sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

No Banheiro



É no banheiro que a verdadeira personalidade da pessoa aflora. Lá é onde manifesta-se o lado negro da força. Infelizmente o assunto é um tanto incômodo, e muitos preferem mudar de assunto, mas é inegável que todos temos que enfrentar um banheiro. E a coragem vem daqueles que conseguem enfrentar um banheiro de uma empresa. Trabalhei em empresas com pessoas mais gabaritadas que já conheci, mas uma coisa é certa: No banheiro não tem bonzinho. 

A tarefa era para ser simples, em quatro passos básicos: sentar, fazer, limpar, dar descarga. Mas parece que a cada vez que entro em uma "casinha", essa regra é de longe quebrada. O quarto passo, dar a descarga, parece ser o mais complexo. Diversas vezes a gente entra e tá lá o monstro te encarando. Tem uns que jogam papel junto com a coisa, e fica parecendo uma noiva macabra. Quando a tampa está fechada, eu não abro. Já conheço a surpresa. 

Hoje me deparei com uma situação que me fez pensar: "como ele fez?". O cesto de lixo estava com o papel de cima totalmente sujo. Tipo, sujo mesmo. Como o cesto é uma pilha do tipo LIFO (last in, first out), ou seja, o último que entra é o primeiro a sair, isso pode significar três coisas: 
a) A pessoa terminou de se limpar e guardou o resto do papel limpo no bolso; b) A pessoa jogou o resto do papel no vaso e deu descarga ou 
c) A pessoa não terminou o passo "limpar-se". Tem noção de como saiu do banheiro? Todo cagadinho! Como pode? 

Certa vez em uma das empresas que trabalhei, foi encontrado uma fivela de cinto no vaso, e a tampa estava quebrada. Montamos a teoria que a criatura se voltou contra seu mestre e não queria partir. Este, desesperado, dava cintadas na coisa e se defendia com a tampa, como um escudo improvisado. Infelizmente não temos uma teoria mais plausível. 

E parece que quanto mais top a empresa é, mais demoníaco é o banheiro. Além do cheiro de velório de bode que sai dali, a sujeira é de desanimar. Pior mesmo é quando você está sentado, em uma das casinhas, e chega alguém na casinha imediatamente ao lado da sua, e descarrega toda aquela amargura que a vida lhe impôs. Vai subindo a fumaça maligna para seu lado, e você ali, desesperado para ir embora, e justo nesse dia seu parto de jegue vai ter que sair de cesárea. Desespero. Horror. Chame do que quiser. O cheiro é tamanho que desmancha até seu cabelo. 

E ainda tem as situações constrangedoras. Exemplo: tarde da noite e você ainda na empresa. Sua barriga começa a dar sinais que o urubú está beliscando a cueca. É a hora do parto. Você vai até o banheiro, que não tem uma viva alma e começa o serviço. Eis que de repente surge um maldito, entra no banheiro, faz um xixi rápido, sai e apaga a luz! Pronto! E agora? Você se lembra do seu celular e também lembra-se da promessa de nunca mais deixá-lo na sua mesa. O calafrio percorre seu corpo. Não teve coragem de gritar na hora "Ô meu, tô cagando!". Somente seu olfato será seu guia espiritual nessa jornada de fé para saber quando a coisa estará limpa de fato. Vai ter que ficar cheirando o papel, não tem outro jeito. 

Teve empresas por onde passei que alguns tinham o ânus fora de centro. A sujeira estava nas paredes laterais! Ou não deu tempo do indivíduo sentar completamente, e foi de pé mesmo. Uma explosão nuclear fecal bilateral. 

É, eu sei que o assunto é deveras incômodo, mas queria deixar aqui um pedido de pelamordedeus, faça a coisa direito. Siga os quatro passos direitinho, e lembre-se que você que emporcalha o vaso pode se deparar com ele emporcalhado também. E isso é uma merda.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Calor

"Que delícia, chegou o verão! Sol! Ah, que calor gostoso!". Quando leio isso no Facebook minha vontade é entrar pelo fio da internet e esfaquear a pessoa na jugular. Tudo bem, claro que gosto é gosto, mas tudo tem um limite! Como pode alguém poder gostar de ficar todo melado o dia inteiro, nesse inferno de quase quarenta graus? No frio ainda tem solução, você coloca blusa, mas e no calor? Faz o que? E nem me venha com a conversa mole que vai para a praia, porque paulista até para ir para a praia paga promessa. É fila no pedágio, chegando lá não tem água para tomar banho, a praia tá mais cheia que umbigo de gordo no calor e sem contar que você pega um trânsito tão absurdo pra voltar que sua perna esquerda perde a sensibilidade de tanto trocar a marcha do carro subindo a serra.

