segunda-feira, 4 de julho de 2011

Usinas, gares, silos, cais, arranha-céus!

Nesse próximo nove de julho de 2011 teremos um feriado em memória à Revolução Constitucionalista de 1932. Esse movimento armamentista foi uma tentativa paulista de se livrar da ditadura de Getúlio Vargas.

Tudo começa como uma resposta à uma revolução anterior, de 1930, em que Júlio Prestes fora indicado para a presidência do país pelo então presidente (paulista) Washington Luís. Naquela época a república era presidida por membros maçons bacharéis em Direito, e quase todos da Faculdade de Direito de São Paulo. A chamada República Velha (1889 até 1930) revezada entre um presidente mineiro e um presidente paulista. Washington Luís, apoiado por 17 estados, indica Júlio Prestes à presidência, e causa um mal estar na política do café-com-leite, chamada assim devido aos domínios paulista (do café) e mineiro (do leite) junto à presidência do Brasil. Minas Gerais, por conta disso, se une à bancada do Rio Grande do Sul no Congresso, apoiando Getúlio Vargas para presidência, e junta-se também a esse apoio o estado da Paraíba.

Júlio Prestes então ganha a eleição de 1930, motivado também pela crise de 1929 que derrubou os preços do café, vencendo nos 17 estados mais o Distrito Federal. Um grupo de rebeldes da Aliança Liberal (Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba) se revoltam, colocando como desculpa a morte de João Pessoa, que nada teve a ver com movimentos políticos, e dão um golpe militar, derrubando Washington Luís e colocando no poder Getúlio Vargas. Getúlio põe fim à supremacia paulista-mineira no governo federal, instala uma ditadura (suspendendo a Constituição), e impõe uma série de restrições aos estados. Inicia-se então um manifesto de Júlio Prestes (que foi exilado na Europa) e João Alberto da Coluna Prestes contra o atual governo.

Embora Getúlio tentou acalmar os ânimos dos paulistas nomeando Pedro de Toledo como interventor do estado de São Paulo, os paulistas não tinham autonomia para governar o estado. Movido à gigantes comícios e passeatas, Pedro de Toledo, apoiado pelo povo, rompe com o Governo Provisório de Vargas e forma um novo secretariado. No dia 23 de maio de 1932, cinco jovens são mortos por partidários da ditadura no centro de São Paulo: Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza, Antônio Américo Camargo de Andrade e Orlando de Oliveira Alvarenga (o chamado MMDCA).

Surge então uma sociedade secreta usando a sigla MMDC (naquela época o nome de Alvarenga não estava na lista) em homenagem aos jovens mortos, liderada por Aureliano Leite, Joaquim de Abreu Sampaio Vidal, Paulo Nogueira e Prudente de Moraes Neto entre outros. Essa sociedade encabeça o movimento de constitucionalização, iniciado em janeiro de 1932. Nesse movimento, São Paulo acredita ter conseguido apoio de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, entre outros estados. Porém, quando a revolução estourou no dia 9 de julho em 1932, os gaúchos resolveram apoiar Getúlio, e em vez de combater com São Paulo mandou os seus soldados atacarem o estado paulista, junto com Minas Gerais que também ficou do lado do atual governo, traindo assim o movimento. Quarenta mil homens paulistas enfrentaram cem mil soldados do governo.

Em meados de setembro, o estado de São Paulo estava enfraquecido demais para continuar a revolta, e se rendeu em dois de outubro de 1932.

Graças à revolução de 1932 houve no Brasil uma redemocratização. Nas eleições da Assembléia Nacional Constituinte de 1933 a mulher votou pela primeira vez. Isso era uma ameaça ao governo de Getúlio, que para apaziguar os ânimos promulga uma nova constituição em 1934 e cria a Justiça Eleitoral, mudando assim o rumo da política e do país.

