segunda-feira, 14 de abril de 2008

Peixe babel


Estava conversando com meus amigos no almoço e resolvi voltar ao assunto sobre traduções, conforme disse no artigo do livro O Físico. Agora sou obrigado a citar que estive conversando com meus amigos todas as vezes que for escrever um novo post, pois da última vez deu o maior barraco.

Bem, estavamos falando mais especificamente de traduções dos nomes dos filmes para o português. Vou expressar minha opinião e sei que muitos podem não concordar, me achar radical demais, xiita, etc, mas quero expor aqui o que penso sem muito radicalismo. Os nomes dos filmes deveriam ter sua tradução exata do inglês, ou pelo menos o seu sentido, quando a tradução ao pé da letra não deve ser feita. A língua inglesa é complicada por não ter origem direta da língua latina, e muitas vezes algumas coisas ficam completamente sem sentido, como por exemplo “Out of blue” ou “Out of the blue” significar “Do nada” quando se fossemos traduzir ao pé da letra ficaria algo como “fora do azul” que não tem nada a ver. Mas o pessoal aqui costuma sacanear a coisa, como a maioria das coisas no Brasil, e aí descamba para a palhaçada. Acho que em muitas vezes os tradutores acabaram de se matricular num curso de inglês da Escolinha da Tia Naná, pois não é possível o que fazem por aí. O pior de tudo são nomes que ferem o sentido do filme, como por exemplo a tradução de “Jay & Silent Bob Strike Back”, filme de Kevin Smith que é uma continuação da dupla Jay e o Silent Bob do filme Clerks, um marco do mundo nerd, ficou como “O Império (do besteirol) Contra-Ataca”. Ridículo é pouco. Nota-se claramente que a anta que traduziu não tinha a menor idéia que filme era esse. Aí as desculpas são: “Ah, mas se colocar o filme direto do inglês não vende”. Gente, esse filme é filme NERD, não é para sua titia assistir. Tem que saber quem é Kevin Smith, tem que ter assistido Clerks (que não tem no Brasil) e tem que ser Nerd para entender. Se você pegar a sua sogra e mostrar esse filme para ela, é claro que ela vai achar uma bosta. Ela viu Clerks? Ela é Nerd? Ela sabe quem é Kevin Smith? Conhece o gênero? Então vá ver Xuxa e os Duendes, pô. Não sacaneia quem sabe que filme é esse. Os nomes dos filmes pornográficos são excelentes, pois quem os assiste não quer saber de história nem de roteiro, apesar de alguns serem exagerados, como “The power machine girl” ser traduzido para “Socorro, façam minha mulher parar de gozar!”. Muito bom...

Alguns exemplos ridículos: Evil Dead foi traduzido para “Uma Noite Alucinante”. Pára! É o primeiro trabalho do Brian Singer (Superman - O Retorno, X-Men 1 e 2) e também um marco Nerd que o pessoal revolveu achar que era bom traduzir para que sua avó fosse aos cinemas. Outro: “Breakfast at Tiffany's” virou “Bonequinha de Luxo”. Tudo a ver.

E quando não entendem o filme e resolvem traduzir assim mesmo? Aí vem aquelas coisas como: “Onde os Fracos Não Tem Vez”. O título original é “No Country for Old Men”, pois nota-se um sentido também quanto ao personagem de Tommy Lee Jones (O velho policial) perseguindo o bandido, mas ele já está velho (OLD) e daí a trama do nome do filme. Agradeço ao meu amigo Garcia por essa observação (tá vendo, agora coloquei a referência).

Outra coisa mais ridícula é colocar o nome em inglês e depois uma espécie de explicação, como em “Pulp Fiction, Tempo de Violência”, como se Pulp Fiction significasse “Tempo de Violência”. “Jurassic Park, O Parque dos Dinossauros”, como se a palavra Jurassic não tivesse nada a ver com o período da era mesozóica. Absurdos... E outra: “Jaws” foi traduzido como “Tubarão”, claro. Já que Jaws são mandíbulas, poderia facilmente ser “traduzido” como o Tubarão, né? Outra coisa são aqueles filmes que pelo nome você nem se aventura a ver, como as terminações de filmes como “...do barulho”, “... muito louco”, “... é demais”, “... do futuro” ou os que iniciam em “Deu a louca...”.