Uma coisa também horrorosa no calor é trabalhar. Não sei o que acontece, mas nenhuma empresa que trabalhei consegue deixar o ar na temperatura adequada. Ou está menos trinta ou mais quarenta. Ambos os casos são problemáticos. No caso do menos trinta, quando você sai para o almoço sofre aquela pasteurização e quase morre com o bafo quente da rua. E no caso do calor, bem, nem precisa dizer. O suador é um terror, principalmente assistir alguém suando, fazendo aquela pizza de quatro queijos embaixo do braço. Ainda por cima a pessoa suando fica falando na sua orelha que tá "soando" muito... Você não é sino, maldito. Esses dias a minha área estava uns 40 graus. Chamaram o pessoal da manutenção para arrumar o ar condicionado. Foram lá, deram uma olhada e sumiram. Quando perguntamos o por quê que não arrumaram me disseram que o pessoal da manutenção foi embora porque estava muito calor ali.

E pra dormir é ainda melhor, né? Vou ver se compro uma cama com Teflon, pois pelo menos assim eu frito, mas não grudo. Dormir é sempre um pesadelo nesses dias em que somos treinees do inferno. No frio você se aconchega, coloca aquele cobertor gostoso e dorme tranquilamente. No calor a gente fica virando que nem croquete de boteco, passando mal, tentando revezar a dobrinha da vez que vai suar.

Semana passada fui almoçar em um restaurante que tinha nas cadeiras um assento revestido de couro. Estava ao ar livre, sem ar condicionado. Aquilo era praticamente um aparelho de cauterização de hemorróidas. Devia estar uns noventa graus naquele assento. Suava que fazia até poça na meia. Que coisa mais desagradável.  A cueca então, nem se fala. Já tinha se enrolado toda e se transformou em uniforme de sumô.  Tudo é ruim no calor, pois nem a praia dá para aproveitar direito. Como diria um amigo meu, por mim eu faria uma insulfilmosfera para conter esse sol.

Mas existe a máxima que diz que sempre pode piorar. Pega um ônibus com esse calor, pega?

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A arte de pegar um ônibus

Sua vida anda monótona? Você tem tendências suicidas? Está procurando alguma forma de aventura barata ou exercício físico forçado? Tenho aqui minha sugestão: Pegue um ônibus! Diariamente tenho que pegar um maldito bumba (my ox) do trabalho para casa (na ida tenho carona) e vou te contar que não é uma experiência agradável. Aliás, se tomarmos pela palavra "experiência", podemos tranquilamente dizer que aquilo é uma experiência para ver até onde vai a força do brasileiro.

Tudo começa no ponto de ônibus. Além da quantidade de gente que tem no ponto no horário de pico (em São Paulo horário de pico é das 4h da manhã até a meia noite), ainda temos os vendedores de qualquer coisa que possa ser pirateada que você possa imaginar. Além das marcas duvidosas, como SONYA, Tênis Mike, Fuma, Ardidas, Pop Station, Nokla, etc, ainda temos o famoso (e não tão bom) churrasquinho de carne (de felino), que solta uma fumaça dos infernos na sua cara (além da fumaça do tio do milho cozido). Esses camaradas ambulantes não deixam espaço para ninguém ficar no ponto, especialmente aos que desejam somente passar de uma ponta à outra da calçada. O pessoal se espreme e ainda reza para não chover, porque aí a diversão dos motoristas é escolher aquela poça de água para molhar os infelizes.  Depois daquela meia hora (mínima) costumeira, você resolve que estar num ônibus, mesmo que lotado, é melhor que ficar ali, certo? Ledo engano. 

