terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Dãããã

Diariamente tenho o costume de entrar no site do “Yahoo! Respostas” para responder a algumas perguntas de programação e ajudar outras pessoas com opiniões sobre o que estudar nesse meio de TI. Frequentemente vejo um festival de ignorância e desinformação que os usuários de lá possuem. Primeiro que para entender o que a pessoa está perguntando já é uma tarefa árdua. Quando você finalmente descobre o que a pessoa quer dizer, a resposta normalmente é banal. Ainda que uma simples busca no Google resolveria o problema e se perderia menos tempo.

Existe inclusive um site que se especializou em fazer uma animação de como procurar algo no Google. Você procura, por exemplo, sobre “mamute”. Lá nesse site, digita a palavra com o botão buscar e ele lhe devolve um link. Nesse link é feita uma animação de como procurar as coisas no Google, com a palavra “mamute” servindo de exemplo. Serve para ensinar alguém que não está acostumado a “googlear”. O site chama-se “Let me Google that for you” e existe a versão em português aqui.

Imagino que existem milhares de pessoas que em vez de procurarem no Google, perdem mais tempo elaborando uma pergunta em algum forum ou, no caso, no Yahoo! Respostas. Vou dar alguns exemplos de perguntas feitas lá:

“Se por exemplo uma tsunami vier em direçao a brasilia ...?”

“O chefe saiu e esqueceu a Mont Blanc na mesa.. devo furtar ?”

“O que precisariamos para fazer o cão compreender e falar palavras Humanas?”

“Alguém conhece essa música…?
Eu escrevi um pedacinho do refrão:
uiton de histórol for niiiiw,
anawisen diis geeeeeel,
anawisen dis geeel”

“Quando devo falar sobre sexo para meu cachorro?”

“Onde eu baixo um processador dual core?”

“Porque sera que quando vamos tomar banho encontramos cabelo na abertura da bunda? E isso incomoda e as vezes sao muitos fios de cabelos juntos?sera que alguem poderia me explicar esse fato?”

“Seu eu rancar um dente quanto tempo demora para nascer outro?”

“Quando e onde aconteceu a Revolução Francesa?”

“Rumino ao pregar Jesus na cruz acertou todas as marteladas no prego ou acertou algumas na mão de Jesus? Jesus achava que Rumino errava as marteladas de sacanagem???”

Tem um site chamado “Pérolas do Yahoo” que você pode conferir um resumão do que rola por lá.
Ainda existem as perguntas relacionadas a deveres da escola, ou faculdade, especialmente na área de computação. A pessoa vai até a faculdade, paga a mensalidade, mas não quer aprender. Me impressiona.

Os erros de português também são largamente encontrados em um percentual muito grande de perguntas feitas. Isso porque estamos lidando com pessoas com acesso a um computador. Você pode imaginar o restante do povo que nem isso tem.

Enquanto não investirmos pesadamente em educação, esse país será sempre o que é. E como diria Severino: “Recolha-se à sua insignificância!”.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Estatisticamente blogando...

Antes era a palavra, e a palavra era boa. Depois a palavra não ficou tão boa assim, e começaram a aparecer coisas que não tinham a menor relação com o que você estava procurando. Estou falando do Google. De vez em quando recorro ao Google para ou tirar alguma dúvida ou descobrir alguma coisa nova. Principalmente em programação, muitos erros eram facilmente explicados com uma simples pesquisa. Já na primeira página das respostas você poderia encontrar o que estava procurando. Hoje em dia, com zilhares de páginas sobre praticamente qualquer coisa, está cada vez mais difícil encontrar o que se procura. O Google diz que filtra as respostas por relevância, mas eu duvido. Um certo dia estava procurando por um erro em Java e encontrei um forum de um pessoal discutindo sobre placa de vídeo e a palavra da minha busca era, por acaso, parte do nome de um dos participantes do forum. Lá pela página 15 é que encontrei algo relevante ao assunto que estava procurando. Isso porque era algo bem específico, um erro e em Java.

Dizem que o próximo bilionário será um estatístico. Deverá existir um sistema melhor de busca que determine o que exatamente você procura, dentro de um contexto, e não saia jogando tudo que encontre pela frente com aquela palavra. Esse sistema baterá o Google. E o dono desse sistema será o novo bilionário da vez (opa, também faço previsões de ano novo).