A imaginação é o forte desse pessoal que traduz os filmes. Eles pelo menos poderiam de se dar o trabalho de assistir ao menos um pedaço do filme para saber do que se trata antes de passar o rótulo. Talvez não teríamos títulos como “A Noviça Rebelde” (The Sound Of Music) ou “Deu a Louca na Chapeuzinho” (Hoodwinked), onde a Chapeuzinho, no caso, é a normal da história. O filme “Amnésia” trata-se de um cara que NÃO TEM amnésia, como ele mesmo diz no filme. O título original é “Memento”, ou lembrança. Esse então é bravo: “Mata-me de prazer” tem o seu título original de “Killing Me Softly”, ou Mata-me Lentamente, que deixou a confusão do nome para que as pessoas levassem o RG no cinema para poder entrar na sessão, imaginando algo mais forte.

Portanto minha opinião é essa: Não mudem a tradução! Traduzam o que é (ou seu sentido quando a tradução é impossível). Assim evitaríamos essa palhaçada de nomes e tradutores ignorantes, permitindo ao público decidir assistir ao filme ao invés de desistir já no título. As traduções ridículas para chamar público até que poderiam fazer sentido no passado, mas hoje já perderam totalmente o nexo de existir.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Out of Blue


O assunto é bastante denso mas eu gostaria de pelo menos começar a falar sobre isso. Você ter dúvidas é perfeitamente normal. Você achar que sua fé é pouca, e assim não teria subsídios de entrar no Reino dos Céus, é um mal entendimento. Vamos à história. Antigamente, na época de Moisés, existia a Lei. A Lei era soberana de Deus e quem desobedecia pagava o preço dessa desobediência, muitas vezes com a vida. Bem, o mundo caminhou assim por muito tempo. Aí Deus enviou Jesus. Muito bem, vamos ver o que aconteceu. Jesus carregou com Ele o pecado do mundo, todos sabem disso mas poucos entendem realmente. O que significa carregar o pecado do mundo? Significa que se você matar alguém hoje, Deus não vai lhe matar. Por que? Porque Jesus morreu para carregar esse suposto pecado com Ele. Então, se você matar alguém a Graça de Deus ainda pode te salvar. É justo? Sim, pois Deus só enviou o filho Dele, perfeito, para morrer por nós, então a outra ponta da balança é a podridão do homem, seus pecados, que balanceiam com a perfeição de Jesus, que cumpriu toda a lei de Deus e ainda carregou os pecados inocente.

Se você acha a Bíblia muito complicada, saiba que não está sozinho. Por isso Jesus veio e disse o seguinte: Gente, vamos facilitar as coisas aqui. Vocês precisam entender basicamente dois mandamentos: Um é para amar a Deus acima de qualquer coisa. Isso significa amar a Deus sobre todas as coisas, ou seja, mais que seu filho, mais que sua esposa, mais que seu periquito, emprego, cachorro, comida preferida e por aí vai. E mais que você mesmo. A segunda coisa que Jesus disse é: Ame seu próximo como Eu vos amei. Se você fizer essas duas coisas, tá mais que ótimo. Aí agora é só crer em Jesus, que ele é o próprio Deus que ressucitou em carne e osso e foi pro Céu, ficando à direita do Pai. Está acompanhando? Jesus disse “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai se não por mim” Isso está em João 14:6. Quer dizer o quê?

Você vai pro Céu se for bonzinho?

Não!

Você vai para o Céu se for Católico ou Crente ou de qualquer outra religião?

Não!

Você vai para o Céu somente se tiver vivido uma vida descente?

Não!

Ah tá, mas se eu pedir pra virgem Maria eu tô lá, né?

Opa, não também.