Dentro do ônibus podemos conhecer a pior espécie de gente que existe. Temos os camaradas do funk no celular (também conhecidos como FDP), temos as senhoras (e senhores) com sacolas, temos os bafudos e fedidos e temos um pessoal que até hoje não entendo: Os tarados por porta. O ônibus que pego chama-se Termina Qualquer Coisa. Ele vai parar no Terminal Qualquer Coisa. É sabido disso, porque o camarada pega aquela joça todos os dias e desce no Terminal. Mas ele entra e para onde? Normalmente esse camarada está munido de uma sacola tamanho bunda-carla-perez. Eu acho que deve ser algum distúrbio, do tipo meencoxafobia, ou alguma coisa do gênero. Imagine que você tem que descer antes do Terminal Qualquer Coisa. Já é um parto o motorista filho de primos parar no ponto. Tudo depende do humor do condutor, que àquela altura está mais raro que uma papisa lésbica. Quando a porta abre, o cara da porta não alivia não. É do tipo, vou levar todo mundo comigo pro inferno. Você simplesmente tem que dar um mergulho (um mosh) por cima da sacola, por cima dos demônios tranca-porta, e cai dentro de uma churrasqueira do próximo ponto. Andar na brasa é coisa monótona pra mim. Nem preciso de santo daime nem nada.

Mas voltando à aventura dentro do ônibus, pois ainda não acabou, temos uma espécie também bem peculiar: As conversadoras contralto. São aquelas mulheres que gostam de falar sobre o dia, ou sobre o marido, ou sobre o patrão, só que uma fica na porta da frente e a outra na porta de trás, e óbvio que aquela que fala mais alto é a fêmea-alfa, por isso há uma disputa acirrada. Sua orelha fica no meio disso tudo, e aliado ao calor, ao fedor, ao encoxa, e ao pessoal carente, temos a visão dos quintos dos infernos. O pessoal carente é um pessoal que usa aquele desodorante mais forte que a química consegue combinar, e fica se roçando em você. Normalmente são mulheres feias (muito feias), pra piorar. Um dia desses olhei feio para uma que estava me empurrando mas perdi. Ela era muito mais feia. A arcada superior só tinha o Cafú, e a inferior não consegui ver, pois virei minha cabeça tão forte para o outro lado que arrebentei a testa no ferro do ônibus. Imagino que a arcada inferior também era só desgraça, mas a julgar pela arcada superior foi mais que suficiente a desejar arrancar meus olhos. 

E passar na catraca então? Tem infeliz que coloca o bilhete único no meio de uma carteira do tamanho de um X-tudo com salada, e é meio que óbvio que não vai funcionar o dispositivo da catraca. Aí a pessoa calmamente procura o bilhete dentro daquele cuscuz de papel e você ali esperando, desajeitado porque já tinha dado o passo sem chão (aquele passo que quando você levanta o pé já não tem mais chão para colocá-lo de volta, pois já tomaram seu espaço).

Enfim, andar de ônibus aqui em São Paulo é uma tarefa hercúlea que não desejo para ninguém. Infelizmente sabemos que isso vai continuar por muito mais tempo, porque ninguém reclama como deveria, e só se preocupam com o BBB e a Luiza que está no Canadá (mas será que já voltou?).



quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Modernidade


O oitavo jogo da série Call of Duty, chamado Modern Warfare 3, lucrou 400 milhões de dólares nas primeiras 24 horas de venda, e a Activision anunciou que o jogo faturou 1 bilhão de dólares, em 16 dias, passando até o filme Avatar, de James Cameron, que fez um bilhão em 17 dias. A série Call of Duty já faturou 4 bilhões de dólares desde 2003. A indústria do cinema faturou em 2010 84 bilhões de dólares, e a indústria dos jogos fez nesse mesmo período 56 bilhões. A projeção para a indústria do cinema é um crescimento de 6,1% até 2015 e a do mundo dos games é de 8,2% para esse mesmo período.

Cocooning é um termo cunhado por Faith Popcorn em 1990 e relaciona a tendência de indivíduos se socializando menos e ficando mais em casa. Num dos livros de Chuck Palahniuk (de Clube da Luta) chamado “Haunted”, é citado o cocooning (chamado no livro de “Slumming”) como uma doença da sociedade moderna, parecido em partes com o Hikikomori, um termo japonês que significa “retraimento social agudo”, referente ao fenômeno de jovens que escolhem se retirar da vida social, geralmente buscando altos níveis de isolamento e confinamento devido a vários fatores pessoais e sociais em suas vidas. Esse problema social ficou mais evidente no Japão no final do século vinte em que indivíduos (sem maiores problemas aparentes) escolhiam se recolher em casa por um período maior que seis meses.