Estou lendo um livro chamado “Numerati” que explica como esse monte de dados circulando por aí podem ser usados de maneira inteligente e específica para vender um produto ou direcionar à pessoa ao que se procura, muitas vezes sem que a pessoa saiba exatamente o que procura. Uma parte interessante que li neste livro é sobre um sistema que lê (e entende) blogs. Ele analisa algumas informações de quem bloga, como faixa etária, pelo estilo de narrativa (quantas pessoas terminam a frase assim !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!? ), e outras características. Esse sistema chama-se Umbria, da J.D.Power, e aparentemente serve para medir alguns impactos de produtos junto ao consumidor por meio de textos e comentários em blogs. Mais rápido e mais barato que pesquisa de mercado, porém muito direcionado (aos escritores e leitores de blogs).

Um sistema de supermercado também está sendo aprimorado para sugerir ao consumidor produtos em oferta de seu interesse, em um monitor LCD acoplado ao carrinho no momento da compra, enquanto ele passa pelo corredor com aquele produto.

Praticamente tudo está sendo analisado e comparado para conseguir traçar interesses comuns e ofertas certeiras. Por enquanto, a estatística está em alta, atingindo os pequenos grupos, mas acredito que futuramente a profissão mais exigida seria o psicólogo-estatístico, que entenderia o comportamento humano e os dados circulantes para determinar o próximo passo, descobrir aquilo que o consumidor poderá gostar de ter antes mesmo dele pensar que um dia precisaria daquilo. Hoje em dia esse profissional existe, mas são pouquíssimos e bem conhecidos, como Bill Gates e Steve Jobs, por exemplo. Minha previsão (lá vai outra) é que teremos cursos dirigidos a formar esse tipo de profissional. Recomendo mais uma vez um outro livro chamado "O Ócio Criativo", de Domenico de Masi, que fala muito sobre o profissional do futuro. Em breve farei um novo post com mais previsões, não saia daí!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Tupi-Guarani

Esses dias estava de bobeira e resolvi procurar na internet palavras em Tupi-Guarani, idioma que acredito ser o mais certo a ser falado por nós brasileiros, em vez do complicado e herdado português. Descobri muitas curiosidades no site Aldeia Numaboa.

É interessante notar que alguns nomes usados por nós brasileiros para designar alguns locais vem do Tupi-Guarani, e muitas vezes não tem um significado lá muito amigável. Veja alguns poucos exemplos abaixo:

Paraíba: paraiwa - rio ruim - rio que não se presta à navegação (imprestável) - (para - iba)

Tijuca: tiyug - líquido podre - lama - charco - pântano - atoleiro - tijuca

Anhanguera: Diabo Velho, nome dado ao Bandeirante Bartholomeu Bueno da Silva, que apreendeu e conquistou "tantos índios que, com eles, se poderia fazer uma vila". Foi ele que usou o "estratagema de lançar fogo a um vaso de aguardente em presença dos índios, assustando-os com o poder de queimar os rios e águas, de tal modo que, aterrados, prometeram mostrar lugares em que existiam..." minas de ouro. Decorre de anhanga, ser maligno, e uera, "o velho, o que já foi". Traduzido como "diabo velho", que também aparece como Angoera, ou Angüera.

Anhangabaú: As traduções são "água (rio) da árvore do veado", pela abundância de cuvitinga, árvore muito procurada por esse animal para seu alimento. Antes, era Anhangabay, com "i" no final, e, sabe-se lá por que, virou Anhangabaú. Disse Couto de Magalhães que Anhanga-yba-y quer dizer "água da árvore de Anhangá, cujas flores são muito procuradas pelos veados". Também existem as traduções de "rio do Diabo", "rio das diabruras", "rio onde habitam os maus espíritos", "bebedouro das diabruras" e "rio ou água dos malefícios", estas duas últimas de Teodoro Sampaio, porque existe aí a palavra anhangá, ser maligno. Há, também o entendimento que significa "rio de quase nenhuma correnteza", o que parece ilógico, assim como "rio onde o homem preto, nu, toma banho". Temos que a mais coerente é "água da árvore de Anhangá, árvore cujas flores são muito procuradas pelos veados".