São Paulo mostrou que teve coragem de lutar contra uma ditadura opressiva, e apesar de traído e em menor número foi à luta, apoiado pelo povo que saiu às ruas e também contribuiu com doações em ouro para suas tropas. Lembremos desse dia também nas urnas, em resposta à essa palhaçada em que se encontra a política atual, fazendo valer nosso voto consciente, não dando à palhaços, mas a conscientes, se possível.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Jogo dos Tronos

Esse artigo não contém spoiler. Terminei o livro "A Guerra dos Tronos", em que mais uma vez odiei o nome "traduzido"em português, pois em inglês é A Game of Thrones, ou O Jogo dos Tronos, o que faria muito mais sentido. Esse livro, narra uma estória de fantasia, contado de uma maneira brilhante pelo americano George R. R. Martin, que até no nome se "parece" (por pura coincidência) com John R. R. Tolkien. A obra de Martin se difere em muito à do O Senhor dos Anéis, embora inegavelmente carrega suas "homenagens", por assim dizer. Tolkien, ao escrever O Senhor dos Anéis, procurou contar uma história realmente fantasiosa, em um mundo fantástico em que criaturas não humanas existiam, onde a magia era tema central, e havia uma delimitação bem clara entre o bem e o mal. Já Martin em A Guerra dos Tronos narra uma estória de fantasia mais "real", se é que isso seja possível de se dizer, e o bem e o mal coexistem dentro de cada um.

Embora contenha dragões, invernos com duração de 10 anos e magia, Martin procura revelar a estória nua e crua, ou a vida como ela é. A narrativa é muito mais pesada que a de Tolkien, e no que se refere a Martin ser "o novo Tolkien americano", discordo. Embora o livro de Martin conta com elementos de O Senhor dos Anéis, e partilha do mesmo tema, o objetivo aqui é outro. Martin se parece mais com um ativista político, narrando os Sete Reinos com cada governante querendo defender o seu lado, e no meio disso tudo alguém com princípios tendo que conviver com toda essa sujeira. O autor se inspirou no Wars of the Roses, guerra que existiu para conquista do trono inglês, entre 1455 e 1485.

Martin não deixa nada subentendido. É sangue, sexo, palavrões e incesto comendo solto. É verdade que ele escreve bem, mas se tudo isso é realmente necessário não cabe a mim julgar. Particularmente, acredito que o autor coloca cada uma dessas coisas na medida certa para apresentar um mundo igual ao nosso, com espadas no lugar de armas químicas (inventadas) ou terroristas. Existem também referências ao governo americano, cujo rei pode inventar suas verdades a qualquer momento, lembrando muito Sadam Hussein e Bin Laden supostamente mortos (e como diria quem lê gibis, sem corpo não há morte, certo?). Cada personagem é contado com detalhes, e existem motivos para seus comportamentos, sendo bem amarrados com a estória em si, diferente de Harry Potter onde o mal é mal porque sim (e aquele Eragorn me parece ser bobo também). Nesse "jogo"dos tronos, a ambição de cada reino é mostrada sem pudor, e talvez isso não agrade alguns, mas a ideia de Martin é um mundo medieval como o mundo medieval era: sujo, lascivo e negro. Com a promessa da casa dos Stark de "o inverno está chegando", o autor vai introduzindo a estória e todos os nomes, reinos e tramas, com a iminência de um inverno rigoroso pela frente e uma possível guerra a caminho (em que o nome em português faz o favor de estragar logo no título).

Também está saindo no Brasil pelo canal HBO a série do primeiro livro, em 10 capítulos de uma hora cada, que narra, embora apressadamente, todo o conteúdo fiel da primeira obra de Martin. O seriado é muito bem feito, acompanhado pelo próprio autor, com orçamento de 60 milhões de dólares só para a primeira temporada. Já foi fechado a segunda temporada, que contará o segundo livro, A Clash of Kings, que colocaram o "belo"nome de A Fúria dos Reis.

Meu descontentamento com títulos "traduzidos" é tamanha que só estou lendo em português porque ganhei. O título em inglês faz muito mais sentido e explico: O nome é parte de um diálogo da rainha Cersei com Edaard Stark, mão do rei, que para mim é um dos diálogos mais interessantes da obra: "Quando se joga o jogo dos tronos, ganha-se ou morre. Não existe meio-termo."

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Barulho


Não gosto de barulho. Não é qualquer barulho que não gosto. Num show de Rock, eu gosto. Numa festa, eu gosto (até certo horário), numa reunião de amigos, também. Não gosto de um tipo de barulho específico: O que não deveria existir naquele momento. Exemplo: Vizinha arrastando a cama às 2h da manhã, pessoas buzinando no trânsito às 6h, celular tocando no escritório com a música do Chiclete com Banana, etc. Aliás, por que alguém buzina no trânsito? Acaso ele é movido a som? Buzina deveria gastar, e deveria ser cara para repor, assim as pessoas economizariam e somente fariam aquele barulho desagradável se fosse muito necessário.