Um recente documentário produzido por Cosima Dannoritzer em 2010 chamado The Light Bulb Conspiracy (a conspiração da lâmpada), que está disponível de graça no YouTube nesse link, mostra um conceito antigo mas que movimenta a sociedade moderna atual: A Obsolescência Programada. Esse termo significa que a indústria produz produtos com data programada para quebrar, ou seja, sua durabilidade é meticulosamente planejada para que o consumidor compre outro produto após determinado tempo. Isso pode ser feito de duas maneiras: 

A primeira é realmente inserir algo no produto que após um certo tempo ou um certo número de vezes que em foi usado o dispositivo pare de funcionar, como o exemplo das impressoras e lâmpadas, ou então fazendo algo mais sutil e inteligente: Lançar produtos mais novos e induzir o consumidor a querer trocar seu produto ainda em funcionamento para um modelo mais moderno. Essa técnica foi popularizada por Brooks Stevens em 1950, nos Estados Unidos, e desde então vem sendo aplicada em todos os bens de consumo. Essa ideia da obsolescência programada surgiu no pós crise de 1929, idealizada por Bernard London, que até tinha uma ideia não-consumista na época, de programar os produtos para terem uma certa durabilidade, forçando o consumidor a trocá-los, movimentando assim a indústria, gerando empregos e tirando o país da lama. No documentário, a técnica (não admitida pelas indústrias) da obsolescência programada é comprovada, através de documentos da década de 30, sobre o chamado “cartel da lâmpada”, que forçou toda a indústria que produzia lâmpadas no mundo a colocarem uma data para queimar, que na sua versão final girava em torno de 1.000 horas. Isso era bem diferente das lâmpadas produzidas até então, como por exemplo a lâmpada que ainda está acesa há mais de 100 anos em Livermore, California, e está sendo filmada por uma web cam, que inclusive foi trocada duas vezes por defeitos, enquanto a lâmpada está funcionando perfeitamente. Essa lâmpada foi projetada por Adolphe Chailet, produzida por Shelby Electric Company no estado americano de Ohio em 1901, e ele morreu com os segredos do projeto.

Nesse mesmo documentário, é mencionado que a bateria dos primeiros iPods era feita para durar de seis a doze meses, e a Apple na época sugeria que você comprasse outro iPod caso a bateria estivesse com problemas. Graças a uma ação na justiça isso foi "mudado" (para um prazo um pouco maior).

Esse lixo todo produzido pelo consumismo acaba indo para países subdesenvolvidos, como mostra nesse mesmo filme, e containers inteiros de entulho são exportado para, por exemplo, Gana, na África,  destruindo completamente o meio ambiente daquele país. A ideia de sustentabilidade parece que não está bem clara. 

Isaac Asimov foi um escritor de ficção científica ateu e humanista. Seus livros mostram que no futuro o homem deixa de se preocupar com coisas menores e passa a se preocupar com a humanidade, avançando cientificamente se expandindo, para a colonização do universo. Essa também é a ideia central de outro documentário chamado Zeitgeist – Moving Forward, que inclusive promoveu recentes protestos em Wall Street, na bolsa de valores americana. Particularmente, acho pouco provável que façamos alguma coisa a não ser quando não tiver mais jeito, e formos obrigados a mudar e a salvar o pouco que restar do planeta para nossa própria e particular sobrevivência. Até lá continuaremos a consumir e a produzir lixo desnecessário, e a esgotar a matéria-prima, simplesmente porque temos algo que C.S. Lewis chamou de o maior pecado de todos: Orgulho.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Dragões


"E viu-se outro sinal no céu, e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete diademas." Apocalipse 12:3

A palavra “dragão” veio do Latim draconem, significando “serpente enorme”, do grego drakon, “serpente, peixe gigante”, com raíz na palavra derkesthai, “ver claramente”, e retirada talvez daí a capacidade dos dragões de vigiarem tesouros, uma das características dessa lendária criatura, mito em diversas culturas de diversas origens.

Os dragões são lendas em praticamente todas as culturas do planeta mas aparentemente esse bicho perdeu a hora no dia de entrar na arca de Noé e sua existência nunca foi realmente comprovada, tampouco desmentida. O mais interessante é que os dragões quase sempre tem significados religiosos nas culturas pelo mundo. Nos países asiáticos, o dragão é reverenciado como representante das forças primárias da natureza, associado com sabedoria e longevidade. Nota-se que os dragões possuem também um caráter mágico, ou num caso mais específico, sobrenatural, fazendo parte também da Bíblia Sagrada na batalha do Apocalipse. 