Outros são nomes mais amigáveis:

Guaratinguetá: reunião de pássaros brancos.
Iguaçu: água grande - lago grande - rio grande.
Itajubá: pedra amarela (ita, ajubá).
Itatiba: muita pedra, abundância de pedras (tiba).
Itaúna: pedra preta (ita, una).
Jabaquara: rio do senhor do vôo (iabaquara, abequar).
Jaçanã: ave que possui as patas sob a forma de nadadeiras, como os patos.
Karioka: carioca - casa do branco.
Nanbiquara: fala inteligente, de gente esperta
Pará: rio

Algumas curiosidades são encontradas nesse mesmo site, e cito algumas interessantes:

Pereba: Significa ferida (do tupi).

Pindaíba: Na expressão "estar na pindaíba", estar mal, pobre, sem dinheiro. De pindó, a palmeira, a árvore de pescar, e íba, ruim. Tem raízes na cultura rural, pois quando estava pescando para comer é porque se estava mesmo pobre, principalmente quando, acima de tudo, a pescaria não dava nada. Pobre e sem peixe, numa pindaíba, pescaria ruim.

Biboca: Lugar ermo, um cantão no interior, afastado, de difícil acesso. O sujeito que mora numas bibocas. Na verdade nasceu dos significados "grota", "fenda", "buraco", que é o seu significado indígena, das palavras ibi (terra) e "oca", a casa indígena.

Bruaca: Espécie de cesta, em cipó, taquara ou couro, em forma dupla, para ser distribuída sobre o lombo do animal para cargas em geral. Também com o sentido de mulher feia, imprestável. Origem controvertida, mas que, para alguns, vem do tupi-guarani, puracá. Ou poraca, cesto.

Caipira: (caipirice, caipirada, caipirinha). De caá, mato, e pira, cortar, o que corta o mato.

Uma última curiosidade que realmente bateu com o que eu pensava é a palavra Tiririca. Veja só:

Tiririca: (ou tiririka) - arrastando-se (alastrando-se) - erva daninha famosa pela capacidade de invadir velozmente terrenos cultivados - estado nervoso das pessoas, provocado por um motivo que parece incessante.

domingo, 27 de dezembro de 2009

O Futuro do Livro

Recentemente ganhei o Kindle da Amazon! De tanto choramingar pelos cantos minha esposa querida me presenteou com essa maravilha nesse Natal. Em dezenove de outubro desse ano a Amazon anunciou o Kindle internacional, que pode ser comprado lá e funciona aqui no Brasil através de uma rede 3G em que o usuário não paga nada pela sua utilização. Segundo a Amazon, os custos já estão embutidos no preço do livro, mas existe uma taxa de US$ 1.50 por livro baixado. O download demora no máximo sessenta segundos, porém baixei um livro com 500 páginas em menos de vinte. Minhas observações:

Pontos positivos: Uma infinidade. Um dos que mais gosto é que agora posso ler meus livros técnicos na cama sem perder o ar por causa do peso de quase mil páginas apoiadas no peito. Isso vale para “O Senhor dos Anéis” edição única. Outro ponto mais que positivo: O preço do livro. Se você lê em inglês e comprou um livro de papel na Amazon sabe que paga-se o livro mais o frete, que costuma ser outro livro. Na prática se você compra um livro de dez dólares paga-se dezoito dólares de frete, mais caro que o próprio livro, e ainda tem que esperar pelo menos vinte e cinco dias. Isso quando chega, pois muitas vezes comprei e nunca chegou, embora o rastreamento diz ter entrado em terras tupiniquins, porém nunca vi a cor do produto. Entre confiar na eficácia da Amazon e em nosso correio / Receita Federal, fico com o primeiro. Outro ponto positivo é que alem de não pagar o frete, o livro para Kindle custa mais barato. Exemplo: Obras completas de Sir Arthur Conan Doyle por US$ 6.99. Sim, isso mesmo, tudo que Doyle escreveu por seven bucks. O livro Duna, de Frank Herbert custa US$ 9.99, e a versão em papel custa US$ 17.00. Uma beleza. Antes eu comprava dois a três livros e já me custava cem reais, agora com cem reais compro no mínimo oito livros normais (sem contar “obras completas”, que aí é covardia). Ainda no quesito números, existem cerca de 100 mil livros por menos de US$ 6.00. A Amazon disponibiliza um catálogo de 390.000 livros para Kindle.