E pro Santo Expedido que eu pedi tanto?

Putz, jogou seu tempo fora...

E passe, serve?

Hum... nem de metrô da linha celeste.

Filho, você só sobe pra lá se crer em Jesus. Tá entendendo? É muito simples, mas o povo complica demais. Aí fazem religiões e mais religiões. Umas não pode comer carne de porco. Outras não podem trabalhar no sábado. Outras não cortam o cabelo. Outras com regras mais absurdas... Isso ajuda a ir pro Céu? NÃÃÃÃÃOOO! Pára de se confundir, filho. Isso só gera briga de irmãos. É ateu pra lá, herege pra cá, macumbeiro assim, fanático assado... Pra quê isso? Me fala?

Se fosse muito complexo ir para o Céu, que fosse preciso um vasto estudo da palavra e tal, você acha que os analfabetos iriam para o céu? Acha que as crianças iriam? Acha que a Carla Perez iria? E seria justo isso? Bem... no caso da Carla Perez... Olha, eu não sou Deus... Não tenho essa Graça toda...


Ir para o Céu = Crer em Jesus. That’s it! Aí, crendo em Jesus faz o seguinte: 1) Ame a Deus sobre todas as coisas e 2) Ame o próximo como Jesus Cristo nos amou. Um montão de conseqüências vem com isso, sabia? Você não vai matar, não vai roubar, vai dar bom testemunho, vai amar os outros, vai fazer boas obras, vai ajudar, vai respeitar os pais, etc, etc... (parece com a lei...)

Deus na sua infinita Graça (essa palavra é inexplicável, mas quer dizer algo como “você não merece mas Eu te dou sem cobrar nada”), nos dá a salvação. Não precisa de boas obras, nem ser bonzinho, nem parar de beber, nem deixar a sovaqueira peluda, nem pedir pros guias (aliás, eu peço pros guias quando estou procurando as ruas, mas isso é outra coisa).

Esse artigo é meio do nada, mas acho que precisava escrevê-lo. Tá, mas tudo isso que escrevi é fácil de fazer? Também não, mas vale a pena tentar. Ô se vale.



PS: "Out of blue" significa "Do nada", como esse artigo me veio à cabeça.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Ler ou não ler?


Existe uma forte campanha implícita apologética da leitura, que rola nos meios acadêmicos e em poucas rodas sociais (no bom sentido, é claro). O incentivo é ler. Leia qualquer coisa, mas leia. Acabei de ler o livro que fala para não lermos mais livros (que paradoxo!). Enfim, fiquei curioso após ler a resenha do livro em uma dessas revistas semanais, na qual o camarada que estava resumindo o livro obviamente não o leu. Na verdade nem passou perto de lê-lo, sendo fiel até demais do título. “Como falar de livros que não lemos?” trata com respeito o incentivo não à não-leitura, mas como se situar no mar de livros que existem por aí e que algumas vezes alguém se vê obrigado a discutir determinado livro que não leu, mas apenas ouviu falar. O livro é de um professor de literatura francês (!) chamado Pierre Bayard que prega sobre o conhecimento de uma determinada obra ser mais válido não por meio do conhecimento completo do conteúdo todo do livro, mas apenas do que trata o livro e pela situação em este se encontra num comparativo com outras obras numa determinada época.

É um livro interessante, embora muito do que ele prega fica longe da realidade, principalmente aqui no Brasil. Por exemplo, ele prega muito contra a vergonha de dizer que não leu determinada obra, como se nós brasileiros tivéssemos alguma vergonha de não ter lido algum livro. Nesse ponto ele se distancia muito, já que no Brasil alguém que lê muito é considerado estranho pela maioria da população brasileira que a cada dia fica mais ignorante e não-qualificada, como todos já sabem (ou pelo menos deveriam).