As semelhanças da palavra dragão com serpente me faz pensar sobre a serpente do Jardim do Édem, que provavelmente era um Dragão, como relatado em Apocalipse 12:9 “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” Isso quer dizer que a serpente era ou a forma antiga do dragão, que em apocalipse ganha sete cabeças e dez chifres, ou a palavra que foi sendo alterada durante o tempo, do hebraico (língua do velho testamento) até o grego (língua do novo testamento). As primeiras menções ao bicho em forma de dragão na Bíblia vem da palavra Nachash Bare'ach, descritas em Isaías 27:1 e Jó 26:13, e significa Serpente dos pólos, ou serpente do mar, derivando também da palavra Taninim, monstro marinho, leviatã (Gn 1:21).

Na cultura chinesa, a palavra dragão se pronuncia “lóng” em mandarim, ou “lùhng” em cantonês, e a presença de artefatos com representação de dragões da dinastia Shang e Zhou datam do século 16 antes de Cristo. Acredita-se que a palavra dragão em chinês é uma onomatopéia do som que o trovão faz, e interessante essa relação dragão x céu que também ocorre na batalha do Apocalípse citada acima, em que o dragão com sua cauda lança sobre a Terra a terça parte das estrelas do céu (referenciando talvez aos anjos que Lúcifer levou consigo em sua queda, que foi um terço deles). Esse dragão que aparece em Apocalípse é derrotado pelo ser angelical Miguel, protetor de Israel na visão de Daniel (citado em Daniel 10:13-21. E ainda algumas pessoas desejam ver anjos. Tenho comigo que se um anjo aparecer é porque a coisa tá feia e a melhor coisa seria desejá-los bem longe, pois a maioria das vezes em que aparecem é para fazer uma “limpeza” divina. Seriam uma espécie de ROTA ou Tropa de Elite dos céus).

Particularmente tenho muito interesse nos dragões, em livros do gênero fantasia que possuem esses  seres e no momento terminei um jogo fantástico, chamado The Elder Scrools V – Skyrim, que gira em torno da volta dos dragões num determinado universo de fantasia.








Me desperta o interesse de saber se esse bicho realmente existiu, mas é inegável que praticamente todas as culturas relatam mais ou menos o mesmo animal, com as características semelhantes. 

E mais um detalhe: Antigamente os cartógrafos colocavam nos mapas as áreas não exploradas com a frase em latim “hic sunt dracones”, que significa “os dragões estão aqui” (Here Be Dragons), mostrando que a lenda existia na época para territórios virgens, e monstros marinhos assolavam a imaginação dos exploradores.


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

MIT oferecerá cursos de graça

Boa notícia para quem quer estudar de graça e sem sair de casa. O MIT (Massachusetts Institute of Technology) criou no dia 19 de Dezembro de 2011 um programa chamado MITx que pretende “oferecer um portfolio de cursos do MIT através de uma plataforma de aprendizado interativo online que vai:

  • Organizar e apresentar o material do curso para habilitar o estudante a aprender no seu próprio ritmo;
  • Característica Interativa, laboratórios online e comunicação estudante para estudante;
  • Avaliação individual para todo trabalho do estudante, permitindo a estes que demonstrarem domínio sobre o assunto receberem um certificado concedido pelo MITx;
  • Operar uma estrutura de software open-source com objetivo de prover melhoria contínua e alta disponibilidade para outras instituições de ensino”.

Ótimo para os que pretendem aprender mais sobre tecnologia. Além de poder estudar de graça, em casa, no seu próprio tempo livre, ainda poderá receber um certificado, parte importante no currículo. Outros cursos gratuítos são oferecidos através da internet, como muitos cursos de Stanford, e outros no iTunes University, mas esse do MIT é o primeiro a dar um certificado. Infelizmente tudo está em inglês.
 
Mais um passo à modernidade, onde o espaço físico não é mais estritamente necessário para a formação educacional de uma pessoa. Aliás, esse conceito de trabalho em casa também está engatinhando para virar moda nas empresas (será mesmo?), e muitas aqui no Brasil já adotaram pelo menos um dia da semana em que o funcionário pode trabalhar em sua casa, acessando a empresa remotamente.

Sobre o MIT, o certificado oferecido não tem valor de um diploma de graduação (degree), mas tem o valor de você ter participado e se sobressaído no curso. Os cursos não terão vestibular para entrar, e serão oferecidos a todos, em qualquer local do mundo com acesso à internet. O curso será gratuíto, mas na página do MITx existe uma ressalva que será cobrada uma taxa (não se sabe de quanto) para o certificado, mas pelo menos diz ser uma taxa “modesta”.