O Kindle vem com 2Gb de memória, e isso dá para armazenar cerca de 1.500 livros. Você pode fazer backup no seu PC para liberar mais espaço, caso necessário. Você pode ler arquivos PDF, mas aí já acredito que não faz muito sentido, porque existe toda uma tecnologia de narrativa e bookmarks no formato da Amazon, mas de qualquer forma existe a opção do PDF.

O Kindle também narra o livro para você, caso esteja se deslocando e sinta enjôo, como eu, de ler em movimento. Você pode escolher voz de homem ou mulher e a velocidade de leitura, se normal, de vagar ou rápido. As páginas são viradas automaticamente quando a narrativa chega ao final da página atual, e quando você desliga seu Kindle ele marca a última página lida (por você ou por ele) automaticamente. É possível fazer bookmarks adicionais em qualquer página que você queira, bem como anotações, pois ele vem com um teclado “QWERTY”. Você pode sincronizar a leitura com seu PC e com seu iPhone, assim quando você ligar seu Kindle ele estará na página em que você acabou de ler, seja qual for o dispositivo. Ah, tem acesso à internet por meio do 3G, de graça, sem Wi-Fi. O browser é um navegador padrão sem Java ou Flash, mas para blog ou Wikipédia fica uma beleza. A tela do Kindle não é cansativa. Você pode ler por horas a fio sem se incomodar, inclusive ler na claridade, que até melhora a leitura. Não entendeu uma palavra? Vá com o cursor até ela e o Kindle te mostra o significado, no dicionário Oxford que já vem embutido.

Caramba, estou parecendo vendedor da Amazon, mas é que realmente a coisa é boa. Para quem mora em apartamento e se vê ameaçado com a falta de espaço e a guerra dos ácaros nos seus livros mais velhos, o Kindle é um presente de Deus. Você também pode mudar o tamanho da fonte, em seis tamanhos diferentes, alem de rotacionar a tela em retrato ou paisagem. A bateria dura cerca de duas semanas (faz uma semana e meia que carreguei e ainda tem cerca de 70%) e leio todos os dias, porém só a noite.

Pontos Negativos: Com exceção do Jornal O Globo, o conteúdo é em inglês. Não temos ainda livros em português, mas acredito que isso é uma questão de pouco tempo. O preço do Kindle também é caro para trazer para o Brasil. O aparelho custa US$ 249.00 porém, como nosso pais é essa beleza que todos conhecem, existe imposto alto (sim, é livro, mas vai explicar). O imposto é de US$ 331.00, mais caro que o próprio aparelho, chegando no valor final aqui por mais de mil reais, sem contar o frete. É muito caro. No meu caso uma amiga minha que mora em Porto Rico me trouxe, dentro da cota dela de quinhentos dólares, e minha esposa pagou somente o valor do aparelho mais trinta dólares de frete. Eu li um artigo que um advogado brasileiro conseguiu entrar na justiça e ganhou o direito de trazer o Kindle sem imposto, alegando que é livro (e é mesmo). Li alguns blogs sobre “grandes desvantagens” do Kindle mas não concordei com o design ruim (para mim é perfeito) e com o preço, já que a culpa é do imposto dessa beleza de pais (de novo) e não da Amazon.

Eu acredito fortemente que o futuro do livro é esse e que não vai demorar para termos a febre do Kindle (assim como a febre o iPhone). A Barnes & Noble já está correndo atrás do prejuízo e está lançando seu leitor digital também, o Nook, mas esse não tem aqui por enquanto. Só funciona nos Estados Unidos.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Lugar Nenhum

Estou finalmente lendo “Lugar Nenhum” de Neil Gaiman. Comprei esse livro há muito tempo e agora resolvi lê-lo. Depois que parei de jogar World of Warcraft conforme disse no blog anterior, a palavra “vida” passou a ter algum significado para mim. Estou dando vazão à pilha de livros que comprei e ainda não li (que vergonha).