Uma outra coisa interessante que gostaria de saber é o motivo de mudarem a capa dos livros após traduzi-los. Alguém poderia me dizer por que pega-se uma capa legal e faz-se um trabalho porcaria? Não posso reclamar muito, já que pelo menos o nome do livro não é mudado, ao contrário dos nomes dos filmes (com exceção do Físico que é Médico, conforme artigo anterior), mas mudar a capa é muito estranho pra mim. A capa da versão em inglês está no começo do artigo, mas já a capa brasileira é horrível. Depois procure pra você ver.


Vale a pena ler esse livro? Eu acho que não. Um bom artigo resolveria, pois senti uma certa enrolação, citando muitas obras para dizer a mesma coisa. Pontos fortes do livro: Uma discussão sobre uma mulher que vai até uma tribo da África para encenar Hamlet à um grupo indígena distante da civilização, achando que eles iriam entender a obra (sendo a obra de entendimento universal para ela), o que não acontece, pois os índios não acreditam em fantasmas...

Outro ponto legal é uma longa discussão sobre “O Nome da Rosa”, livro excelente que eu li e Bayard dá uma resumida muito boa na obra, me fazendo lembrar de detalhes há muito tempo esquecidos. Bem, eu daria uma nota 5,5 ao livro. Não é nada de mais.

segunda-feira, 17 de março de 2008

(De) Serviço


Por que será que a área de serviços no Brasil é tão ruim? Pra onde a gente olha é uma coisa pior que a outra. Pense em um serviço no Brasil que funcione direito... Ah tá, pensou em um, né? Agora, quanto ele custa? É caro, né? Pois é, os serviços razoáveis são impagáveis. Os pagáveis são imprestáveis. E assim caminha o povo brasileiro, acostumado a votar no Lula porque vai ganhar 100 cruzeiro no final do mês por ninhada de filho que tiver.

Esses dias me ligaram da TV a cabo pra fazer uma troca pela TV digital. Ótimo, pensei, pois vou ter os mesmos canais e mais o telefone deles e pagar menos. Ah tá, claro que foi assim fácil. Primeiro a coisa não funcionava, e eu ligando no maldito telefone do call center para ouvir aquele bacanal de gerundismo costumeiro e muita demora para o camarada conseguir ao menos entender o que eu estava dizendo. Eu dizia, “não funciona” e ele dizia: “Então veja o código do cartão atrás do aparelho”. Eu replicava: “Não tem cartão atrás do aparelho, o meu fica na frente do aparelho e não tem número nenhum nele”. “TEM SIM, SENHOR! O CARTÃO ESTÁ ATRÁS DO APARELHO”, esbravejava a fulaninha ao telefone. Eu tentava calmamente dizer para a anta que meu cartão vinha na frente do aparelho e desprovido de código, onde teria que arrancar o cartão pra ver o tal código. Ela esbravejava mais ainda, com toda a força de seus pulmões, como se estivesse com o namorado na linha após descobrir que ele traçou a sua melhor amiga: “É ATRÁS DO APARELHO E NÃO É PRA TIRAR O CARTÃO!”. Bem, eu tentava replicar de novo mas a ligação era interrompida, pois a fulaninha traída desligava na minha cara. O parto durou com mais três atendentes, até que enfim consegui falar com um ser humano, com pelo menos dois neurônios, que ao invés de descontar sua doença sexual em mim resolveu entender o que estava acontecendo. Ai ele disse: “Ahhhh, o senhor deve estar com o modelo novo de aparelho”... Ou seja, tinham instalado aparelhos novos e simplesmente esqueceram de adestrar os funcionários do call center, jogando biscoitinhos para eles e mandando-os pular nas argolas certas. Bem, nem preciso dizer que TV a cabo era essa, mas já digo que é uma famosa de São Paulo.