Vale dizer que esses cursos estarão disponíveis na primavera americana, ou seja, a partir do dia 20 de Março de 2012, e por isso fique ligado e se matricule quando disponível! Vou entrar na página do MIT News semanalmente para saber quando poderei fazer minha inscrição no MIT OpenCourseWare

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O Bóson de Higgs

Eu juro que tentei, mas não consegui escrever um post decente sobre o Bóson de Higgs, já aviso. O assunto é tão complicado que o texto ficaria interminável se fosse explicar com detalhes reais. Não existe uma analogia visual que satisfaça a complexidade da mecânica quântica, e mesmo porque a base é toda matemática e, portanto, abstrata. Só queria reportar que dia 13 de Dezembro de 2011 o CERN (Organização Européia para Pesquisas Nucleares) anunciou “sugestões tentadoras” para a existência do Bóson de Higgs, um grande avanço para a física. Após escrever o texto, feliz da vida, pedi ajuda a um amigo para que colocasse seus comentários e correções. As correções foram tantas que não conseguiria preservar quase nada do original. Justamente porque, além de algumas correções, as analogias não demonstram a realidade do que acontece no mundo subatômico. As leis de lá não são as mesmas leis daqui, e não é nada fácil ou simples tentar simplificar. De teimoso, dando uma de Brian Greene (o marketeiro físico), vou tentar escrever algo que minha imaginação doida entende por Bóson de Higgs, e com a ajuda de um amigo e da Wikipedia vou fazer uma tentativa. Que me perdoem os físicos (e meu amigo). Aliás, Márcio fica aqui meu muito obrigado! Coloquei seus comentários no final do texto. 

Primeiramente vamos entender o que é esse tal de Bóson de Higgs. Que diabos é bóson e quem é o Sr. Higgs

Você deve ter aprendido na escola em algum momento da sua vida que existem coisinhas ridículamente pequenas que compõem tudo que existe, chamadas átomos. Pois bem, o átomo como lhe foi explicado na escola, é a unidade básica de matéria que consiste em um núcleo denso cercado de uma nuvem de elétrons de carga negativa, que ficam "girando" em uma espécie de órbita (o melhor seria estado) em volta do núcleo, atraídos pela força eletromagnética. Isso é um modelo clássico “visual” um tanto errôneo no mundo atual, mas foi proposto por Ernest Rutherford em 1911 e usei aqui para que possamos entender melhor. Saiba que na mecânica quântica isso é bem mais complexo e bem diferente, corrigido posteriormente por Niels Bohr. Mas, vamos seguir adiante com nosso modelo visual clássico. 

Um grupo desses átomos, quando associados uns com os outros podem formar moléculas. Uma molécula seria um grupo eletricamente neutro de dois ou mais átomos que compartilham seus elétrons. Uma analogia boba seria uma criança (núcleo) que se une com outra criança (outro núcleo) dividindo seus brinquedos (elétrons), formando assim uma molécula de bagunça (revira na tumba, Rutherford!). Essas moléculas, quando juntas com outras moléculas formam toda a matéria que conhecemos, com ligações químicas. 

Voltando ao átomo, seu núcleo é composto por basicamente dois elementos: Os Prótons e os Nêutrons, e um átomo é classificado de acordo com o número de prótons e nêutrons em seu núcleo. O número de prótons determina o elemento químico (número atômico na tabela periódica) e o número de nêutrons determina o isótopo do elemento. Esses caras do núcleo também são divisíveis, contendo mais detalhes em sua formação. Um próton tem carga elétrica positiva com valor igual a 1, e é composto por quarks (o elétron tem carga negativa, e o nêtron é, olha só, neutro). Quarks são os tijolos (que analogia péssima, mas não consegui pensar em outra) que compõem a estrutura do próton. Um próton é composto por dois up-quarks e um down-quark que são mantidos unidos pela força nuclear forte, e dessa forma ele também é considerado um Hádron, ou seja, “composto de quarks”, mais especificamente um Bárion, ou seja, aquele que é composto de três quarks (chupa essa manga). Enfim, a galera que viaja na maionese vai dando nomes pra essas coisas de acordo com a classificação que encontram. 