Lugar Nenhum trata de uma história de fantasia, no submundo de Londres, cujas coisas ficam bem fora da realidade. Richard Mayhew, personagem principal, vê sua vida como conhece desaparecer após ajudar uma garotinha chamada Door, que vive na “Londres de baixo”, ou no submundo da cidade, no subterrâneo da cidade. Interessante é comparar o estilo de narrativa com outro autor que gosto bastante, também de fantasia, chamado Terry Pratchett. Esse estilo mistura um humor inglês que para mim é bem engraçado, mas sei que muitos detestam. Vou colocar um trecho do livro aqui para vocês entenderem do que estou falando:

“Old Bailey não era uma daquelas pessoas nascidas para contar piadas. Apesar dessa deficiência, ele tentava. Adorava contar histórias compridas e entediantes, que sempre terminavam com um trocadilho horrível, embora com freqüência ele não conseguisse se lembrar do trocadilho quando chegava a hora. Seu único público consistia em alguns pássaros presos, que (principalmente as gralhas) viam aquelas piadas como parábolas profundas e filosóficas para explicar a condição humana. De vez em quando, os pássaros pediam para ele contar mais uma de suas divertidas histórias.

- Está bem, está bem, está bem... – Disse Old Bailey. – Se vocês já ouviram essa é só falar. Um homem entrou num bar. Não, não era um homem. A piada é de outro jeito. Desculpem. Era um cavalo. Um cavalo... não... um cubo! Três cubos. Isso. Três cubos entraram num bar.


Uma enorme gralha velha vez uma pergunta. Old Bailey esfregou o queixo e encolheu os ombros.


- Ah, mas eles podiam. É só uma piada. Os cubos sabem andar na piada. Então um cubo pede uma bebida para ele e para cada um de seus amigos. E o barman diz: ‘Só servimos militares aqui’. Então ele vai até os outros cubos e diz: ‘Eles só servem militares aqui’. E é uma piada, então o cubo do meio também pede e não ganha, e aí o último cubo pega um pincel e faz uma bolinha de um lado, duas do outro, três do outro, quatro do outro, cinco do outro e seis do outro... E também pede uma bebida.


A gralha grasnou de novo, com ar sábio.

- É, isso aí, três bebidas. E aí o barman diz: ‘Por um acaso você é militar?’. Daí ele diz, o cubo diz: ‘Sou dado’. Soldado, entendeu? Sou dado. Um trocadilho. Muito engraçado, muito engraçado.”

Bem, eu achei engraçado. Recomendo a leitura. Interessante que “Lugar Nenhum” é também uma música da finada banda “Tantra”, que surgiu e morreu e aparentemente só eu gostei. Inclusive fui num “show” deles, com uma platéia de quase 15 pessoas. Bem , é isso.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Rehab

Sim, eu estou conseguindo. Hoje já faz onze meses, vinte e um dias, quatro horas e trinta e dois... três minutos que não jogo mais World of Warcraft (clap, clap, clap...). Não faço ideia de como consegui sair disso, mas aviso aos menos informados: Não joguem World of Warcraft (ou WoW para os íntimos). Esse jogo é um RPG (Role-Playing Game, ou jogo de interpretação de papéis) online, para multidões, que em inglês é conhecido como MMORPG (Massively Multiplayer Online Role-Playing Game). É mais viciante que cocaína, e tá aqui a página do jornal inglês que não me deixa mentir. Levei muito tempo para conseguir finalmente bloquear meu cartão de crédito semana passada e assim finalizar dois anos do mais puro tempo jogado fora. Não estou dizendo que o jogo é ruim, claro que não, o problema é exatamente o inverso. É tão bom que você passa o resto de sua vida nisso. Deixei de ir em festas, adiei compromissos, faltei em ocasiões especiais só pra poder continuar jogando. O jogo é viciante por alguns fatores, como não ter um fim, ser altamente meritório, ser extremamente difícil de aprender e quando se aprende adquire-se um status importante dentro do jogo, ter status social online, ter uma vida online, ninguém entende o motivo de você ficar horas jogando-o, e por aí vai. Há vários casos de bizarrices sobre World of Warcraft, inclusive uma chinesa que morreu de derrame depois de passar três dias seguidos jogando Wow e seus amigos fizeram um funeral online no próprio jogo para ela. É uma droga altamente viciante. Hoje me divirto com jogos mais simples, que não precise pensar, que obrigatoriamente tenha um final (um final atingível) e não seja online. Estou conseguindo fazer outras atividades sociais e baixar meu estoque de livros e gibis que comprei e não tive tempo de lê-los. Ufa, de volta à vida novamente.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Fim... de Ano