O barulho, segundo a Wikipédia, causa problemas de audição, hipertensão, doença isquêmica do coração, stress, tristeza e distúrbios do sono (sem contar o desejo psicopático de esfaquear alguém). Teve até um juiz no Colorado, Estados Unidos, que sentenciou as pessoas barulhentas a ouvirem Barry Manilow. Eu preferiria a morte.

Agora, por que alguém faz barulho? E detalhe: Por que alguém faz barulho sozinho? Exemplo: Motoqueiros. Não estou falando só de motoboy que é um caso à parte, mas o camarada que vai e compra aquela desgraça de moto com escapamento de Dragster. Sério? Você é tão sozinho assim que precisa chamar atenção com barulho? Já pensou que ter uma conversa inteligente pode resolver melhor seu problema que montar num dinossauro flatulento? Outra situação: Quando você entra no ônibus ou metrô, cheio, fim de tarde, cansado, e tem um infeliz, filho de primos, que está ouvindo funk no celular sem fone de ouvido. Não dá pra acreditar na cena. O cara ali, sozinho, cara de bobo, se achando o Waldick Soriano do vagão, movendo o pescoço igual àqueles cachorrinhos de gesso de taxista, pensando que tem várias meninas ali loucas para dar pra ele só porque ele gosta do Funk do Pesadão.

Outro caso bizarro, a meu ver. O cara tem um Uno. Se bater em alguém com o carro a pessoa morre de tétano de tanta ferrugem. Ano: 1990. Preço: R$ 5.000,00. Valor do som: R$ 10.000,00. Como pode? Aí ele para no posto de gasolina, compra uma kaiser, abre o porta-malas daquela ximbica e coloca um pagodão, daqueles bem legais de serem ouvidos 1h da manhã de um domingo. Não pode ter nada pior, né? Ah pode. Sempre pode piorar. Biblioteca da faculdade. Um grupo fazendo um escarcéu do seu lado, e você só está ali porque queria silêncio para ler. Eles sabem o que seria uma biblioteca? E reclama pra ver. O barulho triplica, com certeza.

O detalhe que me intriga é que quem faz barulho tem mau gosto. Tirando os que moram do lado de cachoeira, pois falam gritando normalmente, aqueles barulhentos que ouvem “música” ouvem aquelas desgraças de pagode, funk, axé, bundalelê, sertanejo novo, e outros ritmos desagradáveis com letras acéfalas. Por que não colocam Mozart? Ou Beatles? Por que sempre tem que ser a Joelma do Calypso? Ou o bonde do não sei quem? Preconceito musical? Ah, vá se catar! Eu tenho direito de não gostar dessa porcaria, e pode reparar: Os barulhentos são os que tem esse péssimo gosto. Ninguém é barulhento ouvindo Chopin e bebendo Châteauneuf du Pape. É ouvindo Victor & Leo e bebendo chapinha. De preferência direto da garrafa de “prástico” mesmo.

Desagradável também é quem quer falar no celular bem alto, para todo mundo ali saber que ele pegou a Cleudislete no sábado enquanto o marido dela fazia o churrasco na laje. Já atende o telefone do seu lado, berrando na sua orelha, assim: E AÊ MANO? SÓ NA “PAIZ” DO MACACO? Juro que ouvi isso numa segunda-feira, de manhã, indo para o trabalho. E a conversa só piorou dali para frente. Tirando os erros de português que nem dá pra comentar mais, porque é preconceito linguístico, a conversa foi numa baixaria que é inenarrável. E óbvio, no volume máximo, porque o infeliz era pegador e queria deixar isso bem claro para todos os surdos num raio de 10 km.

Suplico a você também, que gosta de tirar fiapo de manga do dente às 7h da manhã no trem: Não faça isso. Compre um fio dental. Resolve melhor e muito mais rápido. E você que gosta de ouvir sua música mequetrefe, compre um fone de ouvido e coloque no máximo se quiser. Só não perturbe os outros.