Esse up ou down do quark acima é o tipo de “spin”, que seria algo como a tendência de continuar "girando" a uma taxa em particular (chamado na indecifrável wikipedia de “angular momentum”). “Usar momento angular é só um jeito que os humanos acharam para tentar fazer uma coisa impenetrável, até o momento, para a mente humana familiar” - Valeu Márcio! [1], e possuem valores de spin fracionados (1/2). Existem seis tipos de quarks: up, down, strange, charm, botton e top. E não, o quark do tipo charm não é uma jóia da Pandora, pelamor... Então existem 16 partículas fundamentais que constroem um átomo, sendo 12 partículas de matéria e 4 partículas portadoras de força (as quatro forças fundamentais, mas podendo ainda ter mais duas que relato em breve). 

O bóson, segundo a wikipedia, tem essa explicação: “Bósons são partículas subatômicas que obedecem as estatísticas Bose-Einstein [3].” Se você clicar no link acima para saber o que seria uma estatística Bose-Einstein, vai se deparar com “Na mecânica estatística (?) a estatística Bose-Einstein determina a distribuição estatística de bósons indistinguivelmente idênticos (?) sobre um estado de energia em equilíbrio térmico (?)”. É de fazer qualquer um desejar tomar um copo de veneno. Um bóson [2] seria um portador de força, que possuem spin inteiro (diferente do próton acima) e algumas outras características, como podendo ocupar o mesmo ponto no espaço ao mesmo tempo (como o fóton). Existem quatro forças fundamentais no Universo: o eletromagnetismo, a gravidade e as forças nucleares forte e fraca. Essas forças são na verdade a perturbação de campo (não confundir com o jogador Danilo do Corinthians, que também é uma perturbação em campo), e são medidas pela iteração dos bósons entre as partículas (no caso, os bósons chamados bósons gauge. Um exemplo de bóson seria o fóton, ou a patícula de luz (que não tem massa). Porém nem toda forma de energia é sem massa [4], como por exemplo as forças dos bósons W e Z que possuem 100 vezes a massa do próton. Os bósons podem ser elementares, como os fótons, ou compostos, como os mesons e por aí vai.

No Modelo Padrão da física existem seis tipos de bósons (quatro devidamente provados e dois teóricos), e o Bóson de Higgs é um desses dois que não foi provado ainda (o gráviton também não deu as caras por enquanto). O Modelo Padrão é um modelo teórico desenvolvido ao longo de anos pelos físicos de todo o mundo que nos dá a estrutura básica do nosso entendimento das partículas fundamentais da natureza (aquelas 16 partículas que disse acima mais algumas outras teorias). Um dos ingredientes desse modelo padrão é um campo hipotético que explica porque as partículas tem massa (entre outras coisas). Esse campo hipotético, onipresente, é chamado Campo de Higgs, do físico britânico Peter Higgs (hoje com 82 anos), que publicou lá na década de 60 alguns trabalhos sobre essa teoria, e tenta explicar por que é que as partículas tem massa, pois quando analisadas separadamente, essas partículas não tem massa nenhuma (veja a observação número [4] abaixo). 



Então existe algo que dá “materialidade” à matéria. Esse algo é chamado de Bóson de Higgs (uma força), que tem massa, ficando esta na casa dos 130 GeV (giga-eletrovolts), e por isso a necessidade do LHC existir, por possuir energia suficiente para tornar possível pesquisar essa faixa. E a maioria das partículas que interagem com o Bóson de Higgs ganha, portanto, massa (outras não, e ninguém sabe o por quê). 

Ufa, depois dessa coisa toda, por que é que esse bóson é tão importante assim? Porque esse cara, se provado existente, o Modelo Padrão fica um pouco mais completo [5]. Se entendermos as leis da natureza, poderemos focar nossas teorias (que existem muitas além do Bóson de Higgs, como a Supersimetria, ou a Quebra da Simetria Dinâmica) em um só local que provou-se certo, esquecendo as outras. Focando os esforços e experimentos, podemos descobrir mais a fundo outras partículas ou forças e seu funcionamento (como a dona Gravidade, que ninguém consegue explicar). Em 1993 o Ministro de Ciências britânico William Waldegrave lançou um desafio aos físicos para explicarem em apenas uma página o que é o Bóson de Higgs e por que eles estão tão ansiosos em descobri-lo. Os vencedores do desafio podem ser conferidos aqui. Com esse avanço na física provando a existência do Bóson de Higgs, quem sabe um dia poderemos entender melhor as partículas, e com isso tornar possível viagens intergaláticas, usando motores movidos a antimatéria. Aí só faltaria saudarmos uns aos outros com a frase “tenha uma vida longa e próspera”. [6] 



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[1] O eletron é infinitesimal (não tem dimensão). Apesar do termo "spin", electron não gira. Isso é só uma forma de tentar usar um modelo clássico para satisfazer a necessidade humana de intuir coisas. 


[2] A diferença entre um bóson e um férmion (a maioria da matéria, eu e você somos feitos de férmions), é que bosons são indistinguíveis um em relação um ao outro. Não existe nenhum atributo (como o spin, por exemplo, pois um mesmo fermion pode ter, por exemplo, spin +1/2 e -1/2) para diferenciar dois bósons. 
    Suponha que você tenha dois estados quânticos (A e B) e duas párticulas (1 e 2) que ocupam esses dois estados. Suponha que essas partículas podem ocupar qualquer estado, inclusive o mesmo estado ao mesmo tempo, você terá as seguintes possibilidades: 

A(1, 1) B() - As duas partículas no estado A e nenhuma no B 
A() B(2, 2) - As duas partículas no estado B e nenhuma no A 
A(1) B(2) - Uma em cada 
A(2) B(1) - Uma em cada 

Imagine agora que 1 e 2 são indistinguíveis. Isso significa que: 
A(1) B(2) = A(2) B(1) = A(X)B(X) 

Então temos na verdade 3 estados: 
A(1, 1) B() 
A() B(2, 2) 
A(X)B(X) 

Note que se 1 e 2 são distinguíveis, você tem 50% de chance de encontrar as particular no mesmo estado (4 estados, 2 estados no qual as particulas estão no mesmo estado). Se 1 e 2 são indistinguíveis, voce tem ~67% de chance de encontrar as particulas no mesmo estado (3 estados, 2 no qual as partículas estão no mesmo estado). 

Se você repetir essa brincadeira para mais partículas (3 já dá um trabalho razoável para listar as possibilidades), você vai descobrir que a probabilidade de encontrar as particulas no mesmo estado aumenta com o número de partículas . Luz por exemplo, tem tantos fótons, que a probabilidade é praticamente certa (100%). Esse princípio torna o laser possível mas você sair correndo e atravessar uma parede impossível (melhor dizer improvável). Você é feito de férmions que são distinguíveis um dos outros. A maioria das pessoas tem dificuldade em aceitar que "possível e impossível" é um conceito clássico. Qualquer evento é possível, mas pode ser provável ou improvável. Possível ou impossível são conceitos criados por seres humanos que não existem no mundo físico. 


[3] Bose-Einstein, é só um nome. Porque um físico indiano chamado Bose descobriu a idéia (acidentalmente) e o Einstein ajudou a divulgá-la (ninguém escutou o cara até o Einstein apoiá-lo). 


[4] Massa é uma forma de energia. Lembre-se que E=MC^2. Massa não é a mesma coisa que matéria. Por exemplo, massa aumenta com a velocidade. Próximo da velocidade da luz, um objeto teria massa quase infinita e não "engordaria", a quantidade de matéria continuaria a mesma. Massa é uma propriedade associada com o fenômeno de inércia (uma medida de quão díficil é mudar a velocidade de um objeto, i.e., acelerar, frear... da lei da inércia de Newton). Um fóton é tão material quanto um elétron. A diferença sendo que o fóton não sofre inércia. A idéia fundamental do Campo de Higgs é explicar porque o benedito do fóton não sofre inércia e o electron sofre. 


[5] O modelo padrão fica um pouco mais completo com o Higgs, mas não é um modelo completo da natureza. Falta gravidade por exemplo e mesmo assim tem várias constantes no modelo padrão que foram obtidas puramente através de experimentos e que ninguém sabe calcular teoricamente. 


[6] Nos dias de hoje é possível criar um motor movido a ant-matéria (graças ao Paul Dirac que descobriu a maledeta!). O único problema é que é muito caro. :) O wikipedia diz o seguinte: "$250 million could produce 10 milligrams of positrons". É mais problema de engenharia do que de física. :) 

Mais sobre o Bóson de Higgs: 
http://www.scientificamerican.com/article.cfm?id=what-exactly-is-the-higgs&page=3 

http://www.popsci.com/science/article/2010-11/lhc-researchers-glimpse-primordial-soup-universe-first-time

http://press.web.cern.ch/press/PressReleases/Releases2011/PR25.11E.html