Ontem cheguei para trabalhar e percebi que já colocaram os enfeites de Natal. Já começou a me dar um enjoo. Não que eu não goste do Natal, porque até gosto, mas só de pensar nos problemas do final de ano me dá uma certa tristeza. Imaginei aquele Shopping com 500 mil pessoas se digladiando por uma Barbie já capenga que sobrou na prateleira. É... você também esquece alguns presentes, né? Aquele povo gritando com os filhos pequenos, com sua orelha normalmente no meio do caminho. E para estacionar então? Tem que chegar onze da manhã e lá pelas quatro da tarde arruma uma vaga. Um terror. Fora esse calor nojento de fim de ano. Sei que tem gente que gosta do calor. Eu também gosto, mas na praia, de bermuda e de preferência não no fim de ano. E só. De resto eu detesto. Aí chega a noite de Natal. Que beleza. Sua família aparece lá pelas quatro da manhã porque passaram na casa de genros, noras, periquitos, e afins. Seu estômago colado nas costas porque “tem que esperar a fulana”. Aí come arroz frio com passas (que idéia idiota é essa de colocar uva passa na porcaria do arroz, meu Deus?), aquele peru duro. e mais uns trecos com damasco (outra coisa alienígena para mim). Tem que mandar uma coca-cola já quente (porque estava na mesa desde a meia-noite) pra mandar pra baixo aquele treco seco. Chegam os presentes. Normalmente amigo secreto é uma beleza. Você gasta seus sessenta contos e ganha um cinzeiro, sendo que você não fuma. Eu ainda tive muita sorte em amigos secretos, mas já vi gente ganhar CD gravado de músicas do Pepeu Gomes.

Mas sabe mesmo o que é pior? É o Ano Novo. Putz, aí pode colocar problemas. Já começa nos horários. Se você vai com alguém pode ter certeza que o camarada escolhe “o melhor horário”, que normalmente é quando você ou estaria trabalhando ou estaria dormindo. E o pior é que pega “só” seis horas de trânsito pra praia (que normalmente leva uma) e acha bom. E aquele cara do Chevetão na estrada? Opa, tem sempre um. Aquele camarada que tá até com a carteira de vacinação do cachorro vencida e resolve pegar aquele Chevetão 89, marrom (ou cor indefinida), colocar quinze dentro e (veja bem) na faixa da esquerda quebrar na descida da serra. Será que existe maldito mais maldito?

Pedágio. Que horror! Você olha para o lado e vê aquela gorda de chapéu suando mais que toalhinha de cuscuz, olhando para você no carro do lado. Logo nota um bando de bons brasileiros querendo furar a fila do pedágio, como se fosse possível chegar mais cedo. Aí paga aquela facada de pedágio, que daria pra fazer muita coisa melhor do que aquela porcaria de estrada.

Bem, depois de ouvir a sogra reclamando por incansáveis seis horas você chega na praia. Aquele calor que derrete até cerâmica. Você fica imaginando que daria pra fazer facilmente um ovo pochê dentro da sua cueca. Descarrega cinquenta malas (sim, você explicou pra sua mulher que são só três dias). Espera uns quarenta minutos o elevador. E aí sim começa tomando um banho gelado, que não resolve nada dois minutos depois de fechar o chuveiro. Depois disso é aquela coisa: Praia cheia de dia e muvuca de noite. Gente correndo para a água, você querendo matar pombas e catadores de latinha, ver donos de cachorros muito felizes com seus animais fazendo cocô na areia, ficar tentando achar espaço pra sua cadeira, pagar dez paus no coco quente, tudo como sempre. Chega a noite da virada. Você sai do seu apartamento pra ver os fogos, com a camiseta branca nova, com semente de lentilha na carteira, a tua tia te obrigando no caminho a pular sete ondas, aquela merda de sempre. Começa a contagem (cada um contando no seu tempo particular), os fogos começam a pipocar, povo gritando, beijos estalados na orelha, um mix de perfumes que vão ficar no seu nariz por uma semana, etc. Como sempre dá pra piorar, é claro. Vem aquele bando de pobres e te acerta Cidra Cereser vermelha nas costas toda. Putz, a camiseta branca... Nem pra gostar de Cidra transparente. Tem que ser a vermelha mesmo. Volta pro apartamento, jurando que aquele ano é o último. As juras intensificam no trânsito da volta. Ah, fim de ano... Não vejo a hora...