Tem a cena barulhenta clássica também: A tia que gosta de gritar com a criança, no meio do shopping: “NÃO CORRE, GEISISLANE! QUANDO CHEGAR EM CASA VOCÊ VAI VER! EU VOU TE ARREBENTAR!”. Vai o que? Não ouvi direito. Fala um pouco mais alto aqui no outro ouvido, porque esse a senhora já estragou. Apanhar é bem melhor que ouvir os urros dela, aposto.

Observei uma outra cena um tanto estranha. Um americano que veio provavelmente visitar a empresa aqui no Brasil e um grupo de pessoas que arranhavam um inglês “Falconês” tentando se comunicar com o camarada. Porém aos berros. Do tipo “ÁI LAIQUE DIS RETORANTI! IS GUDI. IU QUEM COMI RIAR ENITAIME.” A pessoa falava e o cara ficava piscando duro, meio assustado com os gritos. O cara era americano, não surdo! Agora nem sei mais se continua ouvindo bem.

domingo, 29 de maio de 2011

O que andam fazendo com sua mente


Um estudo publicado no Journal of Consumer Research revelou que anúncios vívidos produzem falsas memórias. Isso quer dizer que quando você viu aquela família feliz tomando seu café da manhã com a margarina mais legal de todas, ou as pessoas rindo na praia (dando uma estrela), você pode começar a se lembrar desses eventos não como comerciais, mas como memórias reais da sua vida. E essas memórias falsas podem ter efeitos profundos não somente em seus hábitos de consumo, mas também como você entende por vida e realidade.

Priyali Rajagopal do Southern Methodist University’s Cox School of Business e Nicole Montgomery da William & Mary descobriram como experiências falsas podem parecer igualmente reais. O experimento que fizeram contou com 100 voluntários que lhes foram apresentados um ou dois anúncios de um falso produto (uma marca de pipoca). E alguns desses voluntários preencheram somente uma pesquisa, sem provar o produto (que seria uma pipoca real da marca Orville Redenbacher como sendo o tal produto). Uma semana depois, esses candidatos foram indagados sobre sua experiência. Os indivíduos que somente preencheram a pesquisa (e portanto não provaram o produto) e observaram os anúncios vívidos se "lembraram" do gosto da pipoca assim como os que a provaram, dando a estes confusos voluntários falsas memórias, ou efeito de falsas experiências, como os pesquisadores a chamaram.

Estamos vendo aqui apenas o que a propaganda nos causa. O que está acontecendo ultimamente é a transformação do indivíduo em um gado consumista. Esse gado talvez seja mediano, conheça as coisas baseadas no "já ouvi falar", tenha um emprego que lhes forneça alguma renda que seja facilmente revertida em falsas necessidades, alimentando um mercado ávido por mais. Não é uma teoria da conspiração, a meu ver, porém algo que provou-se certo ao longo de várias experiências de negócio. O livro "The Shallows: What the Internet is doing to our brains" (Os Rasos: O que a internet está fazendo com nossos cérebros) mostra que o bombardeio de informações impede um tipo mais profundo de compreensão, forjando uma nova ética intelectual que é superficial, modificando inclusive nosso cérebro. Vejam só, estou citando esse livro e sequer o li, apenas pesquisei sobre o seu conteúdo e o coloquei na minha lista dos desejos, mas o ponto aqui é falar que o bombardeio de informação não nos torna mais inteligentes, nem mais sábios. É preciso um tempo para refletir, colocar as ideias no lugar e traçar um raciocínio do que se estuda.

Por falar em estudo, e a nova cartilha de Língua Portuguesa? Não queria escrever mais um artigo da nova cartilha, porque esse assunto foi mais que abordado nesse mês, inclusive nas páginas amarelas da Veja dessa semana, trazendo Evanildo Bechara, doutor em letras membro da Academia Brasileira de Letras, que desce o porrete educadamente nos imbecís que tentam incentivar a ignorância com o chamado "fim do preconceito linguístico". Nada de aburdo ou novo, já que falamos do Brasil e de seu por duas vezes ex-presidente semianalfabeto. Mas aqui a ambição talvez seja outra, que vem desde a ditadura, num exercício de deixar a massa cada dia mais ignorante, se assim possível, matando qualquer chance de pensamento elaborado e reflexão, pois certamente tirariam os que governam de seus postos.