Mas a coisa não fica muito diferente não. Qualquer uma é a mesma coisa. Quando te vendem, normalmente te enganam, pois contam com a justiça brasileira, que é uma verdadeira piada. Se eu resolvesse processar essa empresa levaria uns bons vinte anos e provavelmente ela ganharia o processo. Telefonia então nem se fala. Nada presta. Você vai de uma operadora pra outra e a coisa continua igual. Hoje achei uma que mais ou menos funciona e graças a Deus não preciso ligar pro serviço de call center. Mas quase todos os serviços no Brasil são assim, desde bancos até moto boy. Nada funciona direito. Até quando será que deveremos ficar nessa inércia de ter que engolir o que tem por aí? Acho que a solução é o voto, melhorando a qualidade do que está lá no congresso, para que possam fazer cumprir as leis e os processos durarem menos. Aí, se todos processam com chances de ver sua causa ganha, talvez as empresas comecem a fazer serviços melhores, com medo da justiça. Hoje a justiça só assusta pobre, pois para pobre ela existe mas para rico existe jurisprudência. É isso.

sexta-feira, 14 de março de 2008

O Físico, mas é o médico


Acabei de ler o livro “O Físico”. Apesar de ter esse título, o nome deveria ser “O Médico”, já que em inglês chama-se “The Physician”, ou seja, O M-é-d-i-c-o. Já físico em inglês é Physicist, e realmente dá pra confundir, mas não dá é pra traduzir assim e ninguém ter a curiosidade de pegar um dicionário e dizer: “Ô cara, é Médico e não Físico”. O pior é que a história passa-se no ano de 1030 mais ou menos, ou seja, nem existia essa profissão. E ainda além da tradução, colocaram abaixo do título “A epopéia de um médico medieval”. Aí é demais... Mas, deixa pra lá, vamos comentar o livro ao invés de meter o pau no tradutor.

O Físico é um livro muito bem escrito pelo autor Noah Gordon. Acho que esse livro é um dos melhores dele, pois tem mais notas no site da Amazon. Ele também escreveu “The Rabbi” e “Shaman”, mas não os li. A história acontece no século XI e trata-se da saga de um sujeito chamado Rob J. Cole, órfão de pai e mãe, a tornar-se médico, naquela época. Bem, realmente é uma saga, pois existia um grave problema em estudar medicina na idade média, pois a igreja era um verdadeiro câncer no mundo e dominava quase todas as áreas, colocando proibições e matando gente a torto e a direito. Não se podia abrir os mortos para estudar seus órgãos, pois era profanação, tanto no cristianismo quanto em outras religiões. Nosso protagonista quer estudar na Pérsia, onde existia a melhor escola de medicina. O autor detalha bem os modos e costumes de cada região entre a europa e o oriente médio bem como o povo que lá habitava. É um livro ótimo, dotado de um certo drama, passando por situações cômicas mas sem perder o objetivo. Imagino um médico nos dias de hoje lendo a respeito de seu trabalho de hoje exercido na idade média, sendo esse livro um deleite para quem estuda essa magnífica profissão.

Noah estudou muito a história para relatar com uma incrível precisão as regiões e religiões pregadas na época, e a dificuldade que o mundo vivia com guerras (santas ou não), política e miséria.

Deixando uma bonita mensagem de persistência e determinação, o Físico motiva a leitura a cada página, apesar de seu conteúdo ser bem grandinho, chegando a quase seiscentas páginas. O prazer em ler é aumentado enquanto se adentra às suas páginas, e quanto mais vai chegando no final mais você quer ler e descobrir o que acontece. Tem um mix de geografia, história, religião que faz a gente imaginar como era viver naquela época. Eu achava o mundo de hoje difícil, mas antigamente era muito mais complicado. Não sei como a humanidade sobreviveu à Idade Média. Era uma podridão tanto de pensamentos quanto de ambiente. As pessoas achavam normal condenar alguém por bruxaria e dar cabo da vida do indivíduo jogando-o em um rio, amarrado dentro de um saco com uma pedra, uma cobra e um galo dentro do saco. É muito absurdo para crer que isso realmente existiu e foi apoiado pela igreja, reis e o próprio povo. Não quero estragar o seu prazer e contar partes do livro, por isso eu recomendo fortemente.

