesia vogon é, como todos sabem, a terceira pior do Universo. Em segundo lugar vem a poesia dos azgodos de Kria. Durante um recital em que seu Mestre Poeta, Gruntos, o Flatulento, leu sua 'Ode ao pedacinho de massa de vidraceiro verde que encontrei no meu sovaco numa manhã de verão', quatro pessoas da platéia morreram de hemorragia interna, e o presidente do Conselho Centro-Galático de Marmelada Artística só conseguiu sobreviver roendo uma de suas próprias pernas completamente. (...) A pior poesia de todas desapareceu com sua criadora, Paula Nancy Millstone Jennings, de Greenbridge, Essex, Inglaterra, com a destruição do planeta Terra.” - O Guia do Mochileiro das Galáxias, capítulo 7, página 71. Esse trecho é uma brincadeira de Adams para com seu amigo de escola Paul Neil Milne Johnstone. Já o livro de Pratchett conta com situações também divertidas como por exemplo a explicação da palavra Taumo: “Taumo é a unidade básica de força mágica. Foi estabelecido universalmente como a quantidade de magia necessária para fazer surgir um pombinho branco ou três bolas de bilhar de tamanho padrão”. A Luz Fantástica, página 40.


Curiosidades à parte, um site tradutor online famoso é o babel fish, que tem esse nome devido à uma referência no livro do Guia do Mochileiro das Galáxias de um peixe chamado Peixe Babel usado para tradução simultânea quando enfiado no ouvido.


Vale a pena conferir.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Peixe babel


Estava conversando com meus amigos no almoço e resolvi voltar ao assunto sobre traduções, conforme disse no artigo do livro O Físico. Agora sou obrigado a citar que estive conversando com meus amigos todas as vezes que for escrever um novo post, pois da última vez deu o maior barraco.

Bem, estavamos falando mais especificamente de traduções dos nomes dos filmes para o português. Vou expressar minha opinião e sei que muitos podem não concordar, me achar radical demais, xiita, etc, mas quero expor aqui o que penso sem muito radicalismo. Os nomes dos filmes deveriam ter sua tradução exata do inglês, ou pelo menos o seu sentido, quando a tradução ao pé da letra não deve ser feita. A língua inglesa é complicada por não ter origem direta da língua latina, e muitas vezes algumas coisas ficam completamente sem sentido, como por exemplo “Out of blue” ou “Out of the blue” significar “Do nada” quando se fossemos traduzir ao pé da letra ficaria algo como “fora do azul” que não tem nada a ver. Mas o pessoal aqui costuma sacanear a coisa, como a maioria das coisas no Brasil, e aí descamba para a palhaçada. Acho que em muitas vezes os tradutores acabaram de se matricular num curso de inglês da Escolinha da Tia Naná, pois não é possível o que fazem por aí. O pior de tudo são nomes que ferem o sentido do filme, como por exemplo a tradução de “Jay & Silent Bob Strike Back”, filme de Kevin Smith que é uma continuação da dupla Jay e o Silent Bob do filme Clerks, um marco do mundo nerd, ficou como “O Império (do besteirol) Contra-Ataca”. Ridículo é pouco. Nota-se claramente que a anta que traduziu não tinha a menor idéia que filme era esse. Aí as desculpas são: “Ah, mas se colocar o filme direto do inglês não vende”. Gente, esse filme é filme NERD, não é para sua titia assistir. Tem que saber quem é Kevin Smith, tem que ter assistido Clerks (que não tem no Brasil) e tem que ser Nerd para entender. Se você pegar a sua sogra e mostrar esse filme para ela, é claro que ela vai achar uma bosta. Ela viu Clerks? Ela é Nerd? Ela sabe quem é Kevin Smith? Conhece o gênero? Então vá ver Xuxa e os Duendes, pô. Não sacaneia quem sabe que filme é esse. Os nomes dos filmes pornográficos são excelentes, pois quem os assiste não quer saber de história nem de roteiro, apesar de alguns serem exagerados, como “The power machine girl” ser traduzido para “Socorro, façam minha mulher parar de gozar!”. Muito bom...

Alguns exemplos ridículos: Evil Dead foi traduzido para “Uma Noite Alucinante”. Pára! É o primeiro trabalho do Brian Singer (Superman - O Retorno, X-Men 1 e 2) e também um marco Nerd que o pessoal revolveu achar que era bom traduzir para que sua avó fosse aos cinemas. Outro: “Breakfast at Tiffany's” virou “Bonequinha de Luxo”. Tudo a ver.

E quando não entendem o filme e resolvem traduzir assim mesmo? Aí vem aquelas coisas como: “Onde os Fracos Não Tem Vez”. O título original é “No Country for Old Men”, pois nota-se um sentido também quanto ao personagem de Tommy Lee Jones (O velho policial) perseguindo o bandido, mas ele já está velho (OLD) e daí a trama do nome do filme. Agradeço ao meu amigo Garcia por essa observação (tá vendo, agora coloquei a referência).

Outra coisa mais ridícula é colocar o nome em inglês e depois uma espécie de explicação, como em “Pulp Fiction, Tempo de Violência”, como se Pulp Fiction significasse “Tempo de Violência”. “Jurassic Park, O Parque dos Dinossauros”, como se a palavra Jurassic não tivesse nada a ver com o período da era mesozóica. Absurdos... E outra: “Jaws” foi traduzido como “Tubarão”, claro. Já que Jaws são mandíbulas, poderia facilmente ser “traduzido” como o Tubarão, né? Outra coisa são aqueles filmes que pelo nome você nem se aventura a ver, como as terminações de filmes como “...do barulho”, “... muito louco”, “... é demais”, “... do futuro” ou os que iniciam em “Deu a louca...”.

A imaginação é o forte desse pessoal que traduz os filmes. Eles pelo menos poderiam de se dar o trabalho de assistir ao menos um pedaço do filme para saber do que se trata antes de passar o rótulo. Talvez não teríamos títulos como “A Noviça Rebelde” (The Sound Of Music) ou “Deu a Louca na Chapeuzinho” (Hoodwinked), onde a Chapeuzinho, no caso, é a normal da história. O filme “Amnésia” trata-se de um cara que NÃO TEM amnésia, como ele mesmo diz no filme. O título original é “Memento”, ou lembrança. Esse então é bravo: “Mata-me de prazer” tem o seu título original de “Killing Me Softly”, ou Mata-me Lentamente, que deixou a confusão do nome para que as pessoas levassem o RG no cinema para poder entrar na sessão, imaginando algo mais forte.

Portanto minha opinião é essa: Não mudem a tradução! Traduzam o que é (ou seu sentido quando a tradução é impossível). Assim evitaríamos essa palhaçada de nomes e tradutores ignorantes, permitindo ao público decidir assistir ao filme ao invés de desistir já no título. As traduções ridículas para chamar público até que poderiam fazer sentido no passado, mas hoje já perderam totalmente o nexo de existir.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Out of Blue


O assunto é bastante denso mas eu gostaria de pelo menos começar a falar sobre isso. Você ter dúvidas é perfeitamente normal. Você achar que sua fé é pouca, e assim não teria subsídios de entrar no Reino dos Céus, é um mal entendimento. Vamos à história. Antigamente, na época de Moisés, existia a Lei. A Lei era soberana de Deus e quem desobedecia pagava o preço dessa desobediência, muitas vezes com a vida. Bem, o mundo caminhou assim por muito tempo. Aí Deus enviou Jesus. Muito bem, vamos ver o que aconteceu. Jesus carregou com Ele o pecado do mundo, todos sabem disso mas poucos entendem realmente. O que significa carregar o pecado do mundo? Significa que se você matar alguém hoje, Deus não vai lhe matar. Por que? Porque Jesus morreu para carregar esse suposto pecado com Ele. Então, se você matar alguém a Graça de Deus ainda pode te salvar. É justo? Sim, pois Deus só enviou o filho Dele, perfeito, para morrer por nós, então a outra ponta da balança é a podridão do homem, seus pecados, que balanceiam com a perfeição de Jesus, que cumpriu toda a lei de Deus e ainda carregou os pecados inocente.

Se você acha a Bíblia muito complicada, saiba que não está sozinho. Por isso Jesus veio e disse o seguinte: Gente, vamos facilitar as coisas aqui. Vocês precisam entender basicamente dois mandamentos: Um é para amar a Deus acima de qualquer coisa. Isso significa amar a Deus sobre todas as coisas, ou seja, mais que seu filho, mais que sua esposa, mais que seu periquito, emprego, cachorro, comida preferida e por aí vai. E mais que você mesmo. A segunda coisa que Jesus disse é: Ame seu próximo como Eu vos amei. Se você fizer essas duas coisas, tá mais que ótimo. Aí agora é só crer em Jesus, que ele é o próprio Deus que ressucitou em carne e osso e foi pro Céu, ficando à direita do Pai. Está acompanhando? Jesus disse “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai se não por mim” Isso está em João 14:6. Quer dizer o quê?

Você vai pro Céu se for bonzinho?

Não!

Você vai para o Céu se for Católico ou Crente ou de qualquer outra religião?

Não!

Você vai para o Céu somente se tiver vivido uma vida descente?

Não!

Ah tá, mas se eu pedir pra virgem Maria eu tô lá, né?

Opa, não também.

E pro Santo Expedido que eu pedi tanto?

Putz, jogou seu tempo fora...

E passe, serve?

Hum... nem de metrô da linha celeste.

Filho, você só sobe pra lá se crer em Jesus. Tá entendendo? É muito simples, mas o povo complica demais. Aí fazem religiões e mais religiões. Umas não pode comer carne de porco. Outras não podem trabalhar no sábado. Outras não cortam o cabelo. Outras com regras mais absurdas... Isso ajuda a ir pro Céu? NÃÃÃÃÃOOO! Pára de se confundir, filho. Isso só gera briga de irmãos. É ateu pra lá, herege pra cá, macumbeiro assim, fanático assado... Pra quê isso? Me fala?

Se fosse muito complexo ir para o Céu, que fosse preciso um vasto estudo da palavra e tal, você acha que os analfabetos iriam para o céu? Acha que as crianças iriam? Acha que a Carla Perez iria? E seria justo isso? Bem... no caso da Carla Perez... Olha, eu não sou Deus... Não tenho essa Graça toda...


Ir para o Céu = Crer em Jesus. That’s it! Aí, crendo em Jesus faz o seguinte: 1) Ame a Deus sobre todas as coisas e 2) Ame o próximo como Jesus Cristo nos amou. Um montão de conseqüências vem com isso, sabia? Você não vai matar, não vai roubar, vai dar bom testemunho, vai amar os outros, vai fazer boas obras, vai ajudar, vai respeitar os pais, etc, etc... (parece com a lei...)

Deus na sua infinita Graça (essa palavra é inexplicável, mas quer dizer algo como “você não merece mas Eu te dou sem cobrar nada”), nos dá a salvação. Não precisa de boas obras, nem ser bonzinho, nem parar de beber, nem deixar a sovaqueira peluda, nem pedir pros guias (aliás, eu peço pros guias quando estou procurando as ruas, mas isso é outra coisa).

Esse artigo é meio do nada, mas acho que precisava escrevê-lo. Tá, mas tudo isso que escrevi é fácil de fazer? Também não, mas vale a pena tentar. Ô se vale.



PS: "Out of blue" significa "Do nada", como esse artigo me veio à cabeça.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Ler ou não ler?


Existe uma forte campanha implícita apologética da leitura, que rola nos meios acadêmicos e em poucas rodas sociais (no bom sentido, é claro). O incentivo é ler. Leia qualquer coisa, mas leia. Acabei de ler o livro que fala para não lermos mais livros (que paradoxo!). Enfim, fiquei curioso após ler a resenha do livro em uma dessas revistas semanais, na qual o camarada que estava resumindo o livro obviamente não o leu. Na verdade nem passou perto de lê-lo, sendo fiel até demais do título. “Como falar de livros que não lemos?” trata com respeito o incentivo não à não-leitura, mas como se situar no mar de livros que existem por aí e que algumas vezes alguém se vê obrigado a discutir determinado livro que não leu, mas apenas ouviu falar. O livro é de um professor de literatura francês (!) chamado Pierre Bayard que prega sobre o conhecimento de uma determinada obra ser mais válido não por meio do conhecimento completo do conteúdo todo do livro, mas apenas do que trata o livro e pela situação em este se encontra num comparativo com outras obras numa determinada época.

É um livro interessante, embora muito do que ele prega fica longe da realidade, principalmente aqui no Brasil. Por exemplo, ele prega muito contra a vergonha de dizer que não leu determinada obra, como se nós brasileiros tivéssemos alguma vergonha de não ter lido algum livro. Nesse ponto ele se distancia muito, já que no Brasil alguém que lê muito é considerado estranho pela maioria da população brasileira que a cada dia fica mais ignorante e não-qualificada, como todos já sabem (ou pelo menos deveriam).

Uma outra coisa interessante que gostaria de saber é o motivo de mudarem a capa dos livros após traduzi-los. Alguém poderia me dizer por que pega-se uma capa legal e faz-se um trabalho porcaria? Não posso reclamar muito, já que pelo menos o nome do livro não é mudado, ao contrário dos nomes dos filmes (com exceção do Físico que é Médico, conforme artigo anterior), mas mudar a capa é muito estranho pra mim. A capa da versão em inglês está no começo do artigo, mas já a capa brasileira é horrível. Depois procure pra você ver.


Vale a pena ler esse livro? Eu acho que não. Um bom artigo resolveria, pois senti uma certa enrolação, citando muitas obras para dizer a mesma coisa. Pontos fortes do livro: Uma discussão sobre uma mulher que vai até uma tribo da África para encenar Hamlet à um grupo indígena distante da civilização, achando que eles iriam entender a obra (sendo a obra de entendimento universal para ela), o que não acontece, pois os índios não acreditam em fantasmas...

Outro ponto legal é uma longa discussão sobre “O Nome da Rosa”, livro excelente que eu li e Bayard dá uma resumida muito boa na obra, me fazendo lembrar de detalhes há muito tempo esquecidos. Bem, eu daria uma nota 5,5 ao livro. Não é nada de mais.

segunda-feira, 17 de março de 2008

(De) Serviço


Por que será que a área de serviços no Brasil é tão ruim? Pra onde a gente olha é uma coisa pior que a outra. Pense em um serviço no Brasil que funcione direito... Ah tá, pensou em um, né? Agora, quanto ele custa? É caro, né? Pois é, os serviços razoáveis são impagáveis. Os pagáveis são imprestáveis. E assim caminha o povo brasileiro, acostumado a votar no Lula porque vai ganhar 100 cruzeiro no final do mês por ninhada de filho que tiver.

Esses dias me ligaram da TV a cabo pra fazer uma troca pela TV digital. Ótimo, pensei, pois vou ter os mesmos canais e mais o telefone deles e pagar menos. Ah tá, claro que foi assim fácil. Primeiro a coisa não funcionava, e eu ligando no maldito telefone do call center para ouvir aquele bacanal de gerundismo costumeiro e muita demora para o camarada conseguir ao menos entender o que eu estava dizendo. Eu dizia, “não funciona” e ele dizia: “Então veja o código do cartão atrás do aparelho”. Eu replicava: “Não tem cartão atrás do aparelho, o meu fica na frente do aparelho e não tem número nenhum nele”. “TEM SIM, SENHOR! O CARTÃO ESTÁ ATRÁS DO APARELHO”, esbravejava a fulaninha ao telefone. Eu tentava calmamente dizer para a anta que meu cartão vinha na frente do aparelho e desprovido de código, onde teria que arrancar o cartão pra ver o tal código. Ela esbravejava mais ainda, com toda a força de seus pulmões, como se estivesse com o namorado na linha após descobrir que ele traçou a sua melhor amiga: “É ATRÁS DO APARELHO E NÃO É PRA TIRAR O CARTÃO!”. Bem, eu tentava replicar de novo mas a ligação era interrompida, pois a fulaninha traída desligava na minha cara. O parto durou com mais três atendentes, até que enfim consegui falar com um ser humano, com pelo menos dois neurônios, que ao invés de descontar sua doença sexual em mim resolveu entender o que estava acontecendo. Ai ele disse: “Ahhhh, o senhor deve estar com o modelo novo de aparelho”... Ou seja, tinham instalado aparelhos novos e simplesmente esqueceram de adestrar os funcionários do call center, jogando biscoitinhos para eles e mandando-os pular nas argolas certas. Bem, nem preciso dizer que TV a cabo era essa, mas já digo que é uma famosa de São Paulo.

Mas a coisa não fica muito diferente não. Qualquer uma é a mesma coisa. Quando te vendem, normalmente te enganam, pois contam com a justiça brasileira, que é uma verdadeira piada. Se eu resolvesse processar essa empresa levaria uns bons vinte anos e provavelmente ela ganharia o processo. Telefonia então nem se fala. Nada presta. Você vai de uma operadora pra outra e a coisa continua igual. Hoje achei uma que mais ou menos funciona e graças a Deus não preciso ligar pro serviço de call center. Mas quase todos os serviços no Brasil são assim, desde bancos até moto boy. Nada funciona direito. Até quando será que deveremos ficar nessa inércia de ter que engolir o que tem por aí? Acho que a solução é o voto, melhorando a qualidade do que está lá no congresso, para que possam fazer cumprir as leis e os processos durarem menos. Aí, se todos processam com chances de ver sua causa ganha, talvez as empresas comecem a fazer serviços melhores, com medo da justiça. Hoje a justiça só assusta pobre, pois para pobre ela existe mas para rico existe jurisprudência. É isso.

sexta-feira, 14 de março de 2008

O Físico, mas é o médico


Acabei de ler o livro “O Físico”. Apesar de ter esse título, o nome deveria ser “O Médico”, já que em inglês chama-se “The Physician”, ou seja, O M-é-d-i-c-o. Já físico em inglês é Physicist, e realmente dá pra confundir, mas não dá é pra traduzir assim e ninguém ter a curiosidade de pegar um dicionário e dizer: “Ô cara, é Médico e não Físico”. O pior é que a história passa-se no ano de 1030 mais ou menos, ou seja, nem existia essa profissão. E ainda além da tradução, colocaram abaixo do título “A epopéia de um médico medieval”. Aí é demais... Mas, deixa pra lá, vamos comentar o livro ao invés de meter o pau no tradutor.

O Físico é um livro muito bem escrito pelo autor Noah Gordon. Acho que esse livro é um dos melhores dele, pois tem mais notas no site da Amazon. Ele também escreveu “The Rabbi” e “Shaman”, mas não os li. A história acontece no século XI e trata-se da saga de um sujeito chamado Rob J. Cole, órfão de pai e mãe, a tornar-se médico, naquela época. Bem, realmente é uma saga, pois existia um grave problema em estudar medicina na idade média, pois a igreja era um verdadeiro câncer no mundo e dominava quase todas as áreas, colocando proibições e matando gente a torto e a direito. Não se podia abrir os mortos para estudar seus órgãos, pois era profanação, tanto no cristianismo quanto em outras religiões. Nosso protagonista quer estudar na Pérsia, onde existia a melhor escola de medicina. O autor detalha bem os modos e costumes de cada região entre a europa e o oriente médio bem como o povo que lá habitava. É um livro ótimo, dotado de um certo drama, passando por situações cômicas mas sem perder o objetivo. Imagino um médico nos dias de hoje lendo a respeito de seu trabalho de hoje exercido na idade média, sendo esse livro um deleite para quem estuda essa magnífica profissão.

Noah estudou muito a história para relatar com uma incrível precisão as regiões e religiões pregadas na época, e a dificuldade que o mundo vivia com guerras (santas ou não), política e miséria.

Deixando uma bonita mensagem de persistência e determinação, o Físico motiva a leitura a cada página, apesar de seu conteúdo ser bem grandinho, chegando a quase seiscentas páginas. O prazer em ler é aumentado enquanto se adentra às suas páginas, e quanto mais vai chegando no final mais você quer ler e descobrir o que acontece. Tem um mix de geografia, história, religião que faz a gente imaginar como era viver naquela época. Eu achava o mundo de hoje difícil, mas antigamente era muito mais complicado. Não sei como a humanidade sobreviveu à Idade Média. Era uma podridão tanto de pensamentos quanto de ambiente. As pessoas achavam normal condenar alguém por bruxaria e dar cabo da vida do indivíduo jogando-o em um rio, amarrado dentro de um saco com uma pedra, uma cobra e um galo dentro do saco. É muito absurdo para crer que isso realmente existiu e foi apoiado pela igreja, reis e o próprio povo. Não quero estragar o seu prazer e contar partes do livro, por isso eu recomendo fortemente.