Portanto a moda hoje é a pregação da ignorância, ou no máximo um pensamentinho mequetrefe. Temos um monte de gente dizendo que pensar igual a todo mundo é o mais certo a ser feito, pois caso contrário é preconceito. Quem traça um raciocínio e entende que certas formas de ideias não fazem sentido, ou não concordam com estas, acaba por ser desprezado, criticado, e invariavelmente sozinho.

quinta-feira, 10 de março de 2011

A Importância do domínio da língua inglesa

Muita gente anda tentando aprender inglês. Não é uma língua fácil porque não tem relação direta com a língua latina, como o espanhol, e assim não dá pra “enrolar” no inglês. Porém, o inglês não possui quatorze tempos verbais como o português. Embora não saibamos escrever nem falar a língua pátria corretamente (haja vista os meus próprios erros neste blog), já nos acostumamos com pretérito imperfeito do subjuntivo (se eu falasse), particípio (falado), futuro do presente do indicativo (eu falarei), e tantos outros nomes que metem medo em vestibulando.

Inglês, como qualquer outra língua, não é fácil, porém acredito ser mais fácil que muitas línguas, inclusive o próprio português, e com certeza mais fácil que o alemão, sem contar chinês, japonês, grego, russo e outras línguas encontradas em naves espaciais. A importância no mundo atual da língua inglesa é fundamental para o enriquecimento cultural. Sabemos que a internet é grande fonte de informações, e embora exista um livro em minha lista dos desejos dizendo que a internet torna as pessoas “rasas” culturalmente, também sabemos que podemos nos aprofundar em diversos assuntos através da internet, como, por exemplo, o site do Google Books, o projeto Gutemberg e tantos outros sites que distribuem livros de graça para leitura online ou download. Falando em Google, existe recentemente o Google Art Project, que é um projeto do Google de mapear os museus, mostrando impressionantemente a qualidade das obras de arte, dando para ver a pincelada na pintura. Vale a pena conferir. Todos esses sites são em inglês. Não sabemos se teremos a versão em português.

Existem alguns mercados de trabalho que falar inglês é essencial. Um exemplo é o mundo de informática em geral, especialmente programação. Em computação a maioria dos livros são em inglês e se você quiser em português terá que amargar uma tradução que normalmente prejudica o aprendizado, pois alguns termos conhecidos mundialmente em inglês são traduzidos, perdendo-se completamente a referência.
Existem muitas utilidades que são encontradas para os amantes da língua inglesa. Exemplos:

• Gibis: Se você quiser acompanhar um gibi é melhor comprá-lo em inglês. Aqui a saga é descontinuada se não dá audiência, e a história é cortada no meio. Isso quando chega aqui, pois a grande maioria nem dá as caras no Brasil, além do gibi chegar com no mínimo um ano de atraso de seu lançamento nos Estados Unidos;

• Música: Já vi gente colocando "Sexed Up" do Robbie Williams em filme de casamento. Essa música é um insulto do cantor a uma mulher, ou seja, ele manda a mulher se catar. Vale a pena conhecer as letras para realmente não selecionar um tema musical não tão apropriado.

• Seriados / Filmes: Embora os filmes cheguem aqui com traduções estapafúrdias, esse não é o principal problema. Algumas legendas não conseguem transmitir o que a pessoa realmente quis dizer, principalmente se for uma piada, coisa que quem domina o inglês se diverte e entende muito mais, e aproveita o filme em vez de ficar lendo legenda;

• Internet: Não adianta. A maioria do conteúdo é em inglês. A maioria das notícias chegam aqui atrasadas. Procurar notícias em português de games é como ler jornal de ontem.

• Games: Opa, falando neles, os jogos de computador e vídeo game são em inglês. Alguns em japonês, sim, mas a maioria esmagadora está em inglês, e não tem legenda. Por isso vale a pena saber a história, além de ficar apertando o botão sem saber o que realmente está acontecendo.

• Compras: Você já ouviu falar do eBay? Não? Pois é, o eBay é um site de compras em inglês que faz você economizar muito, frente aos ridículos impostos desse país. Temos também a Amazon, e livros em inglês comprados lá são mais baratos que os traduzidos aqui, além do Kindle, que é um leitor eletrônico de livros, excelente para quem domina o inglês e com preços de livros muito mais baratos;

• Livros: Aí vai do gosto do freguês. Como já citado acima, temos um arsenal literário gigante em inglês. Minha praia é ficção científica e fantasia, e não temos muita coisa aqui em português, salvo raras exceções, como Jorge Luiz Calife, Érico Veríssimo, e alguns outros, mas sabendo apenas português você fica limitado a isso. Se for essa sua intenção, ótimo. Não é a minha;

• Cultura: Aprender inglês é aprender uma nova cultura. É poder marcar uma viagem para outro país sem o frio na barriga de passar fome porque não conseguimos falar “number one, please”. Quando aprende-se um novo idioma entende-se um pouco mais a história do país e de sua língua.

• Amigos: Você pode conseguir novas e ótimas amizades com pessoas de outros países, com o uso do inglês.

• Relacionamento: Conheço gente que conheceu o marido pela internet, casou e hoje mora nos Estados Unidos. É melhor que procurar as “amarrações para o amor” que se anunciam por aí.

Além de tudo isso, estava pensando que falar inglês está ficando cada vez mais obrigatório. Assim como informática, as pessoas precisam falar inglês, pois a maioria das vagas de trabalho exigem esse idioma, mesmo que não precisem de fato de alguém que fale inglês, mas usam essa exigência como filtro de candidatos.

Por isso, se você tiver a chance, aprenda inglês. Faça um esforço. Você certamente vai precisar usá-lo um dia, e talvez tenha um papel de destaque no seu meio por causa do domínio dele.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Apartheid nos Supermercados

Hoje um amigo do trabalho estava reclamando do desrespeitoso atendimento de um dos supermercados populares em que ele foi, por parte de seus funcionários. Disse que foi desrespeitado quando um funcionário pegou o carrinho de meu amigo enquanto este procurava o sal no corredor da frente para recolher os produtos do supermercado. Quando ele chegou, seu carrinho estava cheio de coisas que não eram dele, e já havia gastado [1] ali meia hora para escolher os produtos. O funcionário disse simplesmente que não iria retirar os produtos que não eram dele, ali colocados pelo funcionário, e pronto. Este meu amigo saiu e foi fazer suas compras em outro supermercado, um considerado elitista. Lá, num local bem diferente, ao som de Jazz e ambiente limpo e claro, bem diferente do outro em que havia saído, fez suas compras com calma, e viu que a conta estava dando praticamente a mesma coisa. Diga-se de passagem, ambos supermercados fazem parte do mesmo conglomerado de empresas.

O Brasil hoje passa por uma situação de crescimento econômico, mas na minha concepção está tomando o caminho errado. Parece que cresce somente em uma parcela da sociedade, enquanto temos a grande maioria dos menos beneficiados tratados como lixo, com transportes emporcalhados, supermercados sujos e com atendimento mau educado. As classes menos privilegiadas estão assumindo uma postura de desprendimento social. Sua parcela de contribuição cívica está beirando a zero porque talvez a educação não chegou a eles da maneira em que deveria ter chegado, com compromisso social. Talvez o maior culpado disso foi a Ditadura Militar, que tomou a possibilidade das escolas ensinarem da maneira correta, e degradou o ensino dessa maneira em que estamos hoje, criando pessoas cínicas. Cínicas assim como Diógenes por volta do ano 400 A.C. que, quando perguntado pelo rei Alexandre Magno se tinha algum desejo, e caso tivesse seria imediatamente satisfeito, Diógenes respondeu apenas "Sim, desejo que te afastes da frente do meu sol".

O povo em geral não tem esse sentimento de posse, de patriotismo para com o Brasil, nem brigam pelos seus direitos. Querem ou fugir daqui, com piadas do tipo "O Brasil tem saída: O Aeroporto", ou estão se lixando para tudo isso e o importante é o pagode do final de semana. Como disse em posts anteriores, por que um governo prefere investir num funcionário público para ficar carimbando um papel oito horas por dia, sete dias por semana, se poderia investir nesse funcionário mandando-o estudar, e produzir alguma coisa útil, mesmo que este nunca produzisse nada de importante? As chances seriam maiores de termos algum fruto do nosso dinheiro revertido em benefícios para o país a deixar esse indivíduo carimbando um papel.

Voltando ao Supermercado, temos hoje claramente uma espécie de Apartheid, só que em vez de brancos e negros temos o rico, que faz suas compras num local limpo e agradável, sendo atendido por pessoas bem educadas, e o pobre que faz suas compras num supermercado sujo, escuro, fedido, sendo atendido por pessoas despreparadas. Você já viu supermercado bom em periferia? Vi que a mesma coisa acontece com as farmácias. O que está acontecendo com o Brasil? Queremos esse tipo de segregação? E não é questão de preço, porque podemos ver que não são discrepantes, inclusive os supermercados "elitistas" possuem itens até mais baratos, mas é a forma como se encara essa situação por parte das pessoas que é o problema. Você acha que o Brasil andou para frente ou o crescimento foi apenas para inglês ver? Onde iremos parar com esse pensamento? Aliás, temos algum pensamento aqui?

[1] Antes que alguém me corrija, segundo o Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, segunda edição, de Domingos Paschoal Cegalla, usa-se gastado com os auxiliares ter e haver (voz ativa): "Ele tinha (ou havia) gastado muito dinheiro em apostas." Página 179.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Buenos Aires

Fui para a Argentina, e quero comentar aqui alguns mitos que vi da superestimada Buenos Aires. Todos os amigos, parentes, chegados, colegas, conhecidos, etc, me deram uma série de dicas de lá. Resolvi seguir a maioria delas, e vi que algumas coisas não são assim tão boas. Passei quatro dias pela cidade e conheci muitos lugares. Aqui vão minhas impressões e alguns mitos.

“Na argentina come-se bem por cinqüenta reais o casal”. MITO. Não é verdade. É igual ao Brasil, se quiser comer bem tem que pagar. É verdade que é mais barato que aqui, mas não é menos da metade do preço como ouvi.

“O povo argentino é gente boa”. Só se for os que estão no cemitério. Os argentinos são o que são. Mal educados em sua grande maioria. Isso porque eu era o cliente e o Brasil movimenta 60% do turismo deles. Imagina se eles não precisassem muito da gente então, o que seria. Salvo raras exceções como o pessoal do Hotel e a menina onde comprei uma jaqueta de couro, o resto queria que você morresse, de preferência devagar, sofrendo muito por muito tempo.

“Lá você compra coisas de marca a preço de banana”. MITO. Primeiro que tive que andar mais que office boy que sonha em ser carteiro pra encontrar lugares com preços bons, melhores que aqui, mas não são tão melhores assim. Fui com uma expectativa de ter que comprar outra mala para voltar, e acabei comprando uma jaqueta e uma blusa. Só.

“Na argentina não tem favela”. MITO. Tem sim. Pegue o trem que sai da estação Libertador para o Delta do Tigre e você vai conhecer muitas.

“Lá o povo dança tango na rua”. Sério, quanto você bebeu pra falar uma besteira dessas? O único tango na rua que vi foi na Florida e era um casal tentando vender artesanato, que dançava tão bem quanto minha avó tentando arrastar uma geladeira.

“A cidade é limpa e bonita”. Verdade. Tenho que concordar que lá tem muito mais parques, as ruas são mais limpas, as avenidas mais largas e a arquitetura muito bonita.

“Você tem que ir no Señor Tango”. Hummm... Olha, é verdade que o espetáculo é muito bonito, mas ainda não sei se vale à pena. Custa R$ 500,00 o casal (mil pesos) com jantar incluso. O jantar é muito ruim, de verdade, e não fui só eu que achei isso. A carne é dura, o peixe é horrível e a outra opção nem me arrisquei. O show tem duas horas de duração e é muito bonito, mas acho que uns duzentos reais o casal estaria muito bem pago.

“Vinho lá é muito barato”. MITO. Vinho bom é caro, como aqui. É MAIS barato, mas não é MUITO barato. Não entre nessa. Foi-se o tempo.

“Taxi é muito barato”. Verdade. Comparado com aqui é mesmo, mas leve em consideração que lá tudo é perto e não existe o conceito trânsito. Se você passar a jurisdição de Buenos Aires paga adicional e fica caro. Cuidado.

“Buenos Aires tem cara de Europa”. Sim, tirando os argentinos, o clima, as barraquinhas, os pedintes, a desorganização, a bandidagem, a sacanagem, o mau-humor e todo o resto fica bem parecido mesmo.

Gostei da viagem, não me arrependo, mas não é nada de extraordinário. Talvez uma viagem para o nordeste fosse mais aprazível.