quinta-feira, 13 de março de 2008

O Mal Residente, e persistente


Após assistir Resident Evil 3 me deu uma louca vontade de comentar o filme aqui. Não que fosse o objetivo desse blog, mas como esse blog não tem objetivos lá muito claros, vou me dedicar ao ato de comentarista de filme desta vez. Bem, retornando ao assunto do filme... Gente, que porcaria... Olha, antes de mais nada já vou dizendo que sou fã de jogos de video game, e que joguei muito Resident Evil 2 no Playstation 1, joguei Resident Evil 4 no Wii e assisti e gostei do primeiro filme. Já o segundo eu detestei e esse terceiro... afe... É possível ver alguma coisa de bom no filme, pois os efeitos são bons, a maquete de Las Vegas é bem feita, a maquiagem de alguns mortos-vivos são boas, mas no geral o filme é podre. Também não era de se esperar muita coisa, já que é filme pra vender com alto teor apelativo e tal, mas não precisava cagar no pau do jeito que fizeram. Fui investigar a “carreira” do diretor Russell Mulcahy. Olha só, ele está filmando O Escorpião Rei novo, portanto fiquem espertos.

Até que algumas coisas salvam o filme:

1) Milla Jovovich;
2) Milla Jovovich atuando com Milla Jovovich (sim, eu considero a atriz/modelo/salvadora do mundo uma das mais bonitas pessoas existentes na face da Terra. E a Terra atual, sem mortos-vivos);
3) Ali Larter (a loira Niki Sanders do Heroes);
4) As duas aparecendo juntas.

Olha, já tiramos quatro coisas boas no filme... Bom, né?

O filme é coisa é ruim mesmo. História mal-contada, sem graça, boba, enfim... Vá ser ruim lá na casa do chapéu. Mas eu precisava assistir para dar meu parecer, por isso esperei chegar em DVD. Não vou pagar 20 mangos para ir no cinema assistir uma coisa dessas. Primeiro porque cinema já está complicado de ir, pois além de caro é chato demais (depois falo mais sobre isso), e além disso minha namorada iria querer me matar devagar e com muito sofrimento. Fora a dívida eterna que iria ganhar de ter que assistir esses filminhos bobos de história romântica no cinema. Ah não vale a pena. Uma certa ocasião da minha vida eu tive que ver Legalmente Loira 2 no cinema! Cê não leu direito... Legalmente Loira DOIS! Eu nem tinha assistido o um. Nem vou perder tempo de comentar isso, mas só uma idéia do que eu tive que ver. Pelo menos essa ficou a dívida eterna dela. Ontem assisti sozinho no meu quarto para não receber dívidas de ninguém, já sabendo o que viria por aí. E olha que acertei... Bom, meu conselho: Não assista. É melhor assistir a novela. Ruim por ruim pelo menos é de graça.

sexta-feira, 7 de março de 2008

O Ser e o tempo... ou seria o ser sem tempo?


Meu dia precisa ter 36 horas. Estou pensando em fazer algum tipo de abaixo assinado às pessoas que querem que seus dias sejam aumentados de tamanho, pois as meras vinte e quatro horas não dão pra nada. Sim meu amigo, o mundo mudou. E parece que muitas coisas pioraram com essas mudanças. Uma delas foi que o tempo escafedeu-se. Ninguém tem tempo pra nada. Eu tenho dezenas de atividades diárias que gostaria de fazer ao menos por um breve período de tempo mas muitas vezes estou ocupado demais ou esgotado demais. Estou terminando um livro de quase quinhentas e cinquenta páginas e nunca consigo ler as trinta últimas páginas. Sempre que vou ler o sono vem e diz: “Ok, ok, larga isso que agora é minha vez...”. Quando acordo então parece que sempre é a “pegadinha do malandro”, e alguém vai aparecer e dizer: “Dorme filho, ainda são duas da manhã”. O problema é que até hoje o horário sempre é o certo mesmo, aquele em que devo começar o dia. Apesar de feio, até gostaria de ver o Sérgio Malandro dizendo que é pegadinha só pra poder dormir mais um pouco. “Rá!”.

Ninguém me tira da cabeça que a culpa disso é a tecnologia. Eu acredito que a tecnologia veio para atrapalhar a humanidade. Antes as coisas eram mais lentas, mas e daí? Quem se importa? Antes as pessoas viviam, passeavam nos bosques, namoravam, comiam pipoca na praça, tinham tempo! Hoje passeios são rápidos e a gente sempre reclama do trânsito. Chegamos já pensando em voltar. Namoro é só virtual, ou então as namoradas são apreciadas apenas nos finais de semana quando ambos estão ocupadíssimos resolvendo as pendências da semana. Minha namorada sempre diz: “Esse sábado não vai ser sábado, né?” Com olhar pesaroso digo: “Não vai. Temos um zilhão de compromissos.” Aí é acordar cedo, encher o tanque e completar todas as quests diárias. E sempre fica algo pra semana que vem. Não tá dando mais. Por isso vou reinvidicar meu dia de trinta e seis horas. Vou criar o movimento dos sem tempo. Vou pra brasília, carregando um facão na cinta e fazer a maior algazarra na frente do planalto. Não é possível, aguém precisa mudar isso.

Com o avanço da tecnologia, a duração do dia tem que mudar também. Alguém tem que fazer a Terra girar mais devagar em torno de si mesma para dar tempo de fazermos todas as atividades. E aproveita e faz ela girar em torno do Sol mais devagar também. O ano voa. Quando a gente vê já tem um cara de vermelho e barba branca nos shoppings. Absurdo! Vocês tem noção que já é páscoa? O ano nem começou!

Bem, então voltando a falar da tecnologia: No supermercado aquela cena ridícula: A caixa com um produto tentando passar no visor da porcaria da máquina que NUNCA funciona. Aí ela desiste após alguns segundos, dá aquela bufada básica e se prontifica a digitar oitocentos dígitos do código do produto, que nunca tem menos que isso. Passa mais um, passa outro e advinha só: Mais um para ser digitado! Enquanto isso a fila está lá na pompéia (eu moro na zona sul). Quando acaba o suplício, vem o pagamento. Outra novela. “O cartão não está passando”, ela diz. O cartão não passa... não passa de um tormento, isso sim. Antes o povo chegava, jogava o dinheiro e ia embora. Por isso os supermercados hoje colocam aquele corredor de produtos antes de você chegar no caixa. Desde pilha à fraldas, esses produtos devem vender muito porque a pessoa que está na fila permanece muito tempo esperando, e para curar o tédio pega mais alguma coisa pra comprar e para passar no leitor, que não funciona, à propósito.

E catraca de prédio então! Nossa, essa é campeã. Não sei qual é a dificuldade de fazer um sistema de catracas que funcione. Sou programador e imagino que em meia hora mais ou menos é possível desenvolver um programa desses, com apenas duas variáveis. Mas eu nunca vi um sistema de catracas que funcionasse. Sempre dá aquela travada e você deita de bruços para a alegria dos seguranças. Será que eles é que bloqueiam a catraca? Hum... não tinha pensado nisso... Mas que filhos da P...

Vamos falar de elevadores agora... Lindos, se funcionassem. Às vezes a luz de um acende, o outro apita e um terceiro que abre. É a teoria do contra-pé, como meu amigo diz. Você fica igual a uma mosca de padaria, não sabendo pra onde ir com a zona do sistema.

Outra característica da falta de tempo: Eu gosto de ler livros. Tenho comprados e parados na minha estante cerca de doze livros esperando por minha leitura. Minha pilha de gibis não lidos também aumenta exponencialmente a cada mês. Os filmes em DVD que compro ou alugo ficam boiando lá e nunca dá tempo de assistir. E a culpa é de quem? Da falta de tempo! Tem horas que nem no banheiro dá tempo de ir. Vou colocar um pinico aqui do lado da minha mesa.

Vamos nos unir em prol desse movimento! Quero meu dia com trinta e seis horas! E tenho dito.

PS: O Ser e o Tempo é um livro de filosofia no qual eu também não tive tempo